Rombo das contas externas tem maior resultado em quatro anos

Déficit em transações correntes chegou a US$ 50,762 bilhões em 2019, 22,2% acima do visto em 2018; percentual chega a 2,76% do PIB

Jornal GGN – O déficit em transações correntes encerrou o ano de 2019 em US$ 50,762 bilhões, o que representa um aumento de 22,2% em relação ao visto em 2018 e o pior resultado apresentado pelo indicador em quatro anos, segundo dados divulgados pelo Banco Central.

O indicador passou a representar o equivalente a 2,76% do PIB (Produto Interno Bruto), acima dos 2,20% vistos em dezembro do ano anterior. Em dezembro, o déficit em transações correntes totalizou US$5,7 bilhões, ante um déficit de US$6,1 bilhões no mesmo mês de 2018. A variação no déficit decorreu de redução de US$ 2 bilhões em despesas líquidas de renda primária, que foram parcialmente compensadas pela retração de US$ 1,2 bilhão no saldo da balança comercial.

O resultado anual só não foi pior por conta do volume de investimentos diretos no país, que chegou a US$ 78,6 bilhões, correspondente a 4,27% do PIB, e próximo aos US$ 78,2 bilhões registrados no ano de 2018, equivalente a 4,15% do PIB. Em dezembro, os ingressos líquidos em investimentos diretos no país somaram US$9,4 bilhões, composto por ingressos líquidos de US$1,6 bilhão em participação no capital e de US$7,8  bilhões em operações intercompanhia.

As exportações de bens totalizaram US$18,2 bilhões em dezembro de 2019, recuo de 6% em relação ao mesmo período de 2018. Na mesma base de comparação, as importações de bens aumentaram 0,3%, para US$13,4 bilhões. No mês, não houve operações relativas ao Repetro (regime fiscal aduaneiro que suspende a cobrança de tributos federais na importação de equipamentos para o setor de petróleo e gás, principalmente as plataformas de exploração.).

Na comparação com o ano anterior, o superávit comercial caiu de US$ 53 bilhões para US$39,4 bilhões em 2019, repercutindo retrações de 6,3% nas exportações e de 0,8% nas importações. No ano, as importações líquidas no âmbito do Repetro foram estimadas em US$1,6 bilhão.

O déficit na conta de serviços atingiu US$3,5 bilhões no mês, 2,7% superior ao resultado de dezembro de 2018, quando o total foi de US$3,4 bilhões. Em 2019, o déficit em serviços situou-se em US$ 35,1 bilhões, 1,7% inferior ao déficit de US$ 35,7 bilhões registrado em 2018, com redução nas despesas líquidas de aluguel de equipamentos (US$1,3 bilhão; 8,2%) e de viagens (US$ 664 milhões; 5,4%).

Em dezembro de 2019, o déficit em renda primária reduziu 23,2% na comparação com dezembro de 2018, somando US$6,7 bilhões. Os gastos líquidos com juros somaram US$3,2 bilhões no mês, aumento de 20,3% na comparação interanual, com redução de receitas e expansão de despesas.

As despesas líquidas de lucros e dividendos somaram US$3,5 bilhões, retração de 42,4% ante dezembro de 2018, com aumento de receita e recuo de despesas. No ano, o déficit em renda primária recuou 4,8%, para US$ 56 bilhões, resultado do aumento de 11,2% das despesas líquidas de juros, para US$ 25,1 bilhões, em oposição à redução de 14,8% do déficit em lucros e dividendos, para US$ 31,1 bilhões.

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