VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! FELIZ ANIVERSÁRIO, PETRÓPOLIS!

Quem acompanha os vôos dessa Ave pela Blogsfera sabe o quanto a história de Etienne me marcou ainda menina. Não conseguia conceber que em meio a um bairro pacato dessa cidade, nos porões de uma casa, se cometiam tantas atrocidades. Hoje soube da decisão do Juiz pelo post de Damous. Sim, a morte e a morte de Etienne. Vergonhoso! Revoltante ler os fundamentos que levaram a essa decisão. Recebi de um amigo a nota de repúdio da Comissão da Verdade de Petrópolis, publicada no dia 10 de Março que replico aqui.

NOTA DE REPÚDIO

NO DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES, INÊS ETIENNE ROMEU TEM SUA MEMÓRIA VIOLADA

A Comissão Municipal da Verdade de Petrópolis vem a público repudiar a decisão tomada no dia 08 de março pelo Juiz Alcir Luiz Lopes Coelho, Titular da 1ª Vara da Justiça Federal de Petrópolis, de rejeitar a denúncia por sequestro e estupro, oferecida pelo Ministério Público Federal, contra Antônio Waneir Pinheiro de Lima, o Camarão, antigo caseiro da chamada Casa da Morte.

Parte da decisão é baseada na convicção do Juiz de que Inês Etienne Romeu era uma subversiva e não uma das mulheres revolucionárias que lutaram contra a Ditadura Militar no Brasil. A decisão de indeferir tal denúncia, acaba por tratar Inês não como vítima dos crimes cometidos pelos agentes da repressão – onde se inclui Camarão – e sim criminalizar, mais uma vez, aqueles que se colocaram contra as violências cometidas pelas Forças Armadas naquele período.

A Comissão ainda reitera que a Casa da Morte – onde Inês denunciou Camarão de ter sido por ele estuprada como uma das práticas de tortura que lhe foram infligidas – fora um dos mais sórdidos centros clandestinos mantidos pela repressão e seus agentes. Compreendemos a tortura como um crime imprescritível, conforme os indicativos da própria Corte Interamericana de Direitos Humanos, representando delito de lesa-humanidade. 

Rejeitar esta denúncia, com bases fundadas em uma justiça de reconciliação, indica, além do distanciamento da história com a memória daqueles que enfrentaram os anos de chumbo, a impossibilidade da sociedade entender que a violência contra a mulher fora repugnantemente praticada pelos agentes da repressão.

Assim, repudiamos veementemente a decisão do Juiz e consideramos que a luta e memória de todos, especialmente das mulheres que tombaram ou lutaram por toda uma vida, seja eternamente lembrada e nunca criminalizada.

Inês Etienne Romeu e todas as mulheres que viveram uma vida de luta, presentes! Agora e Sempre!

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