5 de junho de 2026

Torcidas organizadas: coisas do demônio ou lazer dos pobres, por João Sucata

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Esporte bretão

Torcidas organizadas: coisas do demônio ou lazer dos pobres

por João Sucata

Antigamente sentávamos lado a lado e havia até confraternização

Torcidas organizadas despertam ódio e paixão, dependendo da pessoa que faz a apreciação.

Quando eu frequentava campos de futebol no passado, todos os torcedores se misturavam nas arquibancas e na geral do estádio. Lembro ter visto os  três jogos do supercampeonato entre Santos e Palmeiras, no Pacaembú, em 1959 (sou velho, sim) que decidiram o campeonato paulista entre duas das equipes mais sensacionais que existiram. Após dois empates  o Palmeiras de Djalma Santos, Chineisinho e Julinho Botelho, ganhou do Santos de Coutinho, Pelé  e Pepe, por 2 x 1, o gol vencedor marcado graças a falta batida por Romeiro. Foram três jogos em uma semana com palmeirenses e santistas sentados lado a lado, sem que nenhuma briga acontecesse. Era assim também com Corinthians e São Paulo. Respeitávamos nossos vizinhos, sentados ao lado, atrás ou na frente, ao final os derrotados até cumprimentavam os vencedores. Éramos mais educados??? A sociedade ficou mais violenta???

Para muitos jovens de baixa renda, as organizadas são a alegria da vida, motivo de afirmação, de conversas, de paixão.  Ele sofre no emprego humilde, submete-se ao chefe, cumpre rotinas humilhantes, sai na sexta feira a noite da empresa com a alma leve, porque vai ser protagonista no sábado ou no domingo, ás vezes até à noite, vai encontrar os companheiro da organizada e fazer festa no campo e se seu time for vencedor, após o jogo.

Quando se conversa com um torcedor ou principalmente com um líder de torcida organizada, não se percebe grandes diferenças do cidadão comum,  poucos reconhecem que gostam da violência, menos ainda os que podem ser reconhecidos pelo mau caráter. No entanto, basta juntar um grupo grande dessas torcidas e esses cidadãos viram feras. Se alguns preferem os movimentos organizados da massa nos embates, a arruaça, gritaria, a animalidade de outrora, os com mais mau caráter aproveitam para quebrar bens ou cabeças, de adversários, ou até de desavisados que estão por perto.

Claro que todos os violentos deveriam ser identificados e processados. Tanto como devem responder os lideres não conseguem domar as multidões que juntam e os dirigentes que os apoiam, fornecem ingressos, ajudam a introduzir rojões no estádio. E para tanto há previsões administrativas, civis e penais.

É justo que os violentos sejam impedidos de ter acesso ao campo, como é justo também que parte dos ingressos seja vendido a preços mais razoáveis para quem tem menor renda. Mas é preciso urgentemente desenvolver o respeito ao próximo. Não existe nada mais idiota que ferir ou até matar um outro cidadão apenas porque a cor da camisa que ele torce é diferente, amor que muitas vezes foi casualmente inspirado por um amigo ou até pelo pai.

O desejável seria ter as torcidas organizadas, mas apenas para torcer. Quem sabe um dia elas poderiam ser até politizadas, como aconteceu com a torcida do Corinthians nos anos de democracia corintiana, aquela tinha em campo o Dr Sócrates e o Vladimir, que gritava vivas a liberdade, a democracia, a justiça social.. Dava vontade de estar em meio a ela, mesmo não torcendo para o timão. Tudo indica que ela está de volta.

João Sucata

 

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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5 Comentários
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  1. Carlos E Salgado

    29 de fevereiro de 2016 7:17 pm

    Excelente!

    O primeiro “crime” das organizadas é ser uma organização popular.

    Pobre organizado, se não é glamurizado, é demonizado!

  2. Gilson AS

    29 de fevereiro de 2016 8:36 pm

    Não digo lazer de pobre, pois

    Não digo lazer de pobre, pois existem muitos pobres que não gosta de futebol.

    Digamos, lazer dos mal informados.

    Muito só tem como meta de vida, defender seu clube, como se isso fosse a coisa mais importante do mundo.

    Muitas dessas torcidas organizadas procuram brigas com outras torcidas, quando não encontram saem na porrada entre eles.

    Sou do RJ, isso é comum acontecer nas torcidas organizadas do Flamengo. Os caras na saida dos jogos procuram briga com torcedores de outro clube, quando não encontram, a porrada come entre eles. Chega ser engraçado.

    Foi feito um estudo sobre o nível cultural de membros das torcida organizada, admiradores de MMA, o nível é baixíssimo.

     

  3. Guiba

    29 de fevereiro de 2016 8:45 pm

     
    No passado já foi lazer (de

     

    No passado já foi lazer (de qualquer classe), mas hoje é problema. Tráfico de drogas, roubos e violência de toda sorte.

     

    As torcidas organizadas hoje são um grande problema para a sociedade.

     

    E há uma grande dificuldade em acabar com elas, principalmente porque os nosso dirigentes corruptos as manipulam com uma espécie de “braço armado” da política dos clubes.

  4. Flavio Martinho

    1 de março de 2016 12:33 am

    “… e esses cidadãos viram

    “… e esses cidadãos viram feras.” Cidadãos?

  5. Bernardelli

    1 de março de 2016 12:56 am

    Seja lazer ou não

    Seja lazer ou não o futebol para muitos é alegria curtição, bom pelo menos antigamente era. Eu fui duas vezes ao estádio de futebol, um foi no falecido Pacaembu e outra fez no Morumbi e quer saber? Eu curti muito vendo o Coringão jogar, mas isso já faz muito.  Eu e minhas amigas sentamos junto com o adversário e no final do jogo não houve uma briga sequer. Hoje as pessoas vão para estádio e não sabe se vai voltar e tudo por causa dos fanáticos e insanos torcedores.

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