3 de junho de 2026

Por que Hollywood evita falar sobre Gaza ?

Calçada da Fama | Crédito: AFP

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Hollywood tem mantido silêncio sobre conflito em Gaza

Ao longo das décadas, muitas estrelas de Hollywood não hesitaram em expressar publicamente suas posições políticas ou emprestar sua imagem para apoiar diversas causas humanitárias.

Jaime González – Da BBC Mundo em Los Angeles

Mas, nos últimos dias, quando o mundo debate a operação militar de Israel na Faixa de Gaza, durante a qual morreram até agora mais de 900 palestinos e 35 israelenses, o silêncio impera no templo das celebridades americanas.

Na reportagem, intitulada “Regra número um: fale de qualquer assunto político em Hollywood…exceto de Gaza”, a jornalista Tina Daunt escreve que “enquanto o número de vítimas continua a aumentar”, há, nas altas esferas da indústria cinematográfica, uma relutância “atípica” para falar sobre o que está acontecendo no Oriente Médio.Nesta semana, a revista americana The Hollywood Reporterpublicou um artigo em que analisa as razões pelas quais a indústria do entretenimento permanece calada sobre o atual conflito entre Israel e o Hamas.

Daunt lembra que “a afinidade e apoio político” de executivos de Hollywood – muitos dos quais são judeus – a Israel já ocorre há muitas décadas, mas “no momento” a operação militar israelense não vem gerando o esperado debate público.

Ao mesmo tempo, de acordo com a jornalista, esses mesmos executivos acreditam que os poucos artistas que nos últimos dias têm mostrado apoio à causa palestina estão “desinformados”.

Divisão de opiniões

Um desses artistas é a cantora pop americana Rihanna, que há poucos dias publicou uma mensagem em sua conta no Twitter com a hashtag #FreePalestine (“Palestina livre”, em tradução livre).

Minutos depois, Rihanna apagou a postagem, em meio a uma chuva de críticas. A polêmica levou um de seus representantes a emitir uma declaração na qual afirmou que a cantora não quis tomar partido e “está apenas a favor da paz”.

Rihanna | Crédito: Reuters

Rihanna faz postagem no Twitter com hashtag #FreePalestine, mas retirou em seguida

A cantora hispânica Selena Gomez também foi criticada por postar uma mensagem em sua conta no Instagram na qual, entre outras coisas, disse: “É uma questão de humanidade. Rezem por Gaza”.

No dia seguinte, Gomez postou nova mensagem, em que esclareceu que não estava apoiando nenhuma das partes envolvidas no conflito e que rezava pela paz “para o mundo inteiro”.

Foram poucos os artistas do showbiz americano que nos últimos dias vêm demonstrado abertamente solidariedade com as vítimas civis de Gaza. Entre eles, estão o diretor de cinema Jonathan Demme, a atriz Mia Farrow e os atores Mark Ruffalo, Javier Bardem e John Cusack.

Bardem, por exemplo, publicou uma carta aberta criticando a posição dos Estados Unidos, a União Europeia e Espanha contra o que ele chamou de “guerra de ocupação e de extermínio contra um povo sem meios”.

Hollywood | Crédito: BBC

Hollywood tem histórico de apoio à causa judaica

“Hollywood, como indústria, tem uma certa ambivalência ao decidir sobre essas questões. Quando o bom funcionamento do seu negócio depende do sucesso no mercado internacional, é bom não criar polêmicas e Israel é sempre uma questão muito controversa”, afirmou a jornalista Danielle Berrin, do jornal The Jewish Journal, de Los Angeles.

“Se você é cineasta e quer que seu filme seja visto na Turquia, não é uma boa ideia aparecer como defensor de Israel. É por isso que em Hollywood normalmente se permanece em silêncio quando se trata de assuntos polêmicos”, assinalou Berrin.

A jornalista, autora do blog Hollywood Jew, em que divulga notícias relacionadas à indústria do entretenimento voltadas para a comunidade judaica, diz que “os executivos de grandes estúdios, ao comandar empresas de capital aberto, não acham que devem tomar partido em assuntos tão polêmicos e que dividam o público”.

“No caso das celebridades, tampouco elas ganham alguma coisa ao se posicionarem, uma vez que tudo o que disserem será criticado. Se eles escolherem falar de um determinado assunto, por exemplo, muita gente vai pensar ‘quem eles pensam que são para opinar’, se não dizem nada, vão criticá-los por não usar a fama para uma boa causa”.

Berrin garante que, mesmo não se pronunciando a respeito do conflito, muitos famosos estão preocupados com o que está acontecendo e indica que “Hollywood tem uma longa história de ativismo” a favor da causa judaica.

Paródias criticadas

 

 

John Stewart | Crédito: Getty

Apresentador John Stewart foi criticado por suas paródias sobre o conflito

Uma das celebridades que mais tem chamado atenção nos últimos dias por suas posições a respeito do conflito em Gaza foi o apresentador do The Daily Show, Jon Stewart, que é judeu.

Stewart foi fortemente criticado por alguns setores da comunidade judaica dos Estados Unidos ao falar sobre as diferenças entre a tecnologia que os israelenses e os palestinos têm para se proteger.

O apresentador brincou que, embora os judeus tenham um aplicativo em seus celulares para alertá-los com antecedência sobre onde um foguete vai cair, os palestinos são avisados por bombas lançadas por Israel.

Após a declaração, o comentarista de rádio conservador Mark Levin disse que Stewart é um “idiota exaltado” e um “judeu que odeia a si mesmo”, enquanto jornalista do The Times of Israel David Horovitz o acusou de banalizar o conflito em Gaza com suas paródias.

Poucos dias depois da polêmica, Stewart voltou ao tema, fazendo piada dos ataques que recebe de ambos os lados sempre que fala sobre Israel ou o Hamas, mas deu a entender – como muitos fazem em Hollywood – que o melhor teria sido não se pronunciar sobre o assunto.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/07/140726_hollywood_gaza_lgb.shtml?ocid=socialflow_facebook

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25 Comentários
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  1. wendel

    30 de julho de 2014 10:37 pm

    O assunto não se esgota, enquanto houver assassinatos em Gaza!!

    30 de julho de 2014

    A PAZ NÃO TEM VEZ

     Guerra de Gaza? Mentira! O que ali está acontecendo não é guerra. Não é soldado contra soldado, forças armadas contra forças armadas. Aquilo é clara e indiscutivelmente ato de arbítrio sangrento praticado por quem se julga senhor absoluto da terra e de tudo que ali nasce, cresce e se move.
    Guerra de Israel contra o Hamas? Mentira! É uma guerra sem trégua contra o que restou de Palestinos. É o mesmo expediente que vem mostrando sua eficácia desde a Segunda Guerra. Aquela, da qual dizem que “não foi travada contra alemães, mas, sim, contra os nazistas”. Lembremos aqui das palavras do General Dwight Eisenhower quando suas tropas começaram a cruzar a fronteira alemã na batalha final da IIGM: “O nosso principal objetivo é exterminar tantos alemães, quanto possível.” Não falou “nazistas”, como até hoje nos fazem crer.Assim, substituindo a palavra Palestina por um termo um tanto abstrato para o resto do mundo, fica mais fácil invadir, explodir, matar, torturar, exterminar, porque se trata dos hamas, não de palestinos.
    As reações ao crime de guerra que vêm sendo praticado se limitam ademonstrações, protestos de rua. Alguns governos e a ONU pedem timidamente o fim das hostilidades, nada mais. Onde estão a essas horas a Human Rights Watch, as ONGs, a Anistia Internacional, as tantas instituições que se dizem defensoras da humanidade?
    Ou isso já faz parte de um projeto muito maior, mais amplo, mais tenebroso ainda?
    Fala-se abertamente em III Guerra Mundial. O ministro do exterior alemão Steinmeier vê a Europa ameaçada por nova guerra. A Rússia é o atual inimigo público nr.1. Obama pede dinheiro ao congresso para, em conjunto com a OTAN, garantir os direitos da Ucrânia. Na Internet exércitos de bloggers são pagos por instituições governamentais para infiltrar portais pro Rússia e espalhar informações falsas (veja também este blog de 19/2/2014). As sanções econômicas contra os russos, são patrocinadas pelos Yankees e União Europeiae estão em evolução constante. O que teria feito a Rússia para merecer castigo? Vamos nos lembrar que quem começou a baderna na Ucrânia foi o Ocidente, organizando o golpe de estado que derrubou o Presidente Yanukóvytch, legalmente eleito. Agora foram assassinadas quase 300 pessoas, derrubando um avião no qual viajavam. Culpam-se mutuamente, mas CUI BONO? A quem beneficia tal ato?
    O mundo todo está em crise. Os americanos não podem mais custear todo o seu aparato. Eles têm que sustentar mais de mil bases militares espalhadas pelo mundo, além de manter a produção da indústria de armamentos. Na Europa um banco português acaba de falir (ou pedir concordata). As dívidas públicas dos países europeus estão em constante crescimento. O que os banqueiros internacionais estão fazendo com a ARGENTINA é de conhecimento geral. Aliás, consta que estes oligopólios financeiros levaram um duro golpe de 20 bilhões de dólares engendrado pelo governo Putin (Notícia de última hora: Hoje, quarta-feira, 30 de julho, a bolsa de Moscou suspendeu suas atividades. Não se sabe o motivo). Putin já tem demonstrado que não quer que a nação que dirige se submeta à batuta dos ROTHSCHILD & Cia Ilimitada. Lembro de outro chefe de estado que fez o mesmo 80 anos atrás. Muito da conjuntura mundial atual lembra os tempos de então.
    Finalizo com uma notícia doméstica, mas também econômica, ou melhor, socioeconômica. A partir de amanhã, dia 31/7, sessenta e seta das linhas de ônibus de Curitiba/PR, deixarão de aceitar DINHEIRO ($R) em pagamento de passagem. Quem quiser usar este transporte público urbano terá que se municiar de um “Cartão Transporte”. Só espero que não seja um passo precursor do chip implantado. E será que já revogaram o Decreto Lei da LCP nº 3.688 de 03 de Outubro de 1941 Art. 43. Recusar-se a receber, pelo seu valor, moeda de curso legal no país.
    Toedter

     

    1. alfredo machado

      31 de julho de 2014 2:02 am

      Ilustrativo

      wendel,

      Texto muito bom, abrange tudo e todos, em poucas linhas mostra o mundo como ele realmente é.  

  2. lucascosta

    30 de julho de 2014 10:52 pm

    A origem judaica

    Universal, Paramount, Metro-Goldwyn-Meyer, Fox, Warner. Todos esses aí, gigantescos impérios, têm origem judaica. 

  3. Jorge Leite Pinto

    30 de julho de 2014 11:03 pm

    Ponto para o Bardem. Lucidez

    Ponto para o Bardem. Lucidez e humanidade.

    Pro resto… Apenas o resto.

    Lembro de um livro do Noam Chomsky (Novas e velhas ordens Mundiais) em que diz que este conflito é propositalmente sem fim…

  4. veranis

    30 de julho de 2014 11:17 pm

    cineastas são judeus

     

    A resposta é muito simples. A indústria cinematográfica americana é em sua maioria, entre os donos e atores judia.Assim como a população de Israel é toda contra a Palestina e a favor dos bombardeios o mesmo deve se dar no meio cinematográfico judeu  americano. Aliás parece que os judeus  de alto calibre do mundo inteiro começam a reunirem-se a fim de dar suporte a Israel para dar fim à Palestina. Não à toa os muçulmanos começam o mesmo movimento para dar fim a Israel. Sobrará alguém vivo nessa região ao final?

  5. alfredo machado

    30 de julho de 2014 11:31 pm

    Saudade de Marlon Brando

    Demarchi,

    Hollywood, Israel é aqui.

    Toda a história dos grandes estúdios da meca do cinema está lotada de nomes de judeus. 

    Naquele ambiente ao meu ver insuportável, onde a hipocrisia reina absoluta entre os seus, fica bastante claro o que vem na frente, $$$.

    Há alguns anos ainda eram capazes de criticar aqui e ali, o caso da tragédia no Vietnam, alguns também se manifestaram a respeito dos direitos civis, um pouco antes lavaram as mãos em relação a Charlie Chaplin.

    Agora, não mais existe um Marlon Brando da vida prá falar o que pensa e ponto. Nem mesmo Sean Pen e Warren Beatty, péssimo sinal. O negócio é ir de Tom Hanks ai ai ai

    1. wendel

      31 de julho de 2014 8:34 pm

      Estamos órfãos….

      Realmente alfredo, não mais temos um Marlon Brando, mas não só ele.

      Se pesquisarmos na Rede, veremos que todos os que ousaram confrontar o poder judaico, foram banidos, não so de hollywood, mas de todos os possiveis mercados.

      Veja o que disseram  Henry Fonda, Gal Patton, Mel Gibson, John Galliano, que mesmo depois terem se retratado, ficaram eternamente marcados como anti-semitas e viram seus negócios irem à falência por aquela atitude!

      No caso de Gibson, embora tenha uma produtora, seus filmes hoje sofrem a perseguição de não serem mostrados em todos os países, em virtude das distribuidoras estarem em  maioria nas mãos de judeus!

      Na musica, então nem se fala!!!

      Assim, como bem coloca o jornalista Ricardo Melo, colunista da FSP em seu artigo intitulado “Israel é aberração, os judeus não” – ” Os judeus embora competentes e com qualidades individuais, quando se destacam, grande parte é devida a confraria; apoio mutuo; privilégio; trabalho em equipe, ou qualquer outra coisa que os façam serem unidos ou se unirem” 

       

  6. gaúcho

    30 de julho de 2014 11:36 pm

    Resumindo: quem falar mal de

    Resumindo: quem falar mal de Israel perde o emprego.

    Democráticos eles não?

     

    1. alexis

      31 de julho de 2014 9:28 am

      O truque

      Eles fazem algo errado –> vocè falou mal –> você é taxado de anti-semita ou racista –> você é o culpado!

       

  7. Marcos Antônio

    30 de julho de 2014 11:45 pm

    Por que quem seria o vilão no

    Por que quem seria o vilão no filme?

  8. hugo1

    31 de julho de 2014 12:27 am

    A única causa pela qual

    A única causa pela qual podemos lutar

    por Milly Lacombe

    Varsóvia, 1940

    Logo depois da invasão alemã, os judeus de Varsóvia foram espremidos em uma espécie de gueto dentro da cidade. Lá, quase 400 mil judeus, amontoados em apartamentos compartilhados, foram submetidos a todo o tipo de tortura física, moral e psicológica. Tinham que sobreviver em meio a uma densidade populacional obscena (o gueto ocupava apenas 2% do território de Varsóvia) sem ter o que comer, sem ter mais água, sem trabalho, sem mínimas condições de vida. Ainda assim, foram os primeiros a resistir à ocupação nazista, e entraram para a história como herois, embora fossem chamados de terroristas pelos oficiais de Hitler. Praticamente não houve sobreviventes ali, mas os judeus do gueto escreveram seus nomes como gigantes. 

    Gaza, 2014

    Num território com 40 quilômetros de comprimento e 12 quilômetros de largura moram quase 2 milhões de palestinos. Vivem em condições desumanas de higiene, vigiados pelo exército de Israel, amontoados como bichos, sem trabalho e sem direito a uma pátria.

    Vivem assim desde que, em 1967, Israel decidiu estender seu território — delimitado depois de acordo diplomático mundial em 1947 –, e invadiu a Cisjordânia e Gaza, colocando-se entre esses dois pedaços de terra, encurralando palestinos para a pequena faixa perto do mar, e iniciando a construção de assentamentos nas terras ocupadas.

    (Vale explicar que esses assentamentos não são exatamente barracas de pano e banheiros químicos como eu e minha brutal ignorância achávamos que eram até ontem, mas sim apartamentos luxuosos, ruas bem asfaltadas e decoradas com fontes, tudo construído com a ajuda do dinheiro do contribuinte americano e oferecido gratuitamente, ou por preço simbólico, para o israelense que quiser ir morar lá).

    Os Palestinos em Gaza são, portanto, refugiados, e, por uma cerca, podem ver as terras que eram deles, agora ocupadas. Têm direito a uma pequena faixa de oceano, mas se entrarem e mergulharem além de seus ombros, são executados por soldados Israelenses.

    Ao escutar o parlamentar britânico George Galloway jogar essas e outras verdades na minha direção, me senti levando um murro no estômago.

    Quando era pequena e comecei a aprender sobre o horror do Holocausto, dizia a mim mesma que se vivesse naquela época ia lutar contra o Nazismo com todas as minhas forças. Iludia-me com a noção de que defenderia o mais fraco, de que batalharia heroicamente para acabar com o preconceito e com o extermínio do povo judeu. Por isso, ao escutar Galloway e deixar de ser tão colossalmente ignorante em relação ao que está acontecendo em Gaza, percebi a gravidade de permanecer em silêncio. 

    Porque não sei vocês, mas eu consigo ver dezenas de paralelos entre Gaza e o Gueto de Varsóvia.

    Não sei vocês, mas eu, nos dois casos, só consigo ver um lado pelo qual gostaria de lutar.

    Não sei vocês, mas eu, tivesse nascido em Gaza, e vendo minha família morrer e meus amigos desaparecerem, me candidataria a pegar em armas.

    Não se trata de defender as causas do Hamas, uma organização que faz uso de atos terroristas, e que, como todas as organizações terroristas, deveria ser simplesmente eliminada. Se trata de lutar por dignidade e moral. Hoje, a maioria dos palestinos que pegam em armas não são Hamas, apenas cidadãos que cansaram de sofrer. 

    O alegado direito de “se defender” que o estado de Israel vocifera ao mundo, chamando de anti-semita aqueles que ousam argumentar que bombardear hospitais e escolas passa longe de se enquadrar em um “direito de defesa”, é apenas mais uma imoral manifestação do sionismo.

    Israel, terra que nasceu fundamentada na esperança da construção de um mundo melhor, mais justo e menos intolerante, se transformou com o passar dos anos em um estado imperialista.

    Rico e economicamente alinhado com as maiores potências do mundo, coloca-se na posição de opressor, extremista e, usando a bandeira do “quem me acusar de crime não gosta de judeus e é, portanto, anti-semita”, pratica alguns dos crimes contra a humanidade mais grotescos dos dias de hoje.

    Mas, porque é um estado economicamente poderoso, não é oficialmente criticado sequer pelos países árabes, muitos dos quais são, também, seus parceiros econômicos.

    O argumento sionista da auto-defesa tampouco explica nem justifica o massacre de palestinos. Dos mais de mil mortos desde que a atual investida bélica começou, 75% são mulheres e crianças.

    O argumento de que “precisamos eliminá-los porque o Hamas em seu estatuto jura nosso aniquilamento” é também vazio porque, antes de mais nada, a maioria da população de Gaza, mesmo aqueles que hoje lutam contra o exército de Israel, não é Hamas. E depois porque o Hamas não tem sequer um exército, apenas uns mísseis capengas que são, em sua maioria, interceptados pelo poderoso e bem equipado exército de Israel logo depois de disparados.

    Talvez seja hora de pensarmos da seguinte forma: se tudo isso está sendo feito por causa de palavras em um estatuto (já que o Hamas, embora tenha jurado Israel de morte, não teria força para destruir sequer uma rua de Telaviv) o que vem a ser pior: jurar de morte com palavras, ou de fato executar essas mortes? Porque o que estamos vendo é Israel varrer do mapa toda uma população, o povo que até 1947 era proprietário da totalidade daquelas terras.

    E aqui vale um outro parenteses porque é nessa hora que sionistas dão um passo à frente e gritam “É contra a criação de Israel!” Não se trata de ser contra, apenas de não descartar o contexto dentro do qual o país foi criado. Terras palestinas foram dadas a Israel por terceiros.

    Portanto, trata-se de entender que desde 1947 a Palestina está desaparecendo do mapa. Primeiro porque parte de suas terras foram oferecidas por terceiros ao povo judeu, e depois porque, anos mais tarde, Israel decidiu que aquele tanto de terra já não era assim um negócio tão bom e resolveu conquistar mais e mais, encurralando o povo palestino para Gaza (cujo tamanho ridículo já divulgamos acima) e para umas partes da ocupada Cisjordânia. 

    Então, vamos deixar claro o que penso: Sim, Israel tem direito de existir. Sim, o povo judeu foi vítima do maior e mais grotesco crime já executado contra a humanidade (ao lado da escravidão). Mas a negociação para seu nascimento me parece ter sido feita de forma a descartar qualquer interesse palestino, o morador anterior — e desde então, graças ao imperialismo israelense, a palestina está sumindo do mapa.

    Vamos tentar fazer um exercício: Como Israel se comportaria se um dia a ONU aparecesse por lá e dissesse: irmão, chega um cadinho pra lá que vamos colocar aqui no meio de vocês os índios Tapanuquins, cujo livro sagrado diz categoricamente que esse pedaço de terra foi oferecido a eles por Deus, e nós, o resto do mundo, estamos concordando. A partir de então, ainda que Israel tivesse aceitado o novo vizinho, os Tapanuquins começariam a querer mais e mais terra, espremendo o povo israelense para pedaços cada vez menores.

    Sei que a situação hipotética acima é tosca, mas vale para ajudar a entender.

    Agora voltemos à reflexão.

    O argumento de que o cidadão palestino está sendo usado como escudo humano pelo Hamas também é derrubado quando entendemos o mapa de Gaza: não há ali nada além da população palestina. Não há espaço para que se criem guetos de resistência, não há florestas nem vales. Tudo é misturado à população porque tudo é a população.

    Claro que uma vida Israelense perdida nesse conflito já pode ser considerada uma enormidade, porque toda a vida é uma enormidade e não deveria ser perdida em guerras, mas uma vida israelense não vale mais do que uma vida palestina, e a contagem até agora é de mais de mil de um lado para menos de 30 do outro.

    E embora os grandes líderes desse mundo apodrecido não se manifestem, a verdade é que eles sabem perfeitamente que só existe um lado legítimo a favor do qual podemos nos manifestar.

    Sem dizer isso oficialmente, mas flagrados conversando antes de irem ao ar, tanto Obama, quanto David Cameron e John Kerry, secretário de estado americano, se mostraram horrorizados com as atitudes de Benjamin Netanyahu, primeiro ministro israelense (detalhes sobre essas “verdades escapadas” estão na eloquente palestra de George Galloway que me inspirou a escrever esse texto e cujo link eu coloco abaixo).

    Quando as câmeras são ligadas, entretanto, o discurso é o de “apoiamos integralmente as ações do estado de Israel”. Ah, a pequenez moral das democracias corporativistas. Kerry chegou a dizer publicamente que Israel estava sitiada pelo Hamas, uma declaração que fica entre o mais completo absurdo e o mais ridículo cinismo 

    Na mesma palestra, Galloway questiona por que Obama, que já está em seus segundo mandato, não deixa pelo menos algum tipo de legado dizendo ao mundo a verdade sobre o que pensa a respeito da questão Israel Palestina.

    Diante do cenário econômico atual, feito de parcerias que visam o lucro de grandes e poderosas corporações a despeito de abusos cometidos contra pessoas e contra o ecossistema, não há quem se levante pelos palestinos, a não ser a opinião pública.

    A boa notícia é que os jovens, em sua maioria, constituem essa massa heroica de pessoas que estão saindo às ruas para apoiar a Palestina. Jovens inclusive dentro de Israel, como o grupo que se autodenomina “If Not Now, When” (“se não agora, quando?”) que foi às ruas de Telaviv no sábado rezar o Kaddish para Palestinos, numa das mais belas e comoventes ações críticas ao terrorismo que estamos assistindo de braços cruzados.

    Mas o fundamental é o seguinte: já não se trata mais da questão judaica, muçulmana, árabe ou israelense. Trata-se de questão humanitária. Alguma coisa precisa ser feita para que a matança tenha fim. Mas, mais do que isso, para que se devolva dignidade ao povo palestino porque o “cessar fogo” não vai resolver muita coisa, embora seja necessário para que o genocídio termine. Devolver dignidade significa devolver a eles um lar – ou a terra que a eles pertence e que foi ilegalmente deles tomada por imperialistas israelenses.

    E então é importante que se encontre uma forma de convívio, e que rezemos para que esses dois povos culturalmente tão ricos finalmente entendam o que escreveu Joseph Campbell — Ame ao próximo como a si mesmo na verdade quer dizer: “ame o próximo porque é tu mesmo”.

    Como em Varsóvia/1940 só havia um lado pelo qual eu me candidataria a lutar, agora, mais uma vez, não há outra causa ou outra luta possível.

    http://blogdamilly.com/2014/07/28/a-unica-causa-pela-qual-podemos-lutar/O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,gaza-uma-distopia-moderna-imp-,1534247O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,gaza-uma-distopia-moderna-imp-,1534247O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,gaza-uma-distopia-moderna-imp-,1534247

    1. Demarchi

      31 de julho de 2014 1:28 am

      Eu gostaria de ver essa postagem subir como Post !

      E que fosse bem divulgada, compartilhada, twitada …

    2. Luiz Felipe Capablanca

      31 de julho de 2014 11:02 am

      Excelente

      Também gostaria de ve-lo promovido a post

    3. Joao Pereira

      31 de julho de 2014 5:14 pm

      Destaque

      De acordo, merece um destaque no blog.

  9. Marco St.

    31 de julho de 2014 12:30 am

    Todos os grandes estúdios de

    Todos os grandes estúdios de cinema de Hollywood tem origem e são comandados por judeus. Desde o início do século passado.

    Não vai ser de lá que vai sai alguma decente a respeito de Gaza ou sobre os palestinos.

  10. Francisco Ernesto Guerra

    31 de julho de 2014 12:33 am

    Mas que bobagem

    Todos sabem que a indústria de entretenimento dos eeuu é dominada por judeus.

    Atores, a maioria sem personalidade, preferem se sujeitar a vontade dos patrões e garantir papéis em filmes.

    Que novidade há nisto???

  11. agincourt

    31 de julho de 2014 12:36 am

    filmografias

    A menos que eu esteja enganado, Hollywood jamais produziu um filme sobre o apartheid sul-africano antes da ascensão de Mandela ao poder. Depois desse evento, parece que Hollywood recebeu sinal verde do Departamento de Estado, e então surgiram vários.

    Desconfio que uma eventual filmografia hollywoodiana sobre Gaza e Cisjordânia terá que esperar pelo Estado palestino – já possivelmente reduzido a meia dúzia de cidades na Faixa de Gaza e outro tanto na Cisjordânia, todas cercadas por colônias israelenses.

  12. C. Acácio

    31 de julho de 2014 1:01 am

    Pela mesma lógica que norteia

    Pela mesma lógica que norteia a mídia brasileira , quando omite o nome do banqueiro Daniel Dantas dos imbroglios onde possa estar envolvido …

  13. Motta Araujo

    31 de julho de 2014 3:18 am

    A imigração judaica para os

    A imigração judaica para os EUA tem duas vertentes. A primeira leva de judeus alemães, franceses e austriacos

    na primeira metade do seculo XIX e dessa leva surgiram os grandes nomes das finanças, os  Goldman Sachs, Kuhn,

    Jacob Schiff, Warbueg,  Lazard,  Loeb, judeus cultos e sofisticados, constituiram uma “aristocracia” judaica.

    A segunda leva de judeus da Europa do Leste, hungaros, romenos, poloneses, techecos, russos chegou na segunda metade do seculo XIX. Mais rudes, menos cultos, pouco sofisticados, dessa leva sairam os criadores da industria do cinema, os mafiosos judeus que criaram Las Vegas, os comerciantes de diamantes de Nova York, os confeccionistas

    de roupas e cosmeticos, Calvin Klein, Lauder, Levi Strauss, Lauren.

    Até a eclosão da Segunda Guerra os judeus em geral não eram pareo para a aristocracia WASP (White snglo saxon protestant), por exemplo, os country club mais exclusivos geralmente não aceitavam judeus, mesmo ricos. Eram poucos os congressistas, diplomas e altos funcionarios publicos judeus.

    Após a Segunda Guerra houve um constante crescimento do peso e da importancia dos judeus nas finanças, passaram a tomar posições cada vez maiores nas universidades, na economia, na diplomacia, no jornalismo.

    No Federal Reserve foram  Chairman, Eugene Meyer, Arthur Burns, Alan Greenspan, Ben Bernanke, no ensino da economia muitos como Milton Friedman, Paul Krugman, Paul Samuelson, Alan Meltzler, Secretarios do Tesouro, da Defesa (William Cohen), de Estado (Kissinger, John Kerry), na diplomacia (Embaixadores no Brasil Danilovich e Sobel), na presidencia das Comissões de Relações Exteriores do Senado e da Camara quase todos desde 1960 são judeus, no jornalismo, Washington Post (Khaterine Meyer Graham), no New York Times (Arthur Ochs Sulzberger), os 6,5 milhões de judeus americanos não só são muitos, são tambem influentes.

    Na musica dos cinco grandes compositores, quatro são judeus, Gershwin, Kern, Hammerstein, Irving Berlin, só Cole Porter não é, em Hollywood 70% dos diretores são judeus, assim como 65% dos artistas e 80% dos produtores.

    Com essa ascensão de poder, dinheiro, prestigio e influencia, a comunidade judaica ameicana neutralizou qualquer oposição na politica, os americanos não judeus são hoje refens virtuais da comunidade judaica e isso explica a não reação à alucinada politica israelense, que tem os EUA como patrocinadores e chanceladores, levando a contradições como protestar formalmente hoje contra as mortes em Gaza e ao mesmo tempo reabastecer de munição a artilharia israelense, como está hoje detalhadamente narrado no THE GUARDIAN.

    A politica eleitoral está sob dominio do American Israel Political Action Committee, o celebre AIPAC, um estado-maior de coordenação dos apoios de Israel a politicos. Nesta ultima campanha contra Gaza não houve nenhuma manifestação de nenhum congressista, nem protocolar, contra os desmandos das forças de Isrrael, todos mudos ou repetindo a cartilha “Israel tem o direito de se defender”..

    Os EUA vão afundar moralmente com Israel, não tem mais condições de exercer seu proprio julgamento nessa questão e assim seguem seu inevitavel declinio ético, moral e geopolitico abraçado ao pequeno Estado que controla o o destino do outrora gigante unipolar.

    1. JB Costa

      31 de julho de 2014 1:06 pm

      Muito bom o teu comentário,

      Muito bom o teu comentário, Motta Araújo. Efetivamente, o lobby judeu é muito forte em todas as áreas estadunienses, a começar por Hollywood, como bem realças.

    2. soaresdearaujo88

      31 de julho de 2014 1:07 pm

      (Sem título)

      1. wendel

        31 de julho de 2014 8:54 pm

        Como contribuição….

        Traduzido pelo Google.

        Um dia, depois que eu há muito tempo for,  você vai lembrar de mim e dizer que deveria ter parado o programa nuclear de Israel, abolir o Federal Reserve e chutar  todas as sociedades secretas, ocultistas usurpadores sionistas para fora do nosso maravilhoso país, para mantê-lo assim , mas nunca é tarde demais, apenas lembre-se disso! “

        (John F. Kennedy)

        Apesar de todos os  inconvenientes da Rede, como controle, monitoramento, filtragem censura, ainda é possivel buscar estas pérolas do passado, que analisadas no presente mostram de como agiram e agem os que se julgam donos do mundo. SE bem que, com o controle dos Bancos Centrais da maioria dos paises, e donos dos maiores oligopólios do planeta, não há como dizer que não são!

        Os politicos inclusive, em escala mundial, estão com dizem “com o rabo preso” a eles, pois se não fizerem o que foi acordado com eles antes das eleições, não se elegem, ou então são assassinados ou “acidentados” como foram  Abraham Lincoln, Kennedy e vários outros!!

    3. Joao Pereira

      31 de julho de 2014 4:57 pm

      Excelente comentario.

      Grato pelo excelente comentario, particularmente os tres ultimos paragrafos, que sintetizam tudo.

      Como uma minoria etnica assume o poder no interior da maior potencia economica e militar que o mundo ja’ viu, e como este poder e’ utilizado para a consecucao de objetivos particularistas e excludentes.

      Nao e’ so’ Hollywood que concentra uma extraordinariamente elevada percentagem de judeus; na midia, na academia, no setor financeiro, e nas profissoes liberais essa predominancia tambem e’ acachapante.

      Deriva dai’ a extraordinaria influencia de um povo extraordinario, que – pelo que vemos se desenrolar na Palestina, e ha’ muito tempo ja’ – vem perdendo cada vez mais o seu compasso etico, no que se refere aos direitos humanos fundamentais de um povo que eles oprimem. Como diz o Motta, um cenario desastroso de falencia moral, tanto para os judeus americanos como tambem para o imperio.

      A falencia moral prenuncia a perda da legitimidade, e o crepusculo dos deuses.

      Que prevaleca a Justica Cosmica !

  14. alexis

    31 de julho de 2014 10:55 am

    Pouco tempo?

    Muito pouco tempo transcorrido, pelo menos desde estes últimos conflitos, como para desencadear uma ação de Hollywood. Acredito que uma indústria tão grande e abrangente precise de muito tempo e perspectiva para tomar ação, assim como o Holocausto, por exemplo, que é uma bandeira já permanente.

    Mais do que o conflito, é a própria existência de Israel que deve ser discutida e, nesse assunto, Hollywood poderia explicar melhor, por que os seus estúdios estão na Califórnia (EUA) e não no deserto de Israel.

  15. janes salete

    31 de julho de 2014 2:22 pm

    Sendo que os israelense

    Sendo que os israelense mortos, a maioria é de soldados. Soldados matam ou morrem, é da guerra. Mas as vítimas palestinas são, na sua maioria, crianças e mulheres, enfim, civis que apenas querem viver com seus amores humanos na sua terra. A covardia dos ditadores assassinos israelenses, é de assombrar o mundo, cansado desses imperialistas que não criam vínculos com a vida alheia, apenas se utilizam barbaramente, covardemente delas. Ver a corrupta mídia defender o indefensável, nos dá a dimensão exata da sua dependecia econômica do, ainda, império USA-Israel. Chega a ser constrangedor. Como podem olhar para seus próprios filhos, sabendo que tem que estar ao lado da mentira e, pior, disseminando-a? Por isso, continuo a achar que as câmaras fazem o ser deixar sua dignidade gangrenar.

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