5 de junho de 2026

Puxada pela redução dos combustíveis, julho registra deflação de 0,68%

Transportes tiveram queda de mais de 4% no mês, puxando o índice para baixo
 MARCELLO CASAL JR / AGÊNCIA BRASIL

O mês de julho registrou deflação de 0,68%. O IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo) foi divulgado pelo IBGE nesta terça-feira (9). Foi o menor valor para o mês desde o início da série histórica, em 1980. Em relação a junho deste ano, a taxa caiu em 0,81 ponto percentual.

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Porém, o acumulado nos últimos 12 meses ainda aponta inflação de pouco mais de 10%.

LEIA COLUNA ECONÔMICA DO NASSIF: A indústria brasileira na década perdida, por Luis Nassif

Baixa dos combustíveis

A queda de julho se deu principalmente no setor dos transportes, que registrou recuo de 4,5%. Para efeito de comparação, o segundo ramo que mais caiu foi o de habitação, que teve custo reduzido em pouco mais de 1%.

A baixa dos combustíveis vem acompanhada das sucessivas tentativas do presidente Bolsonaro em reduzir o preço nas bombas de gasolina. Com a fixação do teto do ICMS em 17% para o produto, e após a intervenção do atual mandatário na Petrobras, os valores despencaram em todo o Brasil.

A Petrobras no dia 20 de julho anunciou uma redução de 20 centavos no preço médio do combustível vendido para as distribuidoras. Além disso, nós tivemos também a Lei Complementar 194/22, sancionada no final de junho, que reduziu o ICMS sobre combustíveis, energia elétrica e comunicações. Essa redução afetou não só o grupo de transportes (-4,51%), mas também o de habitação (-1,05%), por conta da energia elétrica (-5,78%). Foram esses dois grupos, os únicos com variação negativa do índice, que puxaram o resultado para baixo

explicou o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov

Compensação aos estados

O ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) é o fator que mais incide sobre o preço dos combustíveis. É um tributo estadual, ficando a cargo dos governos locais decidirem sobre percentual da taxa. Porém, a Lei 194, mencionada por Kislanov, foi uma forma do Planalto interferir na situação.

O Executivo se comprometeu a compensar a queda de arrecadação dos estados, mas não detalhou de onde viriam os recursos para isso.

Na semana passada (dia 1º), Alexandre de Moraes, ministro do STF, determinou em liminar que a União deixará de receber pagamentos de dívidas estaduais. Os débitos podem chegar a R$ 8,1 bilhões, segundo o Tesouro Nacional.

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Bolsonaro mentiu

Em entrevista ao Flow Podcast na noite de ontem (8), Jair Bolsonaro anunciou que a deflação de julho chegaria a “mais de 1%”. Portanto, o presidente errou em, no mínimo, 0,32 ponto percentual.

Vamos ter deflação esse mês, né? Ninguém tem dúvida disso. Estão aguardando os dados oficiais chegarem: mais de 1%

mentiu Bolsonaro

Assista ao trecho da fala:

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Casa Civil, além da Secretaria de Comunicação do Governo Federal, e aguarda um posicionamento da Presidência sobre o ocorrido. Caso ele venha, será inserido nesta matéria.

Johnny Negreiros

Estudante de Jornalismo na ESPM. Estagiário desde abril de 2022.

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  1. José de Almeida Bispo

    9 de agosto de 2022 3:49 pm

    Eleitoralmente, só engana aos que querem motivos para se enganar; os que já estão certos de que sempre estiveram certos. Ao pai de um meu vizinho de enfermaria hospitalar, no fim de semana, não. Segundo ele, antes do segundo turno o Governo Federal tira a sua parte no “presente”; e logo a seguir o ICMS volta ao que era antes, sem contar a fome dos “Investidores”. Vox populi, vox Dei.

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