
Jornal GGN – Reportagem do Estadão desta segunda (16) mostra que pelo menos duas testemunhas do inquérito sobre o esquema de corrupção na Dersa foram ameaçadas. Uma delas agora é defendida por um advogado da filha de Paulo Preto e mudou seu depoimento para favorecer o ex-operador do PSDB.
Segundo a matéria, Priscila Sant Anna, uma que foi babá de um dos netos de Paulo Preto, havia admitido ao Ministério Público, em 2016, que foi beneficiada pelo esquema que ocorria bem abaixo dos governos tucanos em São Paulo.
Em 2017, quando a investigação estava mais avançada, ela procurou a Polícia Federal para mudar de versão. Acompanhada por um advogado indicado pela filha de Paulo Preto, Tatiana, a ex-babá passou a dizer que só confessou o crime porque havia sido coagida pelo promotor do caso. Ela não deu nenhum nome, apenas relatou gritos e socos na mesa em seu primeiro interrogatório, quando esteve desacompanhada de um defensor.
Além de Priscila, a Justiça já sabe que outra testemunha tem sofrido ameaças. Trata-se de uma “ré colaboradora” que provavelmente ajudou a delatar Paulo Preto e seus subordinados.
Na denúncia contra o ex-diretor do Dersa, duas mulheres que participaram do esquema tiveram os nomes preservados. Um dos membros do MPF em São Paulo disse ao GGN o nome é mantido sob sigilo por questões de segurança, entre outros motivos.
Na semana passada, a juíza Maria Izabel do Prado, da 5.ª Vara Criminal Federal em São Paulo, afirmou que Paulo Preto oferece “risco à instrução criminal” e isso está demonstrado “pelas drásticas mudanças nos depoimentos da testemunha Priscila SantAnna Batista” e pelas ameaças que tem sofrido a “ré colaboradora”.
Em outra investigação, Paulo Preto “teve bloqueados R$ 113 milhões em quatro contas na Suíça – saldo de 7 de junho de 2016, correspondentes a 35 milhões de francos suíços”, escreveu o Estadão.
O ex-diretor do Dersa está preso em São Paulo desde o dia 5 de março, por supostamente ter liderado um esquema que desviou pelo menos R$ 7 milhões de programas de habitação e indenizações envolvendo obras viárias como o Rodoanel.
O esquema consistia em fraudar o sistema de cadastro de famílias que deveriam receber ajuda do Estado por terem sido removidas compulsóriamente dos locais de obras.
Dessa maneira, Paulo Preto teria criado uma espécie de caixa na sede do Dersa e também aproveitou o esquema para beneficiar as empregadas e babás da família.
Federal em São Paulo, o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, mais conhecido como Paulo Preto, pode ter passado a assediar algumas testemunhas do processo
Priscila Sant Anna, que foi babá de um neto de Vieira de Souza, confessou em 2016 ter participado de um esquema de desvios por meio de imóveis desapropriados para obras viárias. Em agosto do ano passado, à Polícia Federal, ela mudou sua versão sobre os fatos. A Procuradoria da República acusa o ex-diretor de ter ameaçado Priscila, que também é ré no processo. Em seu novo relato ela não citou o nome do promotor.
Leia detalhes da denúncia aqui.
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