Roberto Campos Neto, o fundamentalismo supersticioso no Banco Central, por Luis Nassif

Repito: não há a menor possibilidade da economia sair da recessão, com pessoas do nível de Campos Neto e Paulo Guedes à frente.

A entrevista do presidente do Banco Central Roberto Campos Neto aos repórteres Alex Ribeiro, Sérgio Lamucci e Cristiano Romero, é a comprovação final do travamento que a cegueira ideológica impôs ao debate econômico.

Roberto Campos, avô, era um liberal empedernido, mas, enquanto Ministro, se movia com sentido prático na solução de problemas. Sabia chutar a gol.

Em economia, o multiplicador fiscal mede os impactos da alteração dos gastos governamentais sobre a renda nacional. Ou seja, para cada 1 real de aumento nos gastos, de quanto será o aumento na renda, devido aos efeitos sobre o consumo.

Trata-se de um indicador relevante para balizar políticas econômicas.

Vamos ver como Roberto Campos, o Neto, trata o tema.

A fábula do avião

Eu sempre uso o exemplo do avião. Imagine que uma turbina é o mundo privado e a outra é o mundo público. Eu vou desligar a turbina do mundo público, mas, com credibilidade, vou ligar a turbina privada e vai ter uma transferência de energia de uma para a outra, ou de potência, e o avião vai continuar na mesma velocidade. A transferência de uma para a outra se dá na confiança, na credibilidade. A gente olha os índices de confiança, que até caíram recentemente, mas eles estavam relativamente altos. Isso dava a certeza de que, bom, o público vai desligar, mas com o novo governo, com credibilidade, com uma agenda positiva, essa energia, essa potência, vai se transferir. Isso não ocorreu na forma esperada.

Mas o sonho esbarra na vil realidade. E o pobre Roberto Campos Neto bate a cara na montanha:

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E há um tema que a gente tinha olhado no passado e acho que cresceu em importância. É difícil de quantificar, e a gente está olhando muito aqui.

Valor: Qual?

Campos: É a complementaridade entre o setor público e o setor privado. A gente está tentando fazer um trabalho para quantificar isso. Quando você conversa com os diversos setores, entende que muitos setores ao longo desses últimos anos passaram a fazer negócios com o governo de um modo ou de outro. A complementaridade entre o público e o privado subiu muito.

Ele está, obviamente, se referindo ao multiplicador fiscal. E comprovando que deve ser maior que um, a julgar por suas observações. Mas, ao perguntar, os repórteres usaram a palavra maldita: fiscal. E Campos Neto corre para explicar que o gato que eles estão vendo, tem rabo de gato, pelo de gato, mia, mas não é gato.

Campos: Eu não chamaria de multiplicador [fiscal], eu diria a dependência do mundo privado no mundo público maior do que a gente imaginava. Eu não gostaria de falar de multiplicar fiscal porque fiscal tem outras implicações. Mas eu diria que essa complementaridade, olhando hoje, é bastante alta.

E qual o tamanho dessa dependência, que na ciência econômica é chamada de multiplicador fiscal?

É, a gente está tentando quantificar e ver mais ou menos qual é o impacto. O diretor Carlos [Viana, de Política Econômica] está trabalhando nisso, mas o importante para a gente é mostrar que há esse efeito e que esse efeito se mostra mais importante do que a gente achava no passado (…) . Se tem alguma indústria, alguma área produtiva, que estava fazendo negócios ou com Estados ou com municípios, também teve um impacto é muito grande. Teve essa trombada fiscal, essa parada no motor público muito rápido, acho que isso também explica parte…

Alvíssaras! Finalmente a autocrítica de um homem público racional, que se baseia em dados da realidade para admitir a importância de uma política fiscal pró-ativa?

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Mas não pode mexer no fiscal. Então se mexe nos juros, não? Também não.

Eu vou chegar nos juros, mas o papel dos juros hoje – na verdade, não é dos juros, é da credibilidade. O que a gente precisa ter é credibilidade. Saindo um pouco do tema do crescimento, indo para o tema do papel do BC, o principal papel do BC é ter credibilidade, manter os preços constantes, manter a inflação sob controle, com credibilidade, e ancorar a inflação num período mais longo.

Se baixar a taxa Selic, mesmo com as expectativas de inflação absolutamente sob controle, vai que as expectativas mudem. Então se mantém as taxas de juros, se mantém a política fiscal, se mantém a economia em recessão e o desemprego em níveis recordes. Porque, assim, haverá a retomada da confiança do empresariado e a segunda turbina do avião começará a funcionar, mas cavando buraco na terra, porque até lá o avião terá caído por insuficiência de combustível.

No céu ou no inferno, Roberto Campos, o Avô, deu uma cambalhota.

Repito: não há a menor possibilidade da economia sair da recessão, com pessoas do nível de Campos Neto e Paulo Guedes à frente.

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9 comentários

  1. Temos um governo mal intencionado, cujo único propósito é destruir o país…..

    Só prosperam por causa da irresponsabilidade da mídia assassina quadrilheira e corrupta avalizar as excrecencias que formam o governo….

    O povo está só, e se não tomar as rédeas de seu destino torna-se escravo……

  2. O escritório que defendia a suposta vítima desistiu de defendê-la pois a mesma primeiramente alegou agressão, dizendo que a relação foi consensual, e posteriormente mudou a versão para estupro.

    • O suposto defensor resolveu fazer estorsão a revelia da cliente. Não se importando com verdadeiros danos morais a sua cliente.

  3. lembrei da canção cantada por beth carvalho
    – você pagou com traição, a quem esmpre lhe deu a mão”,…
    a história daquele cara que traía a mulher reiteradamente
    e pedia que ela mantivesse a confiANÇA NELE….
    esse tipo de cara que não se flagra e não se enxerga….
    vive falando em morte e pede que confiem na vida….
    que pede o fim da perevidencia e fala que quer fazer uma reforminha,
    isto é, o cara é o grande fdp e pede confiança da turma.

  4. o dia em que alguém descrever como se deram
    os golpes e o entreguismo do país por quase nada,
    deveria pegar esses dados e mais as aberraçõs
    cotidianas da grande midia golpista…
    nas mais lidas do uol, por exemplo, ao invés desses absurdos e
    conomicos praticados por esse imbecis fuindamentlistas
    em defesa de seus interesse mesquinhos e vis há na
    maioria das vezes fofocas de artistas incompetentes
    e geralmente direitistas do mainstream falando
    em bundas etc e tal, sexo, traiçoes, as últimas bobagens de suas vidinhas infantilizadas, escandalos neymarizados e infames….
    daí à burrice bolsignara é um pulo

  5. Se continuar sendo forçado a usar o cérebro no seu trabalho, talvez o presidente do BC acabe descobrindo que renda de salário, previdência, bolsa família, bicos de novos negócios, etc. tem muito mais efeito na fadinha das expectativas do que as reuniões burocráticas do BC sentado num banquinho que só tem um pé.

  6. Não existe UM argumento capaz de me fazer mudar a ideia que tenho do avô: um b****. Uma das piores porcarias produzidas pelo solo pátrio. Inexiste palavra pejorativa conhecida para conceituá-lo.
    O neto não podia ser diferente. Só faz jus ao nome. É como tinha que ser…
    O sangue é maldito. 1000 vezes maldito. 1.000.000 de vezes maldito.

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