10 de junho de 2026

Por que pesquisas eleitorais podem apresentar resultados tão diferentes em 2022?

Uma da hipóteses para explicar a divergências nos números de institutos confiáveis é a falta de Censo atualizado sobre a população brasileira

A divergência entre as pesquisas Ipec e Quaest levantou dúvida entre eleitores na primeira semana de setembro de 2022. Os dois institutos, ao analisar o desempenho dos candidatos à presidência em São Paulo, divulgaram números discrepantes.

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Tanto Ipec quanto Quaest coletaram dados no mesmo intervalo, entre 3 e 6 de setembro, mas o Ipec deu a Lula (PT) vantagem de 16 pontos à frente de Jair Bolsonaro (PL) em São Paulo, enquanto na pesquisa Quaest, Lula e Bolsonaro estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro, com Bolsonaro numericamente à frente: 37% a 36% para o petista.

Por que pesquisas eleitorais feitas por institutos confiáveis podem apresentar resultados tão diferentes?

O jornalista e analista político Thomas Traumann, ex-porta-voz do governo Lula, levantou uma hipótese.

Além da metodologia de cada instituto ser diferente, “nesta campanha a maior diferença está na falta de um Censo”. Ele explica:

“Como o Ministério da Economia decidiu cancelar o censo do ano passado, as empresas de pesquisa usam dados estimados para compor a amostra do eleitorado. Um exemplo é o segmento evangélico, que em algumas sondagens são 27% do eleitorado e noutras 35%.”

“O caso mais estarrecedor é da quantidade de eleitores que vivem com menos de 2 salários mínimos. Sim, este é um país que não sabe ao certo quantos pobres existem”, apontou Traumann, que fez o levantamento do índice usado por cada instituto. Veja no quadro abaixo:

Enquanto a Quaest usa uma parcela de eleitores de baixa renda de 38%, o Ipec usou 55%. Essa fatia do eleitorado tende a votar mais em Lula do que em Bolsonaro, de acordo com a média das pesquisas.

Já na fatia de 2 a 5 salários minimos, Quaest usou uma amostra de 40%, enquanto o Ipec subestimou esse nicho, 25%.

“Cada empresa de pesquisa usa um critério para estimar os mais pobres e, como sabe-se que Lula tem uma vantagem neste grupo, a decisão termina influenciando o resultado final”, comentou Traumann.

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Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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