Produção brasileira de insumos farmacêuticos caiu de 55% para 5%

País viveu uma abertura às empresas estrangeiras na década de 1990 que culminou no processo de desindustrialização e dependência do mercado internacional

Jornal GGN – Na década de 1980, por uma questão de soberania nacional, o Brasil produzia mais da metade dos insumos farmacêuticos que consumia na fabricação de vacinas e outros medicamentos. Agora, esse índice caiu de 55% para 5%. 

Durante os anos 1990, o País viveu uma abertura às empresas estrangeiras que em vez de melhorar o mercado interno a partir da chegada da concorrência, acabou por desencadear um processo de desindustrialização, pois as companhias nacionais não conseguiram competir com o baixo preço dos produtos importados.

O resultado disso é a dependência de insumos de países como China e Índia, que não viveram esse processo de abertura e hoje são os maiores fabricantes dos itens necessários à produção das vacinas contra Covid-19.

Tanto a Fiocruz – que desenvolve a vacina de Oxford com a Astrazeneca – quanto o Butantan – que produzirá a vacina da chinesa Sinovac, a Coronavac – hoje dependem da chegada do IFA (ingrediente farmacêutico ativo) importado da China. O atraso no envio impacta diretamente na fabricação dos imunizantes em solo brasileiro e atrasa, por tabela, o calendário de vacinação nacional.

“Atualmente, a China e a Índia são responsáveis por 74% da importação de IFA necessário para a fabricação da CoronaVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan, e da Oxford/AstraZeneca, fabricada pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz)”, apontou a Folha. “O restante é importado, principalmente, de Alemanha, Itália, Estados Unidos e Suíça”, acrescentou.

A Fiocruz, que pediu o registro definitivo da vacina de Oxford à Anvisa, está sem previsão para a chegada do IFA da China. Enquanto isso, tenta trazer doses extras e prontas da Índia. Em vídeo que repercutiu nas redes sociais, a pesquisadora da Fiocruz, Margareth Dalcolmo, atribuiu o atraso à preguiça e inaptidão do governo federal em negociar diplomaticamente a importação dos insumos. A intenção da Fiocruz é produzir 210 milhões de doses da vacina de Oxford ainda em 2021.

Já o Butantan espera a chegada de IFA na próxima semana para produzir mais 8 milhões de doses da Coronavac. Serão 46 milhões de doses, no total, no primeiro semestre, e mais 54 milhões de doses no segundo semestre. Em setembro deve ficar pronta a fábrica do Butantan que irá produzir localmente o IFA, para acabar com a dependência da China.

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