Quatro anos depois do golpe, discurso de Dilma é retrato infeliz do Brasil atual

"O golpe não foi cometido apenas contra mim e contra o meu partido. Isto foi apenas o começo", disse Dilma em 31 de agosto de 2016. Relembre o discurso

Foto: Ricardo Stuckert Filho

Jornal GGN – Em 31 de agosto de 2016, Dilma Rousseff fez um pronunciamento histórico à Nação. O Senado havia acabado de aprovar seu impeachment. Reeleita com 54 milhões de votos, a primeira mulher eleita para a Presidência da República viu o segundo mandato ser encurtado sob a desculpa de um “crime de responsabilidade fiscal” que, até hoje, quatro anos depois do golpe, não é convincente para parcelas da sociedade.

Naquele discurso, Dilma antecipou com precisão cirúrgica o que aconteceria com o País nos meses seguintes, sob a batuta de Michel Temer, sustentado pelo arco de alianças que arquitetou o impeachment.

Curioso é como, lido neste 31 de agosto de 2020, o texto também parece falar do Brasil pós ascensão de Jair Bolsonaro – não sem a ajuda da Operação Lava Jato.

Confira alguns trechos:

“Causa espanto que a maior ação contra a corrupção da nossa história, propiciada por ações desenvolvidas e leis criadas a partir de 2003 e aprofundadas em meu governo, leve justamente ao poder um grupo de corruptos investigados.”

“O projeto nacional progressista, inclusivo e democrático que represento está sendo interrompido por uma poderosa força conservadora e reacionária, com o apoio de uma imprensa facciosa e venal. Vão capturar as instituições do Estado para colocá-las a serviço do mais radical liberalismo econômico e do retrocesso social.”

“Mas o golpe não foi cometido apenas contra mim e contra o meu partido. Isto foi apenas o começo. O golpe vai atingir indistintamente qualquer organização política progressista e democrática.”

“O golpe é contra os movimentos sociais e sindicais e contra os que lutam por direitos em todas as suas acepções: direito ao trabalho e à proteção de leis trabalhistas; direito a uma aposentadoria justa; direito à moradia e à terra; direito à educação, à saúde e à cultura; direito aos jovens de protagonizarem sua história; direitos dos negros, dos indígenas, da população LGBT, das mulheres; direito de se manifestar sem ser reprimido.”

“O golpe é contra o povo e contra a Nação. O golpe é misógino. O golpe é homofóbico. O golpe é racista. É a imposição da cultura da intolerância, do preconceito, da violência.”

“Espero que saibamos nos unir em defesa de causas comuns a todos os progressistas, independentemente de filiação partidária ou posição política. Proponho que lutemos, todos juntos, contra o retrocesso, contra a agenda conservadora, contra a extinção de direitos, pela soberania nacional e pelo restabelecimento pleno da democracia.”

 

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