A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) afirmou à TV GGN que a atuação do PL em torno do caso envolvendo o Banco Master é um “grande jogo de cena”. Segundo ela, parlamentares do partido sobem à tribuna para denunciar o escândalo, mas evitam aprofundar as investigações e citar nomes ligados ao mercado financeiro e a aliados políticos.
“Eles [deputados] ficam ali na superfície. Não falam evidentemente do papel do mercado financeiro, não falam do Ibaneis Rocha, não falam do Tarcísio de Freitas, cuja campanha foi financiada pelo Fabiano Zettel, que foi o maior financiador [da campanha de Tarcísio]. Não falam da Igreja Lagoinha, do celular do Nikolas Ferreira no telefone do dono Banco Master”, declarou, em entrevista ao programa TVGGN 20 Horas, na última terça-feira (24).
Para Sâmia, o discurso público de defesa de uma CPI mais incisiva não corresponde à prática. “Eles dizem que querem CPI, que tem que ir a fundo, aprofundar as investigações, mas não querem coisa nenhuma. É um jogo de cena mesmo”, afirmou.
A deputada também criticou a escolha do novo relator do caso, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, classificando a indicação como resultado de um pacto político. “Deram graças a Deus com o novo relator, pactuado com o setor do lado de lá. É evidente que essa escolha não foi ao acaso”, disse.
CPIs como palco
Sâmia avaliou ainda que as CPIs no Congresso têm sido transformadas em instrumentos de disputa eleitoral. “Infelizmente, as CPIs do Congresso Nacional têm se tornado um palco espetáculo para a extrema-direita. Quando acontecem, não têm um papel sério de investigação e de elucidação. Querem fazer chacrinha em ano eleitoral”, criticou.
Ela comparou a condução do caso Master a outros episódios recentes, como o escândalo no INSS, que também, segundo a deputada, teria sido explorado politicamente.
Um exemplo citado é a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”. O jornalista Luis Nassif avalia que a campanha contra o Supremo Tribunal Federal, tendo como alvos os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, abriu caminho para uma espécie de “Lava Jato 2”, marcada por vazamentos, pressão midiática e disputa política em torno do Judiciário.
Pressão na CCJ
No mesmo contexto, Sâmia relatou que há forte pressão do empresariado para travar a tramitação de pautas consideradas populares na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), como a PEC pelo fim da escala 6×1. Segundo ela, dirigentes partidários admitem reservadamente que votar contra propostas com amplo apoio social seria “suicídio eleitoral”, mas articulam estratégias para adiar decisões.
“Eles reconhecem que é uma pauta popular, que em ano eleitoral seria suicídio votar contra. Então empurram com a barriga, fazem um jogo de faz de contas”, afirmou.
A deputada defendeu que, diante do que classifica como manobras regimentais, é preciso manter pressão social para garantir votação efetiva das propostas. “O que a gente deve fazer não é esperar. É pressionar”, concluiu a deputada.
Evandro
28 de fevereiro de 2026 7:11 pmEu e minha inocência: aprofundar investigações não seria competência do BC, Ministério Público e Polícia Federal?
jose
1 de março de 2026 2:29 amGoverno republicano da nisso, a elite dominante nao aceita praticar a transparencia, estamos de novo sob o comando do lavajatismo