Sakamoto: Conselho de Bolsonaro prejudica combate à gravidez na adolescência

Em live no Facebook após a polêmica do "golden shower", Bolsonaro que pais arranquem página de cartilha do Ministério da Saúde que ensina a jovens e adolescentes o uso de preservativos, além de como proceder à correta higienização dos órgãos genitais para evitar doenças. Atitude contraria diretrizes internacionais

Jornal GGN – O jornalista e sociólogo Leonardo Sakamoto publicou no UOL uma crítica ao presidente Jair Bolsonaro por contrariar diretrizes internacionais de combate à gravidez na adolescência, entre outras questões de saúde. Numa live no Facebook após a polêmica do “golden shower”, Bolsonaro pautou a agenda conservadora orientando que pais arranquem páginas de uma cartilha do governo federal que ensina a jovens e adolescentes o uso adequado de preservativos, além de como proceder à correta higienização dos órgãos genitais para evitar doenças.

“Se você pai ou mãe achar que não [tem problema a criança ou adolescente ter contato com a cartilha], é direito teu. Sugestão primeiro é dar uma olhada e se achar complicado, tira essas páginas.” O presidente ainda prometeu recolher o material e distribuir um novo sem as imagens.

“Não estamos falando de vídeos com ‘golden shower’ em contas no Twitter, mas de uma cartilha de saúde com desenhos (de-se-nhos) de como colocar um preservativo ou limpar o piu-piu e a periquita. Essas imagens não são chocantes, chocante é o fato de uma das maiores causas de problemas de saúde ser exatamente a falta de higiene adequada por conta da ignorância. Sem contar a gravidez precoce, que não apenas muda vidas cedo demais, mas também mata”, escreveu Sakamoto.

“O Brasil conta com uma taxa de gravidez adolescente de 68,4 nascimentos para cada 1000 meninas entre 15 a 19 anos. Na América Latina e Caribe, a média é de 65,5/mil – colocando nossa região apenas atrás da África Subsaaariana nesse quesito. A taxa global é de 46/mil”, lembrou o jornalista, com base em dados do relatório “Aceleração do progresso para a redução da gravidez na adolescência na América Latina e no Caribe”, publicado pela Organização Pan-Americana da Saúde, pela Organização Mundial da Saúde, pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e pelo UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas) no ano passado.

 

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“Entre as recomendações para diminuir os números brasileiros está impulsionar o acesso a métodos anticoncepcionais e à educação sexual – exatamente o contrário do que fez o presidente.”

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