Popularidade vai parar de cair quando “Bolsonaro deixar de ser Bolsonaro”, diz Alberto Almeida

A única maneira de deter a queda de popularidade no curto prazo é Bolsonaro deixar de ser Bolsonaro, o que implicaria em buscar o centro, diminuir de forma dramática a taxa de conflito, buscar zerar os ruídos políticos, procurar agregar, e passar a falar repetidamente para todo o país para gerenciar as expectativas (esperanças) dos eleitores.

Por Alberto Almeida

O ótimo + bom do Governo Bolsonaro caiu 15 pontos, o regular aumentou oito pontos e o ruim péssimo aumentou 13 pontos. A série de dados em três meses mostra o fenômeno da queda com clareza: o eleitorado deixa de avaliar ótimo e bom, passa pelo regular e termina no ruim e péssimo.

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Como a queda da avaliação positiva é rápida, espera-se que por inércia ela continue caindo no próximo mês. Há muitos motivos para uma trajetória dessa natureza, o principal é que o país continua em crise econômica e o governo – seu principal comunicador, o presidente – não “vende” esperança no futuro.

Quando Temer assumiu após Dilma a sua popularidade subiu em relação à antecessora. Era um sinal de que o eleitorado tinha esperança em dias melhores. Porém, como não veio a melhoria, nem o governo se comunicou com a população mostrando que estava se esforçando para que as coisas melhorassem, a popularidade de Temer entrou em queda.

Pode ser que Bolsonaro conheça a mesma trajetória. É importante ressaltar que o Presidente não compreende o seu papel de comunicador na atual posição, ao menos não deu sinais que assim o faz. Bolsonaro não fala para a maioria do eleitorado, não gera esperança em dias melhores e continua evitando as situações midiáticas espontâneas. Não parece que isso será modificado. Ele continua se comportando como deputado federal, falando para um conjunto restrito de eleitores.

O que é uma tarefa difícil, aprovar a reforma da previdência, ficará mais ainda. Os deputados não vão querer votar a favor de algo impopular defendido por um governo impopular, liderado por um presidente sem compostura no cargo.

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O beneficiário direto da queda de popularidade do presidente é o PT, porque disputou o segundo turno com Bolsonaro. Há uma parcela de eleitores que jamais votará no PT, eles correspondem a 25% do total. Eles nunca votaram no partido, portanto, não podem ser classificados como anti-petistas. Eles simplesmente dão sustentação social, política e eleitoral à direita e centro-direita. O PT é beneficiário porque volta a ser visto como opção de poder pelos eleitores de centro, aqueles puco ideológicos e muito pragmáticos, que não guardam ressentimentos do passado e desejam dias melhores no futuro.

A única maneira de deter a queda de popularidade no curto prazo é Bolsonaro deixar de ser Bolsonaro, o que implicaria em buscar o centro, diminuir de forma dramática a taxa de conflito, buscar zerar os ruídos políticos, procurar agregar, e passar a falar repetidamente para todo o país para gerenciar as expectativas (esperanças) dos eleitores. Tudo é possível, mas nem tudo é provável.

 

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6 comentários

  1. A análise é inconteste, só que os predicados colocados não cabem em quem é um Jair Bolsonaro, que se imagina um messias, um escolhido por Deus. Ora, a quem falta normalidade psíquica e se define como um moldado por Deus, não cabe em sua visão mudar.

  2. Bozo não passa de um pré-adolescente nervosinho, que ganhou fama por falar o que pensa.
    Os bozonários acharam que isto seria uma qualidade para um político.
    E por si só poderia ser, se:
    1) O conteúdo do que pensa (e fala) não fosse medíocre, pra não dizer fétido.
    2) Na boa política nem sempre se diz o que se pensa, mas o que pode trazer bons resultados gerais.
    3) Não pertencesse (inutilmente) ao “sistema” por cerca de 28 anos (inclusive no mais corrupto dos partidos, o PP e ainda suas múltiplas e evidentes ligações milicianas).
    Bozo não faz política, o sistema pra ele sempre foi apenas um (ótimo) emprego (com rachadinho e tudo …)
    Por razões exógenas à ele, acabou por ser o anti-PT da vez com chances de ganhar. É assim desde Collor.
    Bozo é um autista político-social, que não consegue se conectar com a realidade.
    Nem no seu quartelzinho de exército conseguiu.
    Quanto mais na diversidade de um país.

  3. Isso ficou claro logo apos a eleição: ganharam desse jeito, vao continuar nessa, pois é a unica coisa que têm na cabeça, cu, Cuba, e tiro.

  4. Ora, ele já mudou (na verdade foi mudado por seus assessores de imagem) e muito.
    O discurso (público e auto-declarado há muito e por muitas vezes) de defesa da tortura, da ditadura, de eliminar quem pensa diferente de homofobia, xenofobia, racismo, misoginia, machismo,antifeminismo, milicias, crenças religiosas seletivas e tantas outras obscuridades medíocres e atrasadas hoje é cinicamente )NEGADO (inclusive por seus fanáticos seguidores.
    Sem falar na sua assumido desconhecimento e despreparo para os assuntos de relevância de estado, embora a “última” palavra sempre seja dada por ele. Ainda que não seja a palavra dele, hehe.
    O fato é que mesmo assim, por mais que ele tente “mudar”, ele transpira tudo que é no suor, na expressão, no olhar, na entonação e tudo o mais.
    No momento está encamisado como um boneco de ventríloquo, que precisa parecer que é quem fala.
    Pelo menos até que o serviço de entrega da nação a que serve esteja irreversível.
    Aí, poderá sair do colo e ser jogado em um canto qualquer.

  5. O que está escrito é tudo o que eu desejo. Precisamos interromper o retrocesso promovido pelo louconaro.
    Mas, pelo amor de Deus, não vamos nos igualar a eles: qual é a fonte dos números mencionados no artigo? Os fins não justificam os meios.

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