12 de junho de 2026

Projetos que controlam a internet avançam na Câmara, por Ronaldo Lemos

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Jornal GGN – Em sua coluna na Folha de S. Paulo, o advogado Ronaldo Lemos chama a atenção para a tramitação de um projeto de lei que pretende criar um Cadastro Nacional de Acesso à Internet. De autoria do deputado pastor Franklin (PP-MG), o projeto fala que o cadastro terá a “relação de todos os usuários de internet no país”, além de uma lista com sites que “divulguem conteúdos inadequados para crianças e adolescentes”.

De acordo com o projeto, todos os serviços de internet terão de pedir o CPF do usuário, além de obrigar que todos os aparelhos que acessem a rede tenham um aplicativo pré-insatalado para controlar os usuários.

Para o advogado, tais propostas são típicas de países autoritários e é preocupante quando a Comissão de Ciência e Tecnologia e Informática (CCTI) da Câmara “abraça o obscurantismo e se torna liberticida”.

Leia a coluna completa abaixo:

Da Folha

Controle da rede avança no Congresso

Ronaldo Lemos

Quando o Congresso Nacional —em meio a tantas tarefas importantes— decide priorizar a análise de projetos de lei para censurar e controlar a internet, é porque algo vai realmente mal na agenda do país.

Tramita em alta velocidade na Câmara um projeto de lei do pastor Franklin (PP-MG) que quer criar um Cadastro Nacional de Acesso à Internet. Nele constará “a relação de todos os usuários da internet no país”. Esse “índex” vai além. Deverá conter a lista de “todos os sites que divulguem conteúdos inadequados para crianças e adolescentes”. Ganha um doce quem souber definir o que é “inadequado”.

O projeto obriga todos os serviços de internet no país, inclusive estrangeiros, a pedirem o CPF do usuário antes do acesso. O serviço deverá então checar com a Receita a veracidade do documento e a idade do usuário. Só aí o acesso será permitido.

Pelo projeto, será também obrigatório que todos os aparelhos capazes de acessar a internet vendidos no Brasil venham com um aplicativo pré-instalado para controlar os usuários. De acordo com o próprio texto: “todos os dispositivos que acessem a internet terão um aplicativo que permita o cadastramento dos usuários, exija a identificação antes de qualquer acesso e impeça a remoção destas funcionalidades”.

Essas são medidas típicas de países autoritários, como a Coreia do Norte ou a Arábia Saudita. No Ocidente, só um país ousou propor um projeto similar: o Paraguai. E por causa disso sofreu uma série de críticas nacionais e internacionais. Não é o modelo que o Brasil deveria copiar.

O projeto quase foi aprovado pela Comissão de Ciência e Tecnologia e Informática (CCTI) na semana passada, mas houve pedido de vista. O relator do projeto é o missionário José Olimpio (DEM-SP).

O missionário é por sua vez autor de outro projeto de lei que foi aprovado na semana passada pela CCTI. Trata-se de proposta para modificar para pior a chamada Lei Carolina Dieckmann. A proposta do missionário é que se torne crime no Brasil “acessar indevidamente sistema informatizado ou nele permanecer contra a vontade de quem de direito”.

Em outras palavras, o projeto quer mandar para a cadeia quem desrespeitar os “termos de uso” de qualquer site ou serviço, aquele documento extenso e cheio de letras miúdas, que praticamente ninguém lê. Mas não é só. Pela proposta, a conduta criminalizada é o mero “acesso”, sem que haja a necessidade de qualquer dano.

Isso faz cair por terra toda a atividade de empresas de segurança no Brasil, cuja missão é exatamente “acessar indevidamente” dispositivos de informática, justamente para procurar brechas de segurança. Em vez de fortalecer a rede brasileira, vai enfraquecê-la.

É preocupante quando a Comissão de Ciência e Tecnologia e Informática abraça o obscurantismo e se torna liberticida. No mínimo, deveria iniciar um processo de consultas públicas antes de legislar sobre temas tão complexos. E de preferência, chamar quem entende de ciência para opinar.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

20 Comentários
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  1. Felipe Lopes

    11 de outubro de 2016 1:41 pm

    Competência técnica zero para propor um projeto desses

    Sem querer ser preconceituoso, mas partindo de um pastor, não se esperava nada melhor.

  2. Omar da Silva

    11 de outubro de 2016 1:52 pm

    Essa é boa!

    A Folha abrir espaço para criticar o obscurantismo dos missionários, pastores, padres, milicos, defensores, procuradores, ministros, dos jornalistas… opa! Acordei.

    Não! Foi apenas para falar do obscurantismo de um missionário e de um pastor.

    A militância da Folha no obscurantismo segue intacta. 

  3. Edsonmarcon

    11 de outubro de 2016 1:54 pm

    O paraguay é logo ali….

    obrigar que todos os aparelhos que acessem a rede tenham um aplicativo pré-insatalado para controlar os usuários.

     

    Só vou comprar modens e roteadores no Paraguay, SEM esse software GOLPISTA para me vigiar.

    Políticos golpistas ajudam muito a economia do Paraguay.

    Ou baixar a atualização do software na matriz no exterior, SEM o software espião….

    Esses políticos são uma piada — de mau gosto, claro.

  4. Denille Melo

    11 de outubro de 2016 2:23 pm

    E vai piorar

    Absurdos e mais absurdos, um bando de incompetentes corruptos eleitos por uma população que se divide entre cegos e corrompidos fazendo o que querem do país. E sei que a coisa vai piorar e muito aqui no Brasil. O fanatismo religioso associado a preguiça em se informar, a hipocrisia e corrupção vão fazer esse país retroceder a 1.500.

     

  5. Jorge Luis

    11 de outubro de 2016 2:29 pm

    Obviamente, o nobre deputado

    Obviamente, o nobre deputado nunca ouviu falar em Deep Web, VPN e P2P…

  6. Alan Souza

    11 de outubro de 2016 2:40 pm

    Isso deve ser mentira

    Como todos nós sabemos, quem queria controlar a internet e cercear a imprensa eram os esquerdopatas bolivarianos do PT!

  7. Somebody

    11 de outubro de 2016 2:43 pm

    Alguém avisou para o pastor

    Alguém avisou para o pastor Franklin o quanto é patética, absurda e impossível de ser aplicada essa proposta? E notem que é mais um passo no caminho para uma ditadura, eliminar o acesso da população à informação “não aprovada” e calar a voz dos que tentam burlar o bloqueio da sua mídia contra vozes dissonantes.

  8. Laure

    11 de outubro de 2016 3:22 pm

    Aí se vê a semelhança dos

    Aí se vê a semelhança dos evangélicos com o pessoal do Estado Islâmico. Eles querem controlar as pessoas, o que lêem, o que vêem, o que falam, o que cada um faz na intimidade. Esse “espírito” de querer impor suas regras aos demais é típico de “donos da verdade”. Não é coincidência que o autor do projeto chama-se “pastor” e o relator é o “missionário”. Valei-me Zeus !!!

  9. Waldomiro Pereira da Silva

    11 de outubro de 2016 3:22 pm

    Russia e China estarão

    Russia e China estarão lançando aplicativos muito interessantes.

     

    A censura hoje em dia dura pouco.

  10. Marcos Antônio

    11 de outubro de 2016 3:28 pm

    Na idade da pedra

    Nem na coréia do Norte tem uma lei tão avançada quanto esta…

  11. Carioca

    11 de outubro de 2016 3:49 pm

    Duas mariólas:
    outro pastor

    Duas mariólas:

    outro pastor proporá que antes da instalação do tal “aplicativo que permita o cadastramento dos usuários, exija a identificação antes de qualquer acesso e impeça a remoção destas funcionalidades” somente após ungido pela igreja dele ….

    Mas, no fundo colocaremos o país em evidência ante o mundo: Nosso eterno subdesenvolvimento.

     

  12. Fábio de Oliveira Ribeiro

    11 de outubro de 2016 4:12 pm

    A tolerância para com os

    A tolerância para com os evangélicos só produziu uma coisa: bestas feras intolerantes que pretendem controlar tudo e todos em qualquer lugar. Em algum momento os católicos se sentirão tentados a usar violência para se livrar destes pastores de merda. E eu certamente não irei impedi-los de dar a descarga. Fodam-se os evangélicos, pois eles também querem nos foder. 

  13. Leonardo koppes

    11 de outubro de 2016 4:54 pm

    Benvindo à idade média

    Esse obscurantismo é evidente e tem respaldo na sociedade, lamentavelmente. Os atletas brasileiros que bateram continência no pódio, durante as Olimpíadas, fizeram o favor de passar para o mundo uma imagem de país assemelhado com algo como a Coréia do Norte. O Brasil parecia um estado totalitário que nem George Orwell imaginou.  Aliás, nenhum atleta da Coréia do Norte, que eu saiba, bateu continência no pódio. Esse detalhe passa despercebido e nem causa espécie por aqui. Exatamente por que estamos num caminho de retrocesso.

  14. alfeu

    11 de outubro de 2016 5:35 pm

    *

    Relatório: Brasil vigia cidadãos sem qualquer escrutínio público

     

    http://apublica.org/2016/10/relatorio-brasil-vigia-cidadaos-sem-qualquer-escrutinio-publico/

     

     

  15. rmoraes

    11 de outubro de 2016 5:35 pm

    Chamar o Hugo

    Eu queria tanto escrever um comentário inteligente e criativo, de preferencia que resultasse em uma boa contribuição ao debate.

    Infelizmente tive que sair pra vomitar…..

    1. ze sergio

      11 de outubro de 2016 7:22 pm

      chamar…

      Este projeto é uma censura velada, no país que tem a censura arraigada à sua cultura. Mas sobre a internet, o país já deveria se cercar de seus interesses. Até porque com transmissão, produtos, tecnologia e informações sendo produzidas fora do nosso país, ficará cada dia  mais dificil nossas leis alcançarem objetivos e empresas estrangeiras ligadas a esta rede. 

  16. junior50

    11 de outubro de 2016 9:16 pm

    Parei

         A ignorancia tem nome : Evangelismo Pentecostal brasileiro

  17. MarFig

    11 de outubro de 2016 10:24 pm

    Putz, na minha família

    Putz, na minha família todo mundo é evangélico, irmãs, sobrinhos, cunhados. Que mal fiz eu. 

  18. Ze Guimarães

    11 de outubro de 2016 10:33 pm

    Ditadura pra valer

    A julgar pelo movimento das peças do tabuleiro, tem um Enxadrezista Mestre comandando o Governo e vai dar um Xeque mate espetacular na democracia.

    Teremos uma internet estilo Arábia Saudita, onde tudo que entra e sai na internet do país é vigiado e tudo o que circula dentro da internet do país também é.

    ————

    Mas não desanimem tem alternativas, e aqui dou minhas sugestões:

    1 Postar Poemas de Camões ou Receitas de bolo para criticar o Governo.

    ———-

    2 Na China antiga onde existiam as mais terríveis ditaduras, os chineses quando queriam falar algum assunto proibido principalmente do Governo, disfarçavam a conversa sobre uma conversa trivial. Por exemplo:

    Uma grande nuvem no horizonte. Parece que vai chover forte . Temos de nos abrigar.

    ( Tradução: Aproxima-se uma ditadura. Deve ser muito severa. Precisamos tomar cuidado. ) Assim eles falavam de assuntos importantíssimos sem falr nada comprometedor.

    ———-

    3 Estenografia

    Esconde arquivos ( doc por exemplo) em fotos, em músicas ou filmes. Bom para enviar mensagens para seus amigos sem ninguém saber, dentro de uma inocente foto.

     

    ———————-

    4 Tem um Linux feito para cidadãos que vivem em países ditatoriais. Chama-se “Linux Liberté”

    O Linux Liberté roda a partir de um pen drive com persistência, ou seja, não precisa instalar no HD do PC só no pen drive, e tudo o que você baixar da internet, aplicativos, etc, persistirá no pen drive após desligar o PC.

    Tem navegador anônimo “Tor” , rede de comunicação privada  VNP, Não usa o google, mas sim o wiki leaks, e muito mais.

    E se alguma autoridade confiscar o seu pen drive, não verá nada gravado nele pois os arquivos são invisíveis.

    Acessa a internet de qualquer computador.

    Muito bom.

     

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