O jornalista Luis Nassif conversou com o diretor do Observatório da Lava Jato, Rodrigo Siqueira Jr, sobre o Índice de Percepção da Corrupção (IPC) de 2023, levantado pela Transparência Internacional (TI), ONG ligada à Lava Jato. A entrevista foi veiculada no programa TVGGN 20 Horas, no canal do GGN no Youtube [inscreva-se aqui].
Para Siqueira, o ranqueamento feito pelo IPC é metodologicamente frágil, inconsistente e de pouca credibilidade. Além disso, para o advogado, a Transparência Internacional tem uma “cabeça de mercado”.
Siqueira cita ainda as mensagens da Spoofing, que revelam que Bruno Brandão, diretor do braço da Transparência Internacional no Brasil, teria atuado nos bastidores, com procuradores da Lava Jato, para tentar influenciar no destino de bilhões de reais provenientes de acordos de leniência.
“Evidentemente a finalidade [da TI] não é garantir a transparência, mas garantir interesses empresariais em nome da nobre causa do combate à corrupção”, afirma.
“Não é possível que alguém que defenda o combate à corrupção, que quer uma sociedade mais justa, mais próspera, defenda a Lava Jato, que promoveu a escalada política e financeira de muita gente. Às vezes, se busca defender a Lava Jato por conta de seus fins, ignorando seus meios, mas não podemos cometer esse erro”.
Rodrigo Siqueira Jr, diretor do Observatório da Lava Jato
O advogado também ressalta o envolvimento da TI em escândalos de porta-giratória, conflitos de interesse, utilização da pauta da corrupção para conflitos empresariais, guerras comerciais e ganho de dinheiro.
TI propaga ideologia racista e neoliberal
De acordo com o ranking da Transparência Internacional, que foi desmontada pela CGU em artigo publicado no jornal O Globo, os países do centro capitalista seriam mais honestos e teriam menos corrupção, enquanto que os países periféricos do globo são mais corruptos.
Para Siqueira, a TI propaga uma ideologia neoliberal e racista quando sentencia estados periféricos dessa forma.
“De fato, o capital internacional, do centro do capitalismo, corrompe totalmente e impede uma vida livre e democrática dos países do terceiro mundo. Mas não é porque os estados de países de terceiro mundo, ou a sociedade e os povos são mais corruptos, é porque há uma captura. Não há como negar que o Brasil sofre uma corrupção grave. Agora, jogar isso na conta do povo e do Estado, me parece um pouco ingenuidade. E a TI, se presta, ao meu ver, a propagar essa ideologia, que é uma ideologia racista e neoliberal, porque criminaliza sobretudo estados periféricos, o que acaba servindo, como a Lava Jato serviu, para na verdade interromper processos de desenvolvimento a pretexto do combate à corrupção”.
Rodrigo Siqueira Jr, diretor do Observatório da Lava Jato
Assista à entrevista completa na TVGGN, clicando no banner abaixo:
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