5 de junho de 2026

VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! FELIZ ANIVERSÁRIO, PETRÓPOLIS!

Quem acompanha os vôos dessa Ave pela Blogsfera sabe o quanto a história de Etienne me marcou ainda menina. Não conseguia conceber que em meio a um bairro pacato dessa cidade, nos porões de uma casa, se cometiam tantas atrocidades. Hoje soube da decisão do Juiz pelo post de Damous. Sim, a morte e a morte de Etienne. Vergonhoso! Revoltante ler os fundamentos que levaram a essa decisão. Recebi de um amigo a nota de repúdio da Comissão da Verdade de Petrópolis, publicada no dia 10 de Março que replico aqui.

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NOTA DE REPÚDIO

NO DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES, INÊS ETIENNE ROMEU TEM SUA MEMÓRIA VIOLADA

A Comissão Municipal da Verdade de Petrópolis vem a público repudiar a decisão tomada no dia 08 de março pelo Juiz Alcir Luiz Lopes Coelho, Titular da 1ª Vara da Justiça Federal de Petrópolis, de rejeitar a denúncia por sequestro e estupro, oferecida pelo Ministério Público Federal, contra Antônio Waneir Pinheiro de Lima, o Camarão, antigo caseiro da chamada Casa da Morte.

Parte da decisão é baseada na convicção do Juiz de que Inês Etienne Romeu era uma subversiva e não uma das mulheres revolucionárias que lutaram contra a Ditadura Militar no Brasil. A decisão de indeferir tal denúncia, acaba por tratar Inês não como vítima dos crimes cometidos pelos agentes da repressão – onde se inclui Camarão – e sim criminalizar, mais uma vez, aqueles que se colocaram contra as violências cometidas pelas Forças Armadas naquele período.

A Comissão ainda reitera que a Casa da Morte – onde Inês denunciou Camarão de ter sido por ele estuprada como uma das práticas de tortura que lhe foram infligidas – fora um dos mais sórdidos centros clandestinos mantidos pela repressão e seus agentes. Compreendemos a tortura como um crime imprescritível, conforme os indicativos da própria Corte Interamericana de Direitos Humanos, representando delito de lesa-humanidade. 

Rejeitar esta denúncia, com bases fundadas em uma justiça de reconciliação, indica, além do distanciamento da história com a memória daqueles que enfrentaram os anos de chumbo, a impossibilidade da sociedade entender que a violência contra a mulher fora repugnantemente praticada pelos agentes da repressão.

Assim, repudiamos veementemente a decisão do Juiz e consideramos que a luta e memória de todos, especialmente das mulheres que tombaram ou lutaram por toda uma vida, seja eternamente lembrada e nunca criminalizada.

Inês Etienne Romeu e todas as mulheres que viveram uma vida de luta, presentes! Agora e Sempre!

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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