A chacina do Rio de Janeiro se tornou um evento de grande impacto, com significativos desdobramentos para a narrativa política brasileira visando as eleições de 2026. A pauta foi retratada no programa Desinformação & Política desta terça (4/11), com apresentação da jornalista e doutora em Linguística, Eliara Santana, no canal TV GGN [assista abaixo].
O impacto da chacina e seus desdobramentos sobre a política em 2026 pode ser dividido em duas análises: uma sobre a movimentação dos políticos envolvidos na discussão sobre segurança pública; outra, sobre como a grande mídia deve retratar o tema com vistas às próximas eleições.
A extrema-direita reage
Na avaliação de Eliara Santana, a influência da chacina na política de 2026 reside na criação de um “tema mobilizador” para a extrema direita e na tentativa de desestabilizar o governo Lula.
A questão da segurança pública é vista por muitos especialistas como um “nó” para a esquerda. A extrema direita utilizou a Chacina da Penha para preencher um vácuo narrativo que se formou após o sucesso do encontro entre Lula e Donald Trump, no qual a extrema direita havia perdido o tom e a chance de fazer frente ao governo.
Na esteira da chacina, os governadores da extrema direita se uniram para apoiar o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, com o objetivo claro de criar um tema, um fato e uma narrativa capazes de mobilizar as pessoas para 2026, apontou a analista.
Eliara caracterizou a narrativa adotada como “bélica” e “vingativa”. Ela dissemina e carrega a ideia de “limpeza”, que é descrita como potente e presente na sociedade brasileira, e que ecoa amplamente. As pessoas são mobilizadas pelo medo, que é um grande combustível da desinformação.
O discurso de “eliminar bandidos” e agir como “os vingadores” encontra eco e sucesso na sociedade, especialmente entre certas camadas da população. A classe média e média alta, que vive com medo, tende a aplaudir ações de extermínio como essa chacina.
Eliara destaca o esforço para enquadrar facções criminosas como “terroristas”. Este termo, embora pouco compreendido pela população em geral, é uma palavra que assusta e será trabalhado na narrativa política. Castro tentou convencer o ministro Alexandre de Moraes e autoridades dos Estados Unidos a adotarem essa classificação.
Além disso, a extrema direita continuará a tentar fazer a ligação e vinculação do PT ao tráfico. Essa não é uma tática nova, tendo sido uma das principais narrativas já nas eleições de 2022, e será retomada como um mote importante.
Para Eliara, o principal objetivo da extrema direita é atrair o Presidente Lula para o centro da discussão e para um “bate-boca” com o governador Cláudio Castro. Um confronto direto do presidente é algo muito sério que pode balançar a candidatura e as eleições de 2026. Até o momento, o governo federal não caiu na “provocação barata” e agiu inteligentemente.
O Ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, foi enviado prontamente ao local, organizou uma força-tarefa e deu assistência às pessoas, respondendo às provocações de modo “fino e elegante”. É crucial que o governo e as autoridades ajam com inteligência contra a truculência da extrema direita.
O governo também está desenvolvendo ações importantes na segurança pública, como a operação bem-sucedida contra o PCC em setembro, que ocorreu sem um único tiro. A comunicação do governo também tem trabalhado na divulgação da PEC da Segurança, apresentada contra a criminalidade, que a maioria apoia, sinalizando uma tendência importante.
Lula tem falado à imprensa estrangeira, chamando o evento de “matança” e exigindo que o governador explique a situação, mas evitando o confronto direto e mantendo o foco na COP e nas ações do governo.
As tendências da mídia para 2026
Embora a pauta da chacina da Penha seja importante, ela pode perder força antes de 2026.
O jornalismo, especialmente o da Globo, demonstrou uma tendência a sair rapidamente do assunto da chacina, buscando outras pautas mais agradáveis e menos incômodas, como a cobertura da COP 30 e a chegada do Príncipe William ao Brasil. A presença de William foi vista como oportuna para “tirar o foco desse espetáculo grotesco”.
O medo mobiliza, mas a “ilusão de que alguém vem para salvar” não se sustenta, pois a matança não resulta em ações efetivas ou mudanças reais nas favelas.
O tema pode ser abalado por desdobramentos como a ameaça do deputado TH Joias de delatar Cláudio Castro, afirmando que a operação foi “queima de arquivo”. Investigações envolvendo milícias também têm um componente explosivo.
A economia “vai muito bem”, dificultando a consolidação de uma narrativa negativa mobilizadora. Eventos como a COP e, logo depois, o Natal e as festas de fim de ano, devem fazer com que o tema bárbaro “perca muito aí do Ibope”.
Pesquisas realizadas no calor do momento servem para medir a temperatura e tentar produzir narrativas visando mudar cenários para 2026. Notavelmente, embora a aprovação de Castro tenha subido no Rio, a aprovação de Lula permaneceu inalterada. Tarcísio, um potencial candidato da extrema direita, foi notado por não ser “truculento o suficiente” neste contexto.
O programa Desinformação & Política é apresentado por Eliara Santana, doutora em Linguística e Língua Portuguesa, jornalista e pesquisadora do Observatório das Eleições. O programa é transmitido toda terça-feira, às 19 horas, no canal TV GGN, no Youtube. Inscreva-se aqui.
Assista ao programa completo abaixo:
Nota da Redação: O Jornal GGN utiliza ferramentas de Inteligência Artificial para transcrever o conteúdo de vídeos e transmissões ao vivo do canal TV GGN, no Youtube. Os textos são feitos com base na programação, que contém entrevistas realizadas pelo jornalista Luís Nassif e a equipe do GGN, além de análises e debates promovidos por outros coapresentadores e comentaristas do canal. As ferramentas não adicionam material externo ao conteúdo escrito. Todo material produzido com auxílio de I.A. é revisado e editado por um jornalista do GGN antes da publicação.
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Rui Ribeiro
6 de novembro de 2025 8:25 am“PM é esfaqueado ao tentar impedir assalto e mata suspeito em frente à Estação Oscar Freire, Zona Oeste de SP”.
O Nikolas Ferreira “não deu uma palavra a respeito do esfaqueamento do policial. Ele não falou da família, desse homem que saiu de casa sem saber se ia voltar para poder defender a vida de gente que ele nem conhece (mas que paga o salário dele). É inacreditável. Passa um recado de que o policial não vale nada e o assaltante vale alguma coisa”.
O Nikolas é um rato hipócrita que não pratica o que exige que os outros pratiquem. Dá um terbufós mixto com cloroquina prá esse gabirú