O general da reserva do Exército Carlos Alberto dos Santos Cruz detonou, na tarde desta terça (22), o argumento usado pela defesa de Mauro Cid para justificar as ações do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro no caso das joias desviadas indevidamente do patrimônio da União.
Segundo Santos Cruz, não se pode usar o argumento da hierarquia entre militares como escudo para Cid.
“Jamais alguém [no meio militar] tentou ensinar que obediência a qualquer tipo de ordem é justificativa [para se defender de ações ilícitas]. Ordem que não tem amparo legal e imoral não se cumpre. Não é justificativa”, disparou Santos Cruz.
Na semana passada, o advogado Cezar Bitencourt passou a propagar a tese de que, como assessor direto de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid “apenas cumpria ordens” do ex-presidente.
Bitencourt afirmou em várias entrevistas que Bolsonaro mandou Cid “resolver” a questão de um relógio de luxo recebido de presente no exercício do mandato. Cid, então, agiu para vender a joia nos Estados Unidos, e envolveu contas bancárias de seu pai, também militar da reserva, na trama.
“Se o chefe solicita algo ilegal para o subordinado, é um agravante. (…) Se ele [Cid] tinha conhecimento disso, isso tem que ser avaliado”, disse Santos Cruz.
Ainda segundo o general, “dificilmente” Cid agiu no caso em benefício de Bolsonaro sem o conhecimento prévio do ex-presidente.
Bitencourt fala ao GGN
Em entrevista ao GGN, Bitencourt afirmou que Cid pretende colaborar com as investigações e que seu maior defeso é proteger sua família, principalmente o patriarca. O advogado é um crítico intelectual da delação premiada, mas não descartou recorrer ao instrumento caso seja necessário.
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