Um país desarmado para enfrentar a recessão, por Luis Nassif

Com a crise, se houver uma cobrança a ferro e fogo, e não houver um compartilhamento das perdas, muitas empresas irão desaparecer.

Uma das mudanças necessárias, provocadas pela Covid-19, será nos conceitos de recuperação judicial e falência.

Nas últimas décadas, especialmente nos mercados internacionais, a enorme liquidez existente fez com que as empresas trocassem patrimônio por endividamento. Isto é, em vez de reinvestimento de lucros, optavam por contrair empréstimos para financiar o crescimento e, em muitos casos, para recompra das ações. Obviamente, essas operações proporcionaram lucro para as duas partes, credor e devedor.

Com a crise, se houver uma cobrança a ferro e fogo, e não houver um compartilhamento das perdas, muitas empresas irão desaparecer.

No Brasil, a demora da equipe econômica em chegar a soluções provocou um enorme acúmulo de problemas. Até agora, falhou-se rotundamente nas seguintes frentes:

* Apoio ao capital de giro de pequenas e médias empresas.

* Apoio à manutenção de emprego.

Sabia-se que, sem medidas de compartilhamento de riscos pelo setor público, os bancos privados não avançariam na oferta de crédito. Mas até agora não saiu do papel a proposta do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) oferecer recursos e participar da maior parte do risco.

O BNDES  articulou um consórcio de bancos para pensar em saídas para os grandes grupos. Também com atraso opta-se por linhas baseadas em debêntures conversíveis. Faz-se o aporte na empresa. Se ela não conseguir resgatar no prazo, o empréstimo é convertido em participação acionária, permitindo aos credores, mais à frente, colher os frutos de uma eventual recuperação da empresa.

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Apenas no caso do setor aéreo, estima-se um aporte da ordem de R$ 7 bilhões.

Aprofundamento da crise

A demora da equipe econômica em corrigir os erros de lançamento provocou o extermínio de milhares de pequenas e médias empresas.

Os primeiros dados sobre a crise mostram um quadro desolador.

A Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE, com dados até março, registrou uma queda geral de 2,5%. Mas, dos 13 grupos analisados, apenas 3 registraram crescimento, artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (+14,4%), Hipermercados e supermercados (11,8%) e Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (+11%).

Na ponta das perdas, a maior queda foi em Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (-51%), Tecidos, Vestuário e Calçados (-35,7%) e Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (-17,2%).

 

No setor de turismo, as quedas foram de 39,1% (no Distrito Federal) a 28,4% (na Bahia).

No Setor de Serviços, as quedas também foram gigantescas. A maior queda foi em Serviços Prestados às Famílias (-31,2%).

Agora, fica-se na seguinte situação.

  1. O único setor com fôlego é o agronegócio, graças ao desempenho da China.
  2. Nos últimos três anos, as exportações para a China passaram de 20,76% do total das exportações em abril de 2019, para 30,72% em abril de 2020, no acumulado de 12 meses. No acumulado do ano (que ajuda a identificar o curto prazo) houve um aumento para 30,96%.
  3. Já no saldo comercial, a participação da China saltou de 33,83% nos 12 meses acumulados até abril de 2019, para 72,76% em abril passado. No acumulado deste ano, a participação chinesa no saldo comercial subiu mais ainda, para 76,63%.
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Não será suficiente para segurar o crescimento do próximo ano.

Apenas esta semana começou a cair a ficha da equipe econômica, que saiu da projeção de 0,5% de queda do PIB este ano para 4,5%. E há poucas esperanças de um crescimento robusto em 2021.

E a equipe insiste em montar metas de desempenho fiscal e insistir que as medidas de apoio à economia cessarão em 2020.

É um caso clássico de terraplanismo econômico.

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11 comentários

  1. Definitivamente deste o governo não podemos esperar nada, mas uma mudança pode ocorrer quando Mourão assumir, chamando alguém próximo a Antônio Delfim Netto.

    Precisamos ser rápido para encerrar a marcha da insensatez, das vendas das Reservas Cambiais.
    Sem Reservas Cambiais, será praticamente impossível implementar qualquer medida econômica que tenha algum sucesso.

    Melhor seria melhor utilizar parte das Reservas Cambiais para ajudar a Argentina a renegociar sua dívida externa, o Brasil seria uma dos maiores beneficiados.

    Além de não vender as Reservas Cambiais, precisamos manter o dólar no atual patamar, e incentivar a substituição de parte das importações pela produção Nacional.

    No mais apenas o racional, socorrer os devedores para impedir o aumento da inadimplência e a instalação de uma crise sistêmica, e a extensão da renda mínima para aumentar o isolamento social, reduzir o risco de colapso no sistema de saúde, e esperar alguma medicamento ou vacina.

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  2. PRA REFLETIRMOS

    Um recado, conselho ou ameaça de MOURÃO ?

    A experiência diz que qdo o VICE se manifesta, é pq pode vir coisa que NÃO presta.
    MOURÃO falou, e no Estadão.
    Concluiu que o COVID é questão se saúde, c/implicação sócio econômica podendo, pelo desenrolar, ser de segurança.
    Disse que não existe Nação que fez mais mal a si, hoje, do que o BRASIL.
    Listou 4 dos nossos males atuais: A polarização política; A ofensa a identidade FEDERATIVA; A usurpação das prerrogativas do Poder Executivo; e termina DEBITANDO a autoridades do pré 2018 o desgaste à imagem que o BRASIL vem sofrendo no exterior, no quesito preservação da Amazônia versus degradação ambiental.
    De passagem, tentando exalar erudição, liga nossa história à americana, como qdo da Constituição da Federação e da Separação harmônica entre os Poderes.
    Disse que Autoridades tanto do Legislativo como do Judiciário, em dvs instâncias estão atravessando seus limites.
    Mourão prossegue dizendo que há desorganização Nacional no enfrentamento da pandemia.
    Por fim conclui que ainda há tempo, embora o país continue refém de estatísticas seletivas, discórdia, CORRUPÇÃO e oportunismo.

    Nada cabível, mas é interessante notar que NENHUMA critica ao Governo Federal foi feita diante deste quadro de DEGENERAÇÃO INSTITUCIONAL em que o presidente, seus filhos e seguidores, são dos principais autores e atores, não só ao destruírem nossa reputação diante do Planeta como qdo, cotidianamente, levando a polarização política até as últimas consequências. Fora que Mourão não diz que tal desgaste, na ponta do lápis, teve início c/o mensalão ou, numa conta c/desconto, logo após a eleição de 2014.

    Interessante tb registrar que como um pai atento, MOURÃO profetiza que ainda há tempo de união e termina se valendo da GENÉRICA e populista “corrupção” como sendo a pior das 4 causas (somada a estatísticas seletivas, discórdia e oportunismo) que impedem o BRASIL de se dedicar com afinco aos desafios que nos impõe a saúde, a produção e o consumo, esquecendo-se claro, do EMPREGO e da RENDA da população, que a ele e aos seus sempre foi perene, farta e garantida.

    Vai vendo gente, vai vendo o que nos espera depois da FRIGIDEIRA….

    • Já comentei ontem em um post do Nassif
      Mourão é pular da frigideira para o fogo.
      O que deveria ocorrer era a cassassão da chapa do bozo e novas eleições o mais rápido possível.
      Que o Maia ficaase na presidência neste intervalo de cassassão/nova eleição.
      É horrivel mas é melhor que bozo/mourão.
      Todos os militares do atual governo deveriam ser imediatamente demitidos e vários deles presos.
      Toda lava jato deveria ser presa e fuzilada sobre acusação de crime lesa pátria.
      PS8 não sei se nova eleição resolveria o problema dado o grau de destruição e radicalização deixadda no país no rastro da lava jato. Estes bandidos não podem sair impunes. PAREDÃO NELES TODOS>

    • Ja disse que o salario minimo no Brasil é alto, quandop na realidade é o mais baixo da America Latina, e já se posiocionou contra o decimo terceiro salário, e por fim adora se encontrar com os larapios-abutres-canalhas que espoliam a nação através do sistema financeiro…dai se tirem as conclusões…

      Aliás, ainda quero saber quem são os tais “investidores” que tanto falam e onde investem…….mais uma tara desse povo desgraçado que só sabe jogar a conta para os trabalhadores, funcionalismo e aposentados……

  3. BEM FEITO AOS EMPREOTÁRIOS BRASILEIROS Q APOIARAM ESTA AVENTURA MILITAR/JUDICIÁRIA/MIDIÁTICA,PENSARAM Q IAM NADAR EM DINHEIRO E SÓ O POVÃO Q IA SE LASCAR ,KKKK,OS BANCOS AGRADECEM!
    OBS:SINTAM-SE REPRESENTADOS AQUELES Q QUERIAM ESCREVER ISTO E NÃO PODEM !!

  4. Tenho um pequeno negócio aqui em Porto Alegre, uma mecânica, e as perdas são da ordem de 75%. Fornecedores não pensam em dividir perdas, aluguel esta sendo melhor tratado pq é direto com proprietário, e apesar de estarmos trabalhando como serviço essencial nosso faturamento está estagnado em 25% do q faturávamos antes do covid19. Empresas como Cielo não se manifestam sobre taxa de juros pra uso da máquina, antecipação de recebíveis e financiamento ao cliente. Estão andando para a crise. Bancos não apresentaram nada de novo a exceção da CAIXA q tem uma linha com tx de 0,57% am, 12 meses de carência e 36 meses para pagar. Ainda é caro. Mourão não tem idéia do q diz. Será outro erro histórico se assumir e teremos mais alguns anos de sofrência.

    • Eis aí

      Há duas formas de tomar o pulso da economia de um país: gráficos, planilhas, relatórios, projeções estapafúrdias dos departamentos de economia das universidades, os analistas de o O Mercado, etc; e andar na rua de olhos bem abertos e ouvidos atentos. Confio mais na segunda maneira.

      O país não pode contar com BNDES, BB, CEF, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia pporque estão destruídos. Os CEOs corta-custos implodiram o quadro de pessoal a partir de maio/2016 ao ponto de uma certa agência do banco do brasil recusar abrir uma conta pessoa jurídica (160,00/mensais de tarifa) porque não tem capacidade de atendimento e indicar uma agência grande próxima. Não se investe em empresas estatais que se pretende vender. Sucateia-se, como estão sucateados BB e CEF.

      O Paulo Guedes vai resistir até aos 46 do segundo tempo, já nos acréscimos, em emitir dinheiro, e se emitir, será simbólico, e será vendido como um gesto arrojado. A recessão será MUNDIAL, como já está sendo, todos os países passarão por ela. O que vai diferenciá-los será o tempo que cada um vai levar para sair da depressão. O Brasil será o último.

      PS.: O lendário Bar do Zé, na não menos lendária Maria Antonia, frequentado pelo Chico Buarque no início dos 60, fechou há um mês, o ponto está a venda. Todo dia um bar com mais de 50 anos, da zona central de SP, fecha em definitivo.

  5. Primeiro afastar o perverso e irracional, aliás o lado irracional é que p facilitará o afastamento, podemos afirmar que “morrerá pela própria boca”.

    Depois sinalizar um patamar de câmbio para viabilizar a substituição de parte significativa das importações com um financiamento do BNDES, para isso um discurso e promessas não basta, é necessário mudar o atual sistema cambia de livre flutuação, para um sistema de banda cambial, com um mínimo de R$ 6,00.

    Com a Argentina que tem uma dívida interna dolarizada, além de cerca de US$ 150 bilhões de dívida externa com legislação internacional. O Brasil poderia conceder uma linha de crédito condicionada a aceitação dos credores internacionais de redução dos juros e alongamento da dívida.
    Em caso de negociações haveria um recuo do dólar na Argentina que reduziria a dívida interna, viabilizando uma desodorização da dívida interna e um aumento de poder de compra, do mesmo modo que no Brasil é preciso manter um razoável superávit comercial.

    Não é equação fácil, mas bem estudada seria viável e saudável para os dois países, fortalecendo o Mercosul, e viabilizando a recuperação da Venezuela, que além de um grade produtor de petróleo, já foi um importante importador de produtos brasileiros.

  6. Precisamos lembrar que qualquer que vai substituir um presidente afastado, não pode assustar .

    Uma vez no poder, qualquer um sabe que precisará fazer tudo diferente, além do que não há muito tempo, as próximas eleições estão logo ali, ou seja terá apenas um tiro, não mais do que isso.

    E se não der certo. não sobrará muito para governar, o pais estará arrasado, 50% de queda do PIB em dois será pouco. E ainda teremos quase 200 milhões de famintos. mesmo que a perversidade do governo eleito leve mais de milhões de vidas, até agora já se foram quase 14 mil, isto sem considerar os casos SRAG Síndrome Respiratória Aguda Grave.

  7. Em março, indústria recua em todos os 15 locais pesquisados
    IBGE—Editoria: Estatísticas Econômicas —14/05/2020 09h00 | Última Atualização: 14/05/2020 10h27

    —-Na comparação com março de 2019, a indústria nacional caiu 3,8% em março de 2020,
    com resultados negativos em 11 dos 15 locais pesquisados, mesmo com o efeito-calendário positivo, já que março de 2020 (22 dias) teve três dias úteis a mais do que março de 2019.

    Santa Catarina (-15,6%), Espírito Santo (-14,2%), Rio Grande do Sul (-13,7%) e Ceará
    (-10,5%) assinalaram os recuos mais intensos, pressionados, principalmente, pelas quedas observadas nos setores de confecção de artigos do vestuário e acessórios, metalurgia, máquinas e equipamentos, entre outros.

    Amazonas (-5,7%), Minas Gerais (-4,2%) e São Paulo (-4,2%) também registraram perdas mais elevadas do que a média da indústria (-3,8%). E Pará (-2,4%), Mato Grosso (-2,2%), Goiás (-1,2%) e Região Nordeste (-1,0%) completaram o conjunto de locais com índices negativos nesse mês.
    Por outro lado, Rio de Janeiro (9,4%) e Bahia (5,8%) apontaram os avanços mais intensos em março de 2020, impulsionados, em grande parte, pelo comportamento positivo vindo das atividades de indústrias extrativas, no primeiro local; e de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, no segundo. Paraná (1,6%) e Pernambuco (1,4%) mostraram as demais taxas positivas.—-

    https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/27683-em-marco-industria-recua-em-todos-os-15-locais-pesquisados

  8. O Agronegócio deixa evidente que o governo precisa apostar e incentivar no empreendedorismo Brasileiro.
    O Brasil precisa de um forte incentivo na sua produção industrial. Sobretudo, focado nas micro e pequenas empresas, onde são gerado sete de cada dez vagas de emprego. Sem renda esse pais não consegui sair da crise.

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