“Vozes do Silêncio”: organizações lançam movimento contra a violência do Estado

Com o resgate da verdade e da memória sobre os reiterados atos de violência do Estado praticados no Brasil, ato quer contribuir com a luta pelo fim da impunidade, pela não repetição e pela promoção da Justiça

Da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão

Dar resposta às milhares de vozes que ecoaram ao final da 1ª Caminhada do Silêncio – realizada em São Paulo (SP) – contra a violência perpetrada pelo Estado brasileiro durante a ditadura militar.

Com este objetivo será lançado na próxima segunda-feira (24) o movimento “Vozes do Silêncio contra a Violência de Estado”, que busca preservar a memória e revelar a verdade para evitar que se repitam as violações de direitos humanos cometidas durante o período ditatorial e garantir que novos episódios não ocorram frente ao atual contexto político.

A iniciativa de realização de um ato público para o lançamento do movimento e a divulgação de seu manifesto é da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos; do Núcleo Memória, da Pontifícia Universidade Católica (PUC); e do Instituto Vladimir Herzog. A ação conta com apoio da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC/MPF); da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo (SMDHC); da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/SP); do Comitê Paulista de Memória e Verdade; e dos DCEs da PUC/SP e da Universidade de São Paulo (USP), bem como da TV PUC que transmitirá o evento ao vivo pelo Youtube.

A atividade terá início às 19h com uma retrospectiva demonstrando a reiteração e a perpetuação das práticas violentas de agentes do Estado. Na sequência, serão divulgados os pontos do “Manifesto Vozes do Silêncio”, que destacam a necessidade de medidas de combate à impunidade. As “Vozes” pedem providências urgentes que vão desde a colocação em pauta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) 153 e de outras ações que tratam da reinterpretação da Lei de Anistia até a aprovação de um protocolo nacional para sepultamento dos chamados “indigentes”. Isto porque a impunidade do passado e a ausência de parâmetros mínimos para rastreamento de corpos são fatores fundamentais para que a violência estatal continue sendo perpetrada.

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Após a leitura do manifesto, será realizada a primeira exibição pública do curta metragem “I Caminhada do Silêncio em São Paulo”, dirigido por Camilo Tavares e que aborda o evento realizado em 31 de março de 2019 no Parque do Ibirapuera. Camilo Tavares é o mesmo diretor do premiado documentário “O Dia que Durou 21 anos”. Na sequência haverá apresentação musical com Renato Braz e convidados que incluem Eduardo Gudin e Vicente Barreto.

O evento será realizado no Teatro da Universidade Católica de São Paulo (Tuca). Para participar, é necessário inscrever-se por meio de formulário eletrônico. As entradas deverão ser retiradas entre 14h e 18h30, período no qual serão distribuídas senhas para quem não se inscreveu previamente, com prioridade para idosos e pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Vale ressaltar que as vagas são limitadas a 670 lugares e que o evento contará com tradução simultânea por intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) e de especialistas em audiodescrição.

Serviço 
Movimento “Vozes do Silêncio contra a Violência de Estado”
Entrada gratuita
Data: 24/06/2019
Horário: 19h
Local: Teatro da Universidade Católica de São Paulo (Tuca) Rua Monte Alegre, 1.024, Perdizes, São Paulo/SP

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