Para aproximar a pesquisa acadêmica sobre o bicentenário da Independência do Brasil das salas de aula e do grande público, foi idealizado por mais de 50 historiadores de todo o país um projeto que reunia artigos em um blog de divulgação científica. Diante da celebração do bicentenário da própria Assembleia Constituinte em 2023, propôs-se à Câmara dos Deputados que esse rico material, focado em desmistificar a narrativa de uma transição pacífica e debater temas como a participação de indígenas e escravizados, fosse transformado em livro físico e digital de livre acesso.
No entanto, quando já se encontrava na fase de correções finais da publicação, a equipe de pesquisadores acabou sendo surpreendida com uma arbitrária intervenção política. Sob a condução do deputado Lafayette Andrada (PL-MG), que assumiu a comissão responsável pelo projeto, foi imposta uma censura prévia que exigia a substituição sistemática do termo “ditadura” por expressões suavizadas como “regime” ou “governo militar”.
Até mesmo o título do artigo de autoria da professora Wilma Peres Costa, que relacionava o início da cafeicultura e a gestão da escravidão à influência de emigrados franceses do Haiti, sofreu alterações consideradas indecorosas pelos autores. Embora os historiadores tenham cogitado buscar outra editora para viabilizar a publicação, o episódio escancara o retrocesso na disputa de narrativas históricas e a tentativa de ocultar os conflitos do passado nacional.
Conduzida pelo jornalista Luis Nassif, essa contundente denúncia feita pela professora Wilma Peres, sobre o cerceamento da liberdade científica e a ingerência política na produção historiográfica, foi detalhada no canal TV GGN, no Youtube. Assista abaixo:
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