Rubens Novaes, do BB, um cidadão sem rabo preso, a não ser com o BTG

Sua saída deve-se a um episódio óbvio: a venda da carteira de R$ 1 bilhão de créditos de difícil recebimento do BB ao BTG-Pactual, com deságio de 90%. Entregou de graça, direto, sem sequer simular um leilão.

Um dos erros jornalísticos que cometi na vida foi ter assumido a defesa de Rubens Novaes, quando foi denunciado em matéria de capa da Veja por negócios feitos com o então Banco Pactual – que tinha como um dos sócios Paulo Guedes – na época dos escândalos Marka, Fonte Cindam. Não pela reportagem em si, um amontoado de teorias amalucadas – como o fato de Salvatore Cacciolla montar seus negócios em cima do grampo que fazia nos irmãos Bragança, supostos intermediários dos supostos insiders de Chico Lopes, então presidente do Banco Central. Mas pela carta lacrimejante de Novaes a vários jornalistas, apresentando-se como o sujeito humilde, probo, alcançado por uma notícia falsa e sem direito de defesa.

A reportagem o apresentava como um operador que trabalhava para André Esteves. Não o conhecia mas assumi sua defesa, principalmente tendo em vista as fantasias desenvolvidas pela revista. Não foi propriamente uma defesa dele, mas uma condenação das teorias amalucadas da revista.

Suas explicações para sua saída da presidência do Banco do Brasil tem o mesmo perfil da carta lacrimejante que distribuiu à mídia.

Segundo Merval Pereira:

“O economista Rubem Novaes (foto), que pediu demissão da presidência do Banco do Brasil dias atrás, resume com a seguinte frase o ambiente político de Brasília, uma das razões que o fez pedir para sair: “Muita gente com rabo preso trocando proteção”. Para Novaes, a cultura política em Brasília piorou muito ao longo do tempo, mas ele não aceita citar casos concretos. Afirma apenas que tudo começou na reeleição do Fernando Henrique Cardoso “e piorou muito nos anos do PT com mensalões e petrolões”.

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Ou seja, vale-se do álibi universal. Ele pediu demissão porque nos anos 90 FHC comprou a reeleição e o PT teve os mensalões. E porque os outros estavam “com o rabo preso”, não ele.

No BB, Novaes foi a mais serviçal dos funcionários de Bolsonaro e Guedes. O presidente arrotava um preconceito no Palácio para, imediatamente, Novaes dar uma resposta no BB – como o episódio da campanha publicitária que explorava a imagem de jovens alternativos. Qualquer tema levantado por Bolsonaro, econômico, social, moral, era imediatamente endossado por Novaes, mesmo não tendo nenhuma relação com sua função de presidente de banco. Inclusive acatando ordens de Carlos Bolsonaro, de voltar a anunciar em blogs ligados ao Gabinete do Ódio, mesmo depois do alerta do Tribunal de Contas da União (TCU).

Sua saída deve-se a um episódio óbvio: a venda da carteira de R$ 1 bilhão de créditos de difícil recebimento do BB ao BTG-Pactual, com deságio de 90%. Entregou de graça, direto, sem sequer simular um leilão.

A pressa de Novaes atropelou todos os procedimentos. Em geral, as grandes tacadas com o dinheiro público se fazem seguindo algumas formalidades, uma licitação dirigida, um projeto de lei mal ajambrado. Novaes se indispôs com o TCU e cometeu um estupro legal à luz do dia, em plena praça, beneficiando instituição de mercado à qual foi ligado no passado, talvez no presente.

Se teve endosso de alguma área técnica do banco, ou da diretoria, não se sabe. O que se sabe é que não haverá como o episódio não deflagrar um inquérito que apurará todas as responsabilidades – a responsabilidade óbvia dele, como presidente do banco, e de eventuais funcionários e/ou diretores que ajudaram a montar a operação.

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PS – Toda defesa que faço do bem público, contra as investidas do BTG-Pactual, resulta em ações cíveis e criminais, movidas pelo banco, que é presidido pelo ex-Ministro do Supremo Tribunal Federal Nelson Jobim. Cumpro com minha obrigação de jornalista em defesa do jornalismo, porque outros veículos, maiores, mais fortes, não tem a mesma disposição.

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16 comentários

  1. O pior presidente da história do Banco DO BRASIL. Até hoje, porque, nomeado por Paulo Guedes, o pior Ministro da Economia da História (competindo com Mailson), a tendência é vir alguém no mínimo igual.

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    • Sim Ugo, você tem razão. Mas quem foi que deu consistência para esse discurso hipócrita dos homens de bens ?

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      • Marcos Videira et alii

        Quem deu “consistência” a este discurso hipócrita dos homens e mulheres de bens são aqueles denominados “Intelectuais Orgânicos” por Antônio Gramsci, o pensador italiano do início do século 20.

        No popular, “intelectuais orgânicos” são aquelas pessoas que vendem a alma a serviço dos endinheirados deste mundo, dando consistência ao discurso que naturaliza a desigualdade ($$) que cresce cada vez mais neste mundo.

        Estão entre eles muitos jornalistas e acadêmicos, que procuram através de sua produção intelectual (notícias, livros, teses, posts, …) naturalizar o mundo tal como ele é, invisibilizando a ação do pessoal do “dinheiro grosso” do Brasil e do exterior na exploração ($$) dos 99% da população brasileira.

        Você pode ver figuras exemplares de “intelectuais orgânicos” nos programas jornalísticos da Globonews”, no jornal Nacional, nos editorialistas do Estadão, na maioria dos jornalistas da mídia corporativa, na maioria dos acadêmicos de nossas instituições de ensino e pesquisa.

        Um belo exemplo destas figuras são os economistas do mercado que aparecem nos programas de notícias, para convencer os telespectadores de que o mundo é assim mesmo, e que as eventuais alternativas são muito piores.

        O trabalho destas figuras é facilitado pela ingenuidade da dita esquerda – escolha republicana do PGR, de ministros do STF, etc … – que é colonizada pelo discurso da direita da “corrupção” como o principal problema nacional.

  2. Pobre Banco do Brasil, que de “Brasil” somente tem no nome.Não pertence à população brasileira. A maior parte do capital social do BB pertence a investidores privados nacionais e estrangeiros. A União detém apenas 59% das ações ordinárias, aquelas que lhe conferem poder de comando e que o Guedes quer vender, a qualquer custo, e rapidamente. Seus funcionários são moralmente pressionados diariamente a cumprir metas absurdas para gerar lucros, enquanto os pelegos da política, que atuam dentro da instituição perdoando dívidas de grandes tomadores de empréstimos e concedendo outros sem as garantias reais exigidas pelas boas práticas administrativas, navegam livres e impunemente prejudicando, desvalorizando e denegrindo a imagem da empresa. O assalto às empresas estatais ou mistas está ocorrendo a olhos vistos e não se vê manifestações públicas do Congresso Nacional, da Justiça, MP ou da grande imprensa em defesa desse valioso patrimônio da nação. Aliás, talvez até vendam a própria nação como brinde, após venderem todo o nosso território e as riquezas dessa terra da impunidade, da vassalagem e da ignorância.

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  3. Pelo jeito, lá vai mais um correr para Miami, com o auxílio luxuoso do MRE.

    Não vai sobrar nem quem apague a luz.

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  4. Bem certo Nassif, eu cantei essa pedra para meus contatos e amigos, eles devem pagar pelo erro. liberais Pero no mucho, pois adoram um dinheiro público e na mão grande.

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  5. Claro, e agora tudo ficou limpo como a luz do sol. pois os militares estão à frente, comandados pelo IMPOLUTO Bolsonaro ao qual esse ONESTO Rubens Novaes serviu como bom serviçal

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  6. Plural

    Faltou o plural, não é 1 bilhão, com B de bananada, como diz o Ciro/Marcelo Adnet, mas quase 3 VISTOSOS BILHÕES, mais precisamente valor contábil de 2,9 bilhões, vendidos (doados) na bacia das almas por 371 milhões.

    Limpeza de balanço – Antigamente, muito antigamente, no tempo em que havia um mínimo de vergonha na cara, o BB, com a finalidade de limpar o balanço, prática comum no mercado, vendia sua carteira de créditos vencidos para uma outra empresa, no caso a chamada Ativos S.A. que pertencia ao conglomerado do Banco do Brasil. Ficava tudo em casa. No presente caso, a Ativos S.A. não participou do regabofe, sequer foi convidada, ficou lá fora estacionando os carros.

    QUEM SOMOS
    Publicado 25/06/2018 15h06

    A Ativos S.A. Securitizadora de Créditos Financeiros (Ativos S.A.) é uma sociedade anônima de capital fechado, de natureza não-financeira, pertencente ao Conglomerado do Banco do Brasil S.A.

    Fundada em 2002, a Ativos S.A. foi criada com o objetivo de adquirir créditos oriundos de operações praticadas por diversos tipos de instituições financeiras, realizando a gestão da cobrança dos respectivos créditos. Além disso, tem como principal escopo de atuação ser parceira estratégica do Banco do Brasil na recuperação de créditos, com foco em créditos de baixo valor sem garantia.

    A Ativos S.A. busca atuar com eficiência, na cobrança de créditos próprios, observando com rigor as relações jurídicas e éticas na condução de suas atividades, garantindo adequada remuneração dos capitais investidos pelos acionistas e criando condições para o desenvolvimento profissional de seus funcionários.

    A empresa tem sede e foro em Brasília, Distrito Federal, e atuação em todo território nacional.

  7. Desses 2,7 bilhões, quanto teria de capital efetivamente emprestado (ou doado) pelos gerentes, superintendentes e diretores do BB? Uma coisa é cobrar o capital mais os juros legais, outra, tentar imputar aos devedores as anormais taxas de inadimplência. Se do saldo devedor retirarem todos os penduricalhos (taxas, juros de mora, atualização monetária, cadastros e o escambau) os tais 2,7 bilhões se resumiriam a quanto, mesmo? Talvez, não chegue a 400 milhões. Então, se o BB receber pelos 400 milhões do capital emprestado levará patada e comprometimento legal do TCU (quem vai, mais?). Vendendo tudo pelos 371 milhões, basicamente, recebeu o capital aplicado (ou doado). Agora, do outro lado do balcão, qual devedor não aceitará quitar a sua dívida por 450 milhões (por exemplo) depois do BB ter enchido o saco e a justiça com cobranças abusivas de 2,7 bilhões? Ora, ora e ora, quanto sobra pro intermediário: cerca de 79 milhões, sem fazer força. Haja parasitagem por toda parte.

  8. Essa prática de perseguição (opressão) judicial à liberdade de expressão é estimulada pela forma de ser do nosso sistema jurídico-processual.

    Numa ponta, um Judiciário incapaz de discernir o mínimo entre o que seria direito a informação e liberdade de expressão x denuncismo barato/fakenews/calúnia/difamação. Isso demanda leitura atenta e empatia, algo difícil de achar no Judiciário nacional.

    Na outra ponta, a facilidade de acesso ao Judiciário pelas grandes corporações – é barato para litigarem e os processos são demoradíssimos (o que aumenta sobremaneira os custos para o demandado). Ainda que o jornalista vença a maioria dos processos, os honorários de sucumbência não são suficientes para compensar as eventuais derrotas e mesmo outras despesas processuais.

    Já passou da hora dos jornalistas independentes e os pequenos/médios veículos se associarem para criar algum tipo de organismo de defesa que permita dar resposta a essa avalanche, tanto a nível de suporte jurídico como financeiro. Firmar a jurisprudência contra o lawfare jornalístico e focar nos dispositivos concernentes a sanções processuais.

    Não há outra saída.

    PS: Apenas uma sugestão jurídica simples. Formatar algum tipo de “disclaimer” padrão para inserir ao final de cada artigo/coluna de opinião, apontando algo na seguinte linha de raciocínio: “que a análise se baseia a partir dos fatos objetivamente apurados e no conjunto de informações trazidas por fontes, que não podem ser judicialmente reveladas”. Talvez isso ajude ao julgador entender o processo de formação da opinião jornalística.

  9. + comentários

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