A tragédia provocada por mudanças climáticas no Rio Grande do Sul, que deixou mais de 80% dos municípios alagados após as fortes chuvas que ocorreram na primeira semana de maio, expôs a falta de coordenação para lidar e prevenir crises humanitárias decorrentes de enchentes e deslizamentos de terra, mas também a falência dos serviços básicos de atendimento público, como investimentos em saneamento e projetos ambientais.
A avaliação é da deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL), que falou com exclusividade ao canal TV GGN [assista abaixo]. Única parlamentar gaúcha a destinar emendas para o Rio Grande do Sul em 2024, Melchionna conversou com Luis Nassif sobre como os “culpados” indiretos pela tragédia que o estado sulista atravessa no momento.
“Muitos me falam da dimensão dos culpados. Os governos agora têm investido em salvar vidas, com voluntários que se deslocaram para nos ajudar. Mas o que a gente vê é a falência de serviços básicos para a população. Falta de coordenação”, comentou ela quando questionada a respeito da reação do governo estadual, capitaneado hoje pelo tucano Eduardo Leite.
A parlamentar ressalvou que, de fato, a chuva que caiu sobre o Rio Grande do Sul, muito acima da média esperada para essa época do ano, é histórica. Porém, ilustrou como também – e para além do papel do Poder Executivo – os membros do Legislativo andam contribuindo para que cada vez mais tragédias ambientais aconteçam, contrariando todos os alertas emitidos por cientistas, ativistas, pesquisadores, etc.
“É claro que choveu sem precedentes na história do Rio Grande do Sul. Em um curto espaço de tempo, choveu em todas as regiões ao mesmo tempo. O impacto das mudanças climáticas é total, e também é um dos temas. Veja que estamos discutindo isso enquanto o Congresso derruba veto do presidente Lula nos projetos de liberação de agrotóxicos, que são extremamente poluentes para os solos e rios. Ontem, a Câmara aprovou projeto que flexibiliza licenciamento ambiental para plantação de pinos e eucaliptos. Essa é a lógica também nos levou até aqui”, disse ela.
“O que estamos discutindo não é ter ou não aquecimento global, é se teremos mais ou menos aquecimento. E se segue fazendo tudo para ter o pior cenário possível. Os impactos estão chegando muito antes do esperado”, complementou.
O Rio Grande do Sul já confirmou 113 mortes até o início da tarde desta sexta (10), além de centenas de desaparecidos, milhares de desalojados e centenas de milhares de pessoas afetadas pelas enchentes de alguma forma. As águas mal foram absorvidas ou escoadas, e o Estado já espera mais uma chuva torrencial para este final de semana, com potencial de fazer o rio Guaíba exceder cinco metros de altura novamente, conforme divulgou a equipe do governo estadual na tarde de quinta (9).
Melchionna lembrou que, há anos, o movimento ambientalista vem lutando para evitar tragédias. Ela citou como exemplo a batalha para impedir a exploração de uma mina de carvão na região de Porto Alegre, em 2019.
Mas além dos empreendimentos danosos, é preciso afrontar também o que chamou de “negacionismo neoliberal”, com a falta de investimentos em setores estratégicos, como de saneamento e defesa civil. Ela comentou que vários municípios do Rio Grande do Sul estão com número insuficiente de funcionários, o que é determinante, agora, no tempo de resposta à crise instalada por causa das fortes chuvas.
Na entrevista ao jornalista Luis Nassif, Fernanda falou também sobre seu projeto de lei para viabilizar ajuda financeira para reconstruir o Rio Grande do Sul.
Assista a entrevista abaixo:
Fábio de Oliveira Ribeiro
10 de maio de 2024 5:04 pmAs ações e omissões do governo estadual amplificaram o potencial destrutivo da inundação. Em tese isso permitirá que cada prejudicado (cidadão, comerciante, produtor rural, industrial, etc.) processar o RS para obter indenização por danos materiais e morais. Todavia, dificilmente a Justiça condenará o Estado. O neoliberalismo não apenas condena as pessoas a sofrer, ele suspende a legalidade impedindo que os prejudicados sejam compensados. E na próxima eleição os políticos que hoje não querem ser vistos como culpados serão eleitos como se fossem INOCENTES.
Milton
12 de maio de 2024 9:02 amInfelizes verdades. O governador criminoso já começou a ladaínha: não é hora de procurar culpados. . .
Cassio
10 de maio de 2024 10:02 pmE a essa altura o ggn continua a se referir ao Guaíba como rio.
Milton
12 de maio de 2024 9:07 amA nós gaúchos não interessa se é lago ou estuário, será sempre o Rio Guaíba, um estuário ou lago chamado Rio Guaíba.