Provas usadas por cliente de Moro contra a Vale são fruto de “armação clandestina”

Parecer de Moro "favorece" empresário israelense que tenta evitar o pagamento de 2 bilhões de dólares em indenização à Vale

Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – O Estadão divulgou nesta terça (8) o teor do parecer que Sergio Moro produziu em favor do empresário israelense Benjamin Steinmetz. O dono da empresa BSGR, ex-sócia da mineradora Vale numa joint venture na Guiné, se nega a indenizar a gigante brasileira por um negócio bilionário interrompido depois que Beny – como também é conhecido o “magnata dos diamantes” – perdeu a licença de exploração na região de Simandou, sob a acusação de ter pago propina ao ex-presidente para obtê-la.

O GGN apurou que o parecer encomendado a Moro é focado apenas no aspecto penal decorrente do litígio contra a Vale, que tramitava numa corte em Londres. Ano passado, Beny foi condenado a indenizar a Vale em 2 bilhões de dólares. A mineradora brasileira afirma que não sabia que a licença de exploração fora obtida de forma ilícita. O israelense, inclusive, é investigado na Suíça e nos Estados Unidos por conta do suborno. O parecer encomendado a Moro faz parte da tentativa de reverter a indenização à Vale.

Segundo o Estadão, Moro elaborou uma tese sustentando a necessidade de investigação para confirmar as informações levadas por seu cliente ao processo, dando conta de que a Vale possivelmente sabia de rumores de corrupção na Guiné e ignorou mesmo assim. Pelo que consta da reportagem, na visão de Moro, se a Vale omitiu esse risco do “mercado”, ela está sujeita à anulação da sentença dada pela corte em Londres e a responder a processos nacionais e internacionais.

Na Lava Jato, a Petrobras também foi acusada de apresentar informações inverídicas ao mercado. Empresa com ações na Bolsa de Nova York, assim como a Vale, a estatal de petróleo acabou enfrentando uma class-action e aceitou acordo para indenizar seus acionistas em quase 3 bilhões de dólares. Também respondeu a uma ação na Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos.

“Considerando a magnitude do negócio envolvendo a mina de Simandou, de cerca de 2,5 bilhões de dólares, e também qualificada como o maior depósito inexplorado de minério de ferro do mundo, e que as afirmações falsas e ocultações fraudulentas expuseram e expõe a Vale S/A a riscos de processos internos e estrangeiros, inclusive a anulação da arbitragem, as fraudes verificadas são aptas a caracterizar, em tese, o tipo penal do art. 177” do Código Penal, defendeu Moro em seu parecer.

ESPIONAGEM

Para produzir evidências de que a Vale supostamente conhecia os rumores de corrupção na Guiné, Beny contratou uma empresa de espionagem israelense, a Black Cube, que atraiu ex-executivos da Vale simulando uma oportunidade de emprego.

A partir disso, segundo notícias da imprensa internacional, um ex-funcionário da Vale teria sido gravado dizendo que o negócio na Guiné foi feito “de nariz fechado porque estou sentindo algo errado”, embora ele não tivesse provas materiais de nenhum tipo de corrupção.

Procurada, a Vale reafirmou ao jornal o caráter irregular das provas forjadas para anular a sentença da corte em Londres. Segundo a empresa, o parecer se baseia em “alegações e declarações trazidas pela Black Cube. Todas as declarações já foram objeto de desmentido público pelo próprio declarante, que foi vítima de uma armação clandestina. Portanto, são opiniões que se assentam sobre fatos e premissas improcedentes”, afirmou a empresa brasileira.

O GGN levantou a história do primeiro cliente de Moro a partir de publicações internacionais. Leia mais abaixo:

Moro trabalha para bilionário israelense investigado por corrupção na Suíça e EUA

Vídeo recomendado para entender a class-action contra a Petrobras:

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