Em publicação assinada por Luis Nassif em fevereiro de 2021, o GGN expôs que a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, então comandada pelo ex-procurador Deltan Dallagnol, tramou intervir na política da Venezuela vazando trechos da delação premiada da Odebrecht.
Em troca de mensagens no Telegram, que foram apreendidas pela Polícia Federal na Operação Spoofing, Dallagnol conversa com os colegas procuradores sobre uma solução para vazar as informações contra o governo Maduro sem prejudicar a ação da Lava Jato em solo brasileiro.
O acordo de delação que citava “propinas na Venezuela” tinha “limitações” à sua divulgação, mas Deltan Dallagnol cogitou tornar público ou apresentar denúncia no Brasil contra os “responsáveis de lá”, por lavagem de dinheiro. Isso abriria um caminho para o vazamento e atrairia a atenção da mídia para o caso.
Na publicação, Nassif destacou o “caráter ideológico da Lava Jato”, que ficou nítido no diálogo mantido por Deltan Dallagnol, visando vazar informações sobre as operações da Odebrecht na Venezuela, com o claro intuito de influir nas eleições locais.
“Haverá críticas e um preço, mas vale pagar para expor e contribuir com os venezuelanos (…) Não dá para tornar público simplesmente porque violaria o acordo, mas dá para enviar informações espontânea e isso torna provável que em algum lugar no caminho alguém possa tornar pública”.
Agora, diante da situação da eleição de 2024 na Venezuela, onde a vitória de Nicolás Maduro é contestada pela oposição, o ex-juiz da Lava Jato, Sergio Moro, usou a crise em torno do resultado eleitoral para atacar Lula e seu partido.
O senador reagiu nesta terça (30) à nota publicada pela executiva nacional do PT, elogiando o processo eleitoral na Venezuela e frisando que se trata de um processo soberano e pacífico. A nota, segundo alguns analistas de política da grande mídia, teria irritado o presidente Lula, que ainda aguarda a divulgação das atas oficiais das urnas e o esclarecimento das acusações de fraude, para se manifestar.

No Brasil, o próprio Moro chegou a publicar delação premiada da Lava Jato na tentativa de intervir no processo eleitoral interno.
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