Trump deixa legado complicado sobre política externa para Biden

As relações dos norte-americanos com países como Cuba, Irã e China podem ser conturbadas nos próximos quatro anos

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Jornal GGN  – O republicano Donald Trump se despediu da presidência dos Estados Unidos nesta quarta-feira, 20, deixando para trás um legado que pode complicar a gestão do novo chefe da Casa Branca, o democrata Joe Biden. As relações dos norte-americanos com países como Cuba, Irã e China podem ser conturbadas nos próximos quatro anos, informou a BBC Brasil. 

Antes de deixar o governo, Trump decidiu romper o protocolo do chamado “lame duck” (“pato manco”, em português), ou seja, quando um presidente que está deixando o cargo tem a suposta incapacidade de se “movimentar” politicamente. As últimas semanas, no entanto, foram marcadas por importantes decisões do republicano sobre política externa dos EUA.

No caso de Cuba, Trump fez um anúncio em 11 de janeiro que coloca o país de volta na lista de nações que patrocinam o terrorismo. Em 2015, o ex-presidente Barack Obama havia retirado os cubanos do documento, a fim de retomar as relações diplomáticas. 

“Com esta medida, mais uma vez responsabilizamos o governo de Cuba e enviamos uma mensagem clara: o regime de Castro deve acabar com seu apoio ao terrorismo internacional e à subversão da Justiça dos EUA”, disse o secretário de Estado, Mike Pompeo, na ocasião. 

Em contrapartida, Biden chegou a anunciar sua vontade de melhorar as relações com a ilha, restabelecendo algum nível do compromisso iniciado com Obama. Mas, para reverter a inclusão de Cuba na lista, por exemplo, o Departamento de Estado deve fazer uma revisão formal que pode levar meses. 

Já sobre o Irã, Trump também redobrou sua ofensiva nos últimos dias na presidência. Em 12 de janeiro, Pompeo acusou o país de ser “o novo quartel-general” da Al Qaeda e de manter laços estreitos com o grupo extremista. Em resposta às acusações, sem provas, o Teerã chamou os americanos de “mentiras belicistas”.

Segundo a reportagem, os comentários de Pompeo foram vistos como uma tentativa de aumentar a pressão sobre Teerã antes da chegada de Biden, que deve tentar retomar o acordo nuclear de 2015 entre o Irã e seis grandes potências, do qual Trump retirou os EUA em 2018.

A China  

Seguindo a linha desde o início do governo, Trump não deixou a Casa Branca sem acirrar, ainda mais, o relacionamento entre as duas potências.

Em 9 de janeiro, Pompeo anunciou o levantamento das restrições aos contatos entre diplomatas americanos e taiwaneses, rompendo com uma política de décadas dos EUA. 

A China considera Taiwan uma “ilha desonesta” como a questão mais sensível em seus laços com os EUA. Os americanos não têm relações formais com Taiwan, mas o governo Trump tem intensificado suas ações de apoio à ilha. 

Sendo assim, esse último movimento foi visto como uma tentativa do republicano de estabelecer uma linha dura contra a China antes de Biden assumir o cargo.

Além disso, no último dia na presidência, Trump classificou as ações de Pequim contra os uigures (minoria étnica muçulmana) de Xinjiang como “genocídio” e “crimes contra a humanidade”, “o que azedará ainda mais a relação entre os dois países’, informou a reportagem.

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