Xadrez da Lava Jato e da guerra contra as milícias, por Luis Nassif

O primeiro passo é entender que se tem um país com instituições em ruínas

O primeiro passo é entender que se tem um país com instituições em ruínas. A normalidade democrática de um país depende da Constituição, do conjunto das leis, mais que isso, das práticas democráticas consolidadas.

Essa institucionalidade foi rompida pelo impeachment e pelo papel do STF (Supremo Tribunal Federal) levando ao desmonte dos partidos políticos, à desmoralização das instituições, dentre as quais o próprio STF, germinando esse monstro da Lagoa – os Bolsonaros.

Mas não foi em decorrência de um movimento organizado. Foi uma onda de dejetos arrastando tudo o que encontrou pela frente, sem nenhum laivo de racionalidade.

A obsessão do juiz com o espelho e com os selfies

Justamente por isso, não existem alianças duradouras nem poderes consolidados nessa maionese política. Cada grupo age de maneira oportunista, ocupando vácuos de poder  de forma intimidatória, personalista, muitas vezes expondo-se com uma vaidade ridícula, já que esse tipo de desordem estimula o exibicionismo das personalidades mais desequilibradas – que não são mais contidas pelas regras implícitas em um ambiente civilizado.

Peça 1 – os poderes de Estado

Entendido esse pano de fundo, vamos ao nosso mapa das guerras.

Nele, estão os três poderes, o Executivo, representado pelos Bolsonaros, o STF (Supremo Tribunal Federal) e o Congresso Nacional. Incluí também duas instituições com poder de Estado: a Procuradoria Geral da República e as Forças Armadas. E o chamado quarto poder – a mídia, como braço político da entidade chamada mercado.

Finalmente, as organizações que disputam o poder de forma não-institucional, as Lavas Jatos – já que não pode ser entendida como uma organização única – e duas duas organizações clandestinas: as milícias sociais e as milícias reais.

Peça 2 – a fonte de poder da aliança Bolsonaro-Lava Jato

Comemoração de Bolsonaro com condução coercitiva de Lula em 2016

A estrutura de poder atual, que está indo a pique, é uma aliança entre a Lava Jato (especialmente a do Paraná e do Rio de Janeiro) e os Bolsonaros, pactuada na indicação de Sérgo Moro para Ministro da Justiça, depois do apoio fundamental que deu para a eleição de Bolsonaro.

Leia também:  Fora de Pauta

Aliás, já em 2016 Bolsonaro foi previamente avisado da condução coercitiva de Lula, dando tempo para ir pessoalmente comemorar a vitória com os aliados da Lava Jato.

A principal arma da Lava Jato-Bolsonaros são as delações premiadas e o vazamento seletivo de informações.

Os vazamentos tornaram-se armas políticas graças a dois disseminadores: a estrutura de repórteres-policiais-repórteres que cobriam a operação; e, mais efetivo, as milícias sociais.

Na fase de consolidação, seu grande trunfo foi o combate ao PT e ao Lula. No plano econômico, a promessa de desmonte do Estado e, especialmente, de reforma da Previdência, com a conta caindo sobre o Regime Geral.

Esse ciclo acabou.

A pá de cal foi a revelação da intenção da Lava Jato em criar uma fundação para administrar R$ 2,5 bilhões de multas pagas pela Petrobras ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, os Bolsonaros empreendiam um trabalho inédito de destruir a própria reputação, resultando na mais rápida queda de popularidade de um presidente da República desde que começaram as pesquisas sobre o tema.

Com esse suicídio político, comprometeram o segundo trunfo: a reforma da Previdência.

A Lava Jato se expos definitivamente quando o STF decidiu dar prioridade à Justiça Eleitoral, a Procuradora Raquel Dodge investiu contra a tal fundação, a imagem de Sérgio Moro começou a se enfraquecer por sua submissão a Jair Bolsonaro, e especialmente a Lava Jato do Paraná ficou sem alpiste para a imprensa, pelo esgotamento do ciclo Petrobras.

Encerra-se o período  da Lava Jato como poder absoluto e começa um novo ciclo. É por aí que se entende a nova etapa política: a guerra declarada de facções políticas contra o Estado.

A Lava Jato reedita um fenômeno que aconteceu na ditadura, quando, com a derrota do general Silvio Frota, os porões perderam a possibilidade de ascender ao poder: a disseminação de atentados. Repete-se o ciclo, sem a eliminação física dos adversários, mas com o uso intensivo e delações e redes sociais para liquidar a reputação dos críticos.

Prenuncia-se guerra sangrenta.

Peça 3 – os tiros no pé da Lava Jato

O Supremo reagiu com a decisão de Dias Tofolli de abrir investigações contra milicianos sociais e procuradores que alimentavam os ataques contra a casa, entregando a relatoria a Alexandre de Moraes.

Leia também:  Bolsonaro defende armamento da população para fins políticos: "evitar golpes"

Para comprovar, nesses tempos bicudos, que a defesa da lei tem que, sempre, ser feita à margem da lei, Moraes aproveitou as investigações para investir contra tuiteiros críticos dele. Milícias sociais são organizações secretas, coordenadas por pessoas ocultas, que difundem ameaças e ataques à reputação. Moraes incluiu em seu pacote dois advogados críticos do STF, que até podem ser processados por exageros de linguagem, mas que não se enquadram de forma alguma no conceito de organização clandestina. Raios! A maior força do STF é agir dentro dos limites de seus poderes (que são amplos) e o sujeito resolve tirar sua casquinha!

A resposta da Lava Jato foi pior ainda. Numa ponta, os procuradores do Rio de Janeiro requisitando, e Marcelo Bretas autorizando ,mais um espetáculo midiático com a prisão do ex-presidente Michel Temer.

Temer condecora o juiz Sérgio Moro

Pouco importa se Temer simboliza o mais nefasto esquema de corrupção da história contemporânea. Afinal, tornou-se presidente graças ao apoio da Lava Jato e retribuiu com honrarias a aliança. Mas sua prisão reforçou a imagem da Lava Jato acima da lei.

A segunda bobagem foi o vazamento – pela Lava Jato Rio – de delações premiadas comprometendo um assessor direto do Ministro Luiz Fux. Atirou no próprio aliado, com duas consequências óbvias: se continuar apoiando indistintamente a Lava Jato, Fux passará recibo sobre as chantagens sofridas; os demais Ministros que provavelmente foram alvos de chantagens semelhantes, passam, agora, a caminhar sobre terrenos pantanosos.

Aqui há comprovação factual do que vínhamos apontando há tempos no GGN – Ministros do STF alvos de chantagem de movimentos de ultradireita apoiadores da Lava Jato.

A truculência da última operação conseguiu comprometer a reforma da Previdência e despertar um espírito de corpo do Congresso que supunha-se sepultado pela desmoralização da casa. As críticas vieram de Tasso Jereissatti, senador do PSDB que sempre foi cintrario à aproximação do partido com Temer.

Leia também:  Advogados desmentem Moro: era "seco" e não ofereceu contato por Telegram

A repetição da truculência escancarou mais ainda a falta de limites da Lava Jato, mas em um momento em que não dispõe mais da blindagem anterior.

Peça 4 – a guerra mundial

Agora, entra-se em um cenário de guerra. Aí entram os fantasmas no sótão, com cada poder podendo mostrar seus músculos, mas tendo de refletir sobre suas vulnerabilidades.

Dois dos principais instrumentos da aliança Lava Jato-Bolsonaro estão sob escrutínio: na Internet, as milícias sociais investigadas pelo STF; no Rio de Janeiro, as ligações de Bolsonaro com as milícias reais, que estão emergindo nas investigações do Ministério Público Estadual .

Mas os fantasmas no quadro mostram as vulnerabilidades de cada parte.

Lava Jato – Na hora em que quiser, o Congresso poderá abrir uma CPI da Lava Jato. Existem indícios à vontade, seja no caso da fundação ou da indústria da delação premiada, tanto no Paraná quanto no Rio de Janeiro.

STF – há pelo menos quatro Ministros expostos a pressões de chantagem, conforme já publiquei aqui.

Congresso – dezenas de parlamentares investigados, denunciados. E a possibilidade de críticos serem incluídos em alguma nova delação, por imposição de procuradores. Mas, à esta altura, com o estratagema sendo gradativamente desmoralizado por excesso de uso.

Há rigor, há duas instituições sem fantasmas: a Procuradoria Geral da República (gestão Raquel Dodge) e o Alto Comando das Forças Armadas – os militares da ativa.

Toda essa movimentação fortalece a ideia de um pacto democrático, juntando setores dos mais diversos, dos partidos de esquerda aos partidos liberais-conservadores, que entenderem que a luta maior é entre civilização e barbárie.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

37 comentários

  1. A recuperação das instituições passa pelo esvaziamento da lava jato. Para isso ao longo de 2019 tem que manter essa maioria apertada no STF (Lewandowski, Marco Aurélio, Celso de Mello, Toffoli, Moraes e Gilmar) para combater os abusos dos lavajateiros. Temos do outro lado quatro ministros que são reféns das ameaças que sofreram por problemas particulares (Fux, Carminha, Barroso e Fachin) e a Rosa Weber que não tem inteligência emocional para suportar pressão. No final do próximo ano essa correlação de força será fortemente afetada com a saída de Celso de Mello e a entrada de um ministro Bolsonarista. A única esperança é o Senado não referendar alguém da lava jato. Assim, o resgate da democracia brasileira passa pela maioria apertada do STF em 2019 e a possibilidade de veto no Senado da indicação de algum lavajateiro para o STF em 2020.

  2. A questão crucial é o medo que campeia por algumas das instituições mencionadas no xadrez, especialmente pelo STF, que possui em mãos o poder que lhe foi concedido pela Constituição Federal para zelar por ela e nada mais. Brandi-la acima de todos e de tudo é a função precípua deste poder especialíssimo, o qual deveria compreender que os sentimentos de inquietação e perigo que tem sofrido podem ser imaginários, frutos de reles achacadores que têm como arma incutir mentiras naqueles que presumem serem covardes. Que levantem as cabeças, senhores ministros, e mirem o futuro da nossa e das gerações que se seguirão! Lobisomens não existem.

  3. Chama muito a atenção no texto a afirmação de que pelo menos quatro ministros do STF estão sendo chantageados. Registre-se: no texto são mencionadas chantagens, não ameaças às suas vida ou às suas famílias.
    Ora, só cede a chantagem quem tem culpa. Então, estes ministros não são dignos de pertencer à mais alta corte do país. Ou deveriam ser afastados ou sequer admitidos.
    Supremo isento constituição respeitada e com as forças armadas cumprindo seu papel de defensores da constituição teríamos um país estável e progressista.

  4. Deveriam criar uma lei com esse princípio:”Se tirou foto com armas é bandido”.
    Muita dor de cabeça seria evitada.

  5. Acredito que se a mídia trabalha se em pro da população os fatos não seriam retorcidos do jeito que são, digo mais os poderes não estão nem aí pra população ,

  6. Esse pacto passa, necessariamente, pela libertação de Lula e pelo fim da perseguição ao PT. Ou seja, o reconhecimento, por parte dos liberais de centro e direita, do enorme equívoco do golpe. Isso, por sua vez, significa aceitar que o PT não foi destruído e que, provavelmente, vencerá as próximas eleições. É muito difícil, mas sem isso não há pacto.

    • É isso.

      Mas ainda há um problema adicional. Cadê os “liberais de centro e direita”? Os que não aderiram ao capetão, estão perdidos e isolados, não tem voto nem representatividade, perderam as eleições para a Câmara e para o Senado. Então ainda há esse problema: conversar com quem?

  7. O titulo desse xadrez poderia ser também A Guerra entre as Instituições. Observando o jogo, vê-se que estão todos lutando pela propria sobrevivência e a do Estado Democratico em vista da atua quadra, na qual ninguém pode prever ainda qual rumo de fato o Pais tomara nas proximas décadas. Advém dai a ferocidade exarcebada dessa luta que se mostra capital para sabermos se voltamos ao estado democratico de Direito ou se partimos com milicias, lava jato, torquemadas e falsos profetas rumo à barbarie.

  8. Algumas pessoas têm a ilusão de que apenas o Brasil, dentre as nações ocidentais, vive essa crise institucional, ou melhor, essa guerra. Mas o fato é que país nenhum suportaria o ataque do tipo que foi feito pela lava jato. Os mentores desse ataque, os EUA, sabem tanto disso que pisam em ovos lá para atacar Trump e mais ainda os poderosos Clinton. Sabem eles que não sobraria pedra sobre pedra, como disse uma certa presidenta. Na Argentina a guerra também já está declarada e o país entrando em default.
    O sistema judicial brasileiro quer impor sua visão de bastião das virtudes, porque da democracia eles nunca foram. Tal como qualquer regime totalitário, não aceitam o contraditório. Isso foi o que nos trouxe à guerra.

  9. Como o prazo para se chegar a um caráter digno nessas instituições e, consequentemente, acabar com esse jogo espúrio, é muito longo, tenho a impressão de q nada de novo haverá no horizonte. Talvez, quem sabe, a falência do bolsonarismo, o q seria um notável progresso.

  10. Carlos Elisio, seu comentário seria o mais correto se vivessemos em uma democracia de fato e de direito. Todos sabemos que democracia não existe quando o poder econômico é cultuado pela mídia e pela justiça com a conivencia de boa parte da sociedade. Ignorar que a própria Constituição está sendo desrespeitada para atender o interesse do poder econômico é pura hipocrisia.

  11. A FIESP está convocando 500 empresarios para uma reunião com o General Mourão nessa terça feira.Essa é outra alternativa de aliança.

  12. Militares, STF e PGR podem estabelecer um pacto, mas não exatamente contra a barbárie e pela civilização, e sim pela própria sobrevivência, pois, a continuar o processo em curso, o Estado tende a desaparecer, levando consigo todos os privilégios que desfrutam. Para essas instituições, a civilização é um conceito bem restrito, no qual não se inclui a maior parte da população brasileira.

  13. Por falar em medo e chantagens, talvez exista um elemento ainda a ser analisado no item Guerra Mundial: “Líder do PCC e mais trãs integrantes da facção criminosa foram transferidos nessa sexta (22/3) para o Presídio Federal de Brasília. Decisão do Ministério da Justiça desagradou políticos.” Não é perigoso o Marcola em Brasília próximo aos três Poderes ?

  14. Na verdade as instituições apodrecida, conseguiram levar junto para o esgoto da vaidade a única que teoricamente seria a verdadeira guardiã da Constituição Federal, ou seja o exército brasileiro, que, depois de anos recolhido, se meteu na política e está perdendo sua credibilidade, com generais falando e endossando planos mirabolantes e fantasias para agradar seguimentos. E ainda tem BOSSAIS no governo que critica o cidadão que cansou de tanta desordem e vai buscar uma nova vida em outros países.

  15. Mais bandido que mocinhos neste faroeste Nassif, puro espetáculo chulo iniciado no “vem pra rua 2013” ficou muito mais difícil evolução civilizatória que agora depende de cada brasileiro individualmente. Você faz sua parte com louvor. Abaixo milícias, lava jato, e mídia fake, Lula livre.

  16. Engraçado os caras roubam, roubam e aínda se fala em estado de direito e o estado de deveres, não existe? E os direitos do povo a saúde, educação de qualidade que são negados através do péssimo atendimento do Estado isso esses catedráticos não defendem, mas correm para defender os corruptos que roubam os cofres públicos a tantos anos

  17. Nassif, aponta aí quem do campo liberal conservador “entendeu” que se trata da oposição civilização x barbárie, quem sao? Seus clamores nao serao atendidos, Nassif; todos se comprometeram com o golpismo, uns por convicção, outros por intimidação e outros mais por oportunismo. Já passaram do ponto de retorno há muito e muito tempo.

  18. Como eu disse antes, nos EUA eles não exporiam o país a tamanha humilhação mundial. Acaba de sair o relatório do procurador sobre o Russiagate, que investigou a suposta relação entre Trump e o Kremlin para a eleição do primeiro. É óbvio que não houve indiciamento de Trump nem de ninguém, pois os EUA jamais admitiram que Putin tem o poder de melar as instituições estadunidenses. Só procuradores vira-latas abrem mão da defesa da imagem do seu país. E é nesse buraco que nos encontramos.

  19. éaciviliaçõ
    ou a barbárie.
    é Tanatos (morte apregoada cotidianamente pela direita cruel)
    ou a vida…
    é o arrocho (politica de exclusão)
    ou a paz da inclusão social…
    éoestado de exceção
    ou lula livre
    – síntese de todas as lutas. –
    para retomarmos
    essa politica de inclusão social…

  20. AS MILÍCIAS DOMINARAM O TRÁFICO DE DROGAS NO RIO DE JANEIRO E TÊM PLANOS MUNDIAIS DE EXPANSÃO,JORNALISTAS ESTRANGEIROS DENUNCIEM ISSO PQ SENÃO ESTES LOUCOS MAFIOSOS PODEM DESEMBARCAR EM SEUS PAÍSES!!

  21. O problema é quem poderá vir a ser aquele que vai dar o norte para as instituições?
    Não haverá uma sobrevivência para o Brasil como nação, se não houver o entendimento do PT sobre o quadro que temos.
    No ritmo que vamos milhões de brasileiros pobres serão jogados na ignorância, no sofrimento ou morte!
    Isso devido ao sucateamento das opções que têm cidadãos sem o Estado, que privilegia o juros sobre o resto da economia.
    A elite não mudará seu pensamento.
    A única solução que vejo, é que o PT faça um gesto e realize trabalhos em conjunto para estruturar as relações entre elite e povo.
    Apesar da reforma trabalhista, muito empresários ainda não aderiram a ela, isso mostra sentido destes empresários com a sociedade, não exclusivamente com seu lucro!
    Ainda há tempo e pessoas que podem compor!
    Os Bancos, o sistema financeiro têm que funcionar como no resto do mundo, as mídias também!
    Os militares precisam aprender a serem nacionalistas (Doido ter que dizer isso!)
    Não há instituição que possa reivindicar para si essa tarefa.

  22. Nassif, procuro não perder um de seus artigos em formato Xadrez. Você constrói cenários muito claros e plausíveis.
    Contudo, pode até ser mera impressão minha, mas não é a primeira vez que tenho a sensação de que você passou um recado a setores do Governo.
    Claro que tudo o que você expõe, ao ser lido por setores governamentais, pode fazer girar algumas engrenagens internas. E, óbvio, considero esse seu papel fundamental.
    Mas não é a isso que me referi acima.
    O recado que imagino que você passou é o de uma possível aliança PGR x Alto Comando das Forças Armadas.
    Se a Dodge e os militares ainda não haviam pensado nisso, agora pensarão. Especialmente porque você os colocou, praticamente, como os últimos baluartes capazes de alguma ação ou reação que possa trazer algum benefício ao país.
    Também não significa que essa aliança se concretizará, pois podem existir motivos que não alcançamos. Melhor, você ainda não teria alcançado.
    Os próximos dias dirão.
    Um abraço

  23. Excelente comentário
    Concordo com os comentários
    Entendo que o desfecho se dará com uma ruptura institucional
    Com o Congresso fragmentados, os partidos desmoralizados, a ausência de compromisso dos eleitos com os eleitores e com os partidos e a profusão de forças com descompromisso para com a sociedade e o estado o país está a deriva

  24. Nassif é sempre preciso ao decodificar o discurso da dissolução do conjunto de discursos que existem sobre e a partir do(s) representante da de poder(es) instalados no Brasil, e que degradam nosso país, praticando equívocos, através de jogos políticos sem bom senso e sem limite algum – comanda a nação um contingente de pessoas irresponsáveis, cuja “(des)vontade política” só faz prejuízo às pessoas de bem deste país. Bravo, Nassif. Você, com sua voz, suas opiniões precisas, me representa.
    Rosa Manchesski

  25. Eu penso que o Alto Comando das FFAA também pisou na maionese e perdeu a condição moral de ser um dos fiadores desse esforço de retomada da normalidade democrática e do estado de direito, com base na Constituição. Seu papel foi decisivo na eleição de Bolsonaro via pressões sobre o Congresso e o STF. A gratidão expressa por Bolsonaro ao general Vilas Boas, na cerimônia da posse, soou como um ato falho.

  26. Faltou citar a existência de uma terceira milícia: a própria LAVA A JATO (me recuso a escrever lava-jato)

  27. A análise é competente, as usual. Todavia, chamo a atenção para dois aspectos que ficaram à margem.
    Não esqueçamos que o plano político da Lava Jato tinha como objetivo, ao destruir o PT e prender Lula, restabelecer a hegemonia tucana no Brasil. Bolsonaro foi plano B. Este aspecto, aparentemente irrelevante para o momento, adquire especial importância no desenrolar das coisas no plano político.
    O PSDB está órfão de um candidato viável para 2022, ou antes a depender da duração do próximo governo. Apesar dos pesares, Moro ainda pode ser uma alternativa nos plano tucanos. É politicamente tosco, intelectualmente limitado e, em suma, é um Bolsonaro envernizado. Mas ainda tem uma reserva eleitoral composta dos “coxinhas de raiz”, “lavajateiros” e assemelhados, sem esquecer que é sabidamente ao gosto do mercado. Logo, tem potencial para ser turbinado no momento certo. Claro, se sobreviver na política até lá, o que é duvidoso, para dizer o mínimo uma vez que o relógio corre contra ele. Fazendo um parênteses, é assombroso como todos nesse governo são autodestrutivos, dispensam a oposição.
    Outro aspecto resta na conclusão do artigo. Citando os “fantasmas” se apontam as fragilidades das instituições representativas dos 3 poderes e são isentadas a PGR e as FA’s. Concordo que a segunda não traz pecados recentes em seu currículo, mas, não é possível saber se por mérito ou porque, nos últimos 34 anos, ficou onde devia, nos quartéis. Quanto à PGR não é possível concordar. Raquel Dodge tem agido por ação e omissão em proteção, no limite, das arbitrariedades e outros pecados menos institucionais dos seu subordinados. Em bom português, não manda nem nos cachorros, quanto mais nos Procuradores Federais que, ante sua complacência, senão apoio, ferem a Lei a bel prazer. No caso da fundação, natimorta graças em grande parte ao GGN e a Luis Nassif, há indícios de delitos sérios além de simples faltas administrativas e, na lógica lavajatiana e joaquiniana, Dodge detinha domínio do fato.
    Entre o corpo do artigo, a ressalva à PGR e às FAs e a conclusão do último parágrafo há um espaço em branco. Um “e se”?
    E se Bolsonaro não sobreviver? Sofrer um impeachment ou renunciar? Ocorrendo antes de 2 anos do início do mandato haverá eleição. Haverá? Ao que tenho lido parece-me que muitos, à sorrelfa e à socapa, pensam que um golpe militar é desejável ao mundo cão dos Bolsonaros. Leio isso nas entrelinhas quando se isenta ou incensa os militares do governo em geral e Mourão, o Autogolpista, em particular.

    • Se Bolsonaro renunciar ou for declaro impedido, assume o Mourão. Não sei de onde têm tirado essa ideia de que tem que ter nova eleição. Já esqueceram do Temer?
      Vago o cargo, assume o vice. Vagando novamente, assumem, sucessivamente, o presidente da Câmara, o presidente do Senado e o presidente do Supremo, os três interinamente e com a obrigação de convocar, aí sim, eleições, se não me engano em 90 dias.

  28. Gostaria que me dissessem quando foi que QUALQUER governo militar(tivemos vários em nossa história) fez alguma que prestasse para o bem do Brasil e dos brasileiros.
    Alguém pode me dizer?

  29. + comentários

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome