Saída de Bebianno pode dificultar reformas e pavimentar queda do governo

Crise expõe os dois grupos que disputam o poder no Planalto: a turma de Olavo de Carvalho (incluindo os filhos do presidente), contra a turma dos que apoiam Bebianno e defendem o funcionamento de um governo normal

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Jornal GGN – Se as revelações divulgadas pela imprensa na última semana sobre um esquema de candidaturas “laranjas” nas eleições do ano passado envolvendo o PSL se confirmarem, o Congresso poderá instaurar um processo de cassação da chapa Bolsonaro/Mourão.

A análise é do colunista da Folha de S.Paulo, Celso Rocha de Barros. O escândalo, revelado pelo mesmo jornal, aponta que o então presidente do PSL e hoje ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, liberou o repasse de recursos públicos do fundo partidário para duas candidaturas com características de serem laranjas, ou seja, quando a pessoa não tem intenção de concorrer de fato, mas participa do processo com o objetivo de desviar recursos do fundo eleitoral. 

Possivelmente preocupado com a imagem, o presidente Bolsonaro decidiu pela exoneração de Bebianno. O ato ainda não foi publicado no Diário Oficial da União, mas deve acontecer oficialmente nesta segunda (18) ou durante a semana.

O colunista Rocha de Barros avalia a crise como fruto de dois movimentos que disputam as forças no Planalto: o bolsonarismo das redes, ou a turma de Olavo de Carvalho, incluindo os filhos do presidente; contra a turma dos que apoiam Bebianno e defendem o funcionamento de um governo normal, “no bom e mau sentido”, pelas vias institucionais já conhecidas. Deste lado estariam Rodrigo Maia, recém-eleito presidente da Câmara, o vice-presidente Hamilton Mourão, militares e a turma que aprova a reforma da Previdência.

Ao que tudo parece, o olavismo venceu a briga pelo afastamento de Bebianno, mas Rocha Barros pondera que isso poderá resultar na derrocada da família Bolsonaro no poder. Isso porque o quase-ex-ministro estava a frente da articulação do governo no Congresso. Em outras palavras, sem Bebianno e suas articulações Bolsonaro terá dificuldades para aprovar as reformas no Congresso e, pior, pode estar pavimentando o caminho para a sua própria queda.

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“Se as denúncias contra Bebianno forem referentes a essas negociações [da articulação do governo com o Congresso e distribuição de cargos], ou se os aliados acharem que toda negociação será exposta pelo Twitter, a articulação política do governo Bolsonaro morre”.

Barros já havia pontuado em outro artigo que “com rede social” se derruba Renan “mas não aprova reforma”. Ele destaca que, pela forma como Carlos Bolsonaro tomou a frente do pai, desmentindo via Twitter que o presidente e Bebianno conversaram na última semana, logo após às denúncias da Folha, pode significar que o vereador tem denúncias mais graves contra Bebianno, difíceis de “serem abafadas por muito tempo”.

“Em segundo lugar, como notou o jornalista Alon Feuerwerker, não é fácil para um governo se desvencilhar de sua facção mais leal, a que cai se ele cair. Bolsonaro não é indispensável para Guedes, para Moro, para os generais. Mas é indispensável para os doidões do Twitter. Os olavistas teriam o mesmo espaço em qualquer outro governo? Não”.

Com esse quadro, o presidente precisa se perguntar se vale se manter “cercado de gente leal em um governo fraco. Porque se ele desistir de Guedes, Moro e, especialmente, dos generais, não chega o Carnaval”, conclui. Para ler a coluna na íntegra clique aqui.

4 comentários

  1. Bolsonabo enganou todo mundo.
    Enganou com a fake facada, o eleitor.
    Enganou o mercado que esperava uma mínima, miníma, mínima capacidade gerencial e um mínimo pragmatismo.
    Enganou-se a si mesmo achando que iria conseguir fazer qualquer coisa que fosse sem ter que lutar, trabalhar, negociar: ele pensa que tudo “se resolve” a partir do twitter, do WhatsApp e das redes sociais ..
    Agora é hora de enfrentar o Renan, o Maia, o Bebiano…. será que dá pra encarar???
    Enfim, diante desse amontoado de bobagens, tolices e medonhices acho que esse fake governo não dura mais um mês….
    Tomara que se arraste até o fim, carregado pelos milicos, sem produzir nada, escancarando mais e mais a burrice do clã Bolsonaro e dos bolsominions…

  2. Alguém acha que os garotos do capitão, assim como o Olavo de Carvalho e outros bolsomínions de menor expressão, estariam se manifestando assim, tão ofensiva e agressivamente contra ministros militares, tais como Hamilton Mourão e Augusto Heleno, sem terem o respaldo de algum grupo militar de alta patente?

    Essa briga pelo poder não ocorre, tal como pode parecer, entre um grupo de alucinados contra um grupo de militares racionais.

    Olavo de Carvalho, em tempos idos, já havia demonstrado ser altamente prestigiado dentro das forças armadas. Muitas vezes afirmou que golpe não se avisa com antecedência. Devia estar sabendo do que falava.

  3. ninguem aguenta mais tantas tolices e idiotices de bolsonaro. sao milicianos bandidos q se apossaram do poder para entrega lo ao Tio Sam. FORA BOLSONARO E MILITARES.

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