Peça 1 – elite, povo e lumpem

Uma das peças centrais do governo Bolsonaro é o desmonte de qualquer forma de proteção social e de regulação capitalista da economia. Embrulha tudo isso na embalagem do empreendedorismo e da liberdade de atuação das empresas.

Mas não se trata nem de um representante da elite, nem do proletariado, nem do empreendedorismo. A divisão é outra: é entre a economia formal e a economia da zona cinza, ou irregular ou criminosa.

Peça 2 – desregulação e economia do crime

Sua última decisão, de proibir que as Juntas  Comerciais comuniquem suspeitas de crimes na constituição de empresas, somado ao apoio às restrições do COAF, visam justamente abrir espaço para a ocupação da economia pelas organizações clandestinas, algumas nitidamente criminosas.

Vão na mesma direção o desmonte da Funai, da ICMBio, a flexibilização dos agrotóxicos pela Agência Nacional de Saude,  a abertura para importação de armas, e a liberação de armas para a população, até temas menores, como a proposta dos Bolsonaro de anular as multas das vans que trafegam em faixa de ônibus no Rio de Janeiro.  Sua última decisão foi permitir a distribuição de gás em botijão semi-cheio e sem  menção  à distribuidora.

Não se pense em motivação ideológica ou qualquer forma de pensamento elaborado. A escola de Bolsonaro são as milícias. Vez por outra, ele vai buscar no neoliberalismo selvagem motes para o desmonte do Estado formal.

Peça 3 – desmonte de toda forma de organização

Assim como em outros movimentos fascistas, Bolsonaro não admite o contraditório ou qualquer forma de organização, seja social seja de corporações públicas.

É o que explica o fim dos conselhos, os ataques às organizações sociais, o fato de colocar Supremo, Procuradoria Geral da República e Lava Jato de joelhos. E também a iniciativa de acabar com as contribuições ao sistema S, ou o processo descontrolado de abertura da economia.

Incluem-se aí as disputas com as corporações públicas, com o Judiciário, especialmente com a elite do funcionalismo público, possível próxima etapa do desmonte bolsonarismo. O golpe final será sobre as Forças Armadas.

Peça 4 – a apropriação dos serviços públicos pelo lumpem empresariado

Uso o termo lumpem empresariado para diferenciar dos setores empresariais modernos e dos tradicionais. São os que exploram nichos como bingo, manicômios, clínicas psiquiátricas, escolas para deficientes e, no caso das milícias, transporte público, construções irregulares em áreas de preservação, venda de gatos e de gás, venda de proteção privada.

A última decisão do governo foi retirar médicos, psiquiatras especialistas e conselhos das decisões sobre saúde mental.

Peça 5 – o preconceito contra os miseráveis e contra a elite

Uma característica da classe média baixa, em seu processo de ascensão econômica, é a ampla ojeriza a qualquer forma de miséria que possa lembrar suas origens, e a revolta contra qualquer grau de hierarquia social, como expressão da revolta pelas humilhações sofridas.

A negação de qualquer forma de solidariedade aos mais pobres é um instrumento de afirmação da sua condição social, de quem saiu da pobreza, mas não chegou a elite.

O resultado é um tipo com profundo preconceito em relação aos mais pobres, é uma repulsa contra os salões da elite, aos quais nunca teve acesso.

A família Bolsonaro enquadra-se perfeitamente nesse perfil. O pai sempre demonstrou uma raiva descontrolada em relação à memória do ex-deputado Rubens Paiva, cujo pai era grande fazendeiro na cidade em que Bolsonaro foi criado.

Por isso, é tolice considera Bolsonaro como aliado das elites. Ele é um representante típico do lumpem. Fica à vontade com o lumpem, as formas de expressão são típicas do lumpem, assim como as demonstrações de machismo, o símbolo fálico das armas, as piadas escatológicas. E o ódio a qualquer forma de conhecimento especializado, visto por eles como um sinal de prepotência do intelectual em relação ao ignaro.

Peça 6 – o horror a qualquer tipo de divergência

O horror à divergência é consequência automática do complexo de inferioridade que os acompanha a vida toda, seja pelas vulnerabilidades de origem, seja pela fraqueza intelectual.

Só confiam nos seus. Dai a exigência de obediência absoluta, que faz os espíritos mais fracos se comportarem de forma vergonhosamente subserviente. Como bem anotou Jânio de Freitas, Bolsonaro tem a compulsão da morte.

Não há saída democrática nesse perfil. A cada dia que passa, mais aprofundará as posturas autoritárias, o atropelo das instituições e das normas, até o confronto final, a hora da verdade, quando se irá conferir se as forças que aglutinou em seu apoio serão superiores ou não ao grande pacto que começa a se formar de resistência às suas loucuras.

 

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...enquanto isso Trump é só sorriso de orelha a orelha.. " As refinarias americanas já respondem por quase 90% de todo o óleo diesel importado pelo país. E hoje cerca de 25% do óleo diesel consumido no país é importado. Por realizar todo o seu transporte via estradas, e ser um dos maiores países do mundo em extensão, o Brasil é um dos maiores consumidores do mundo de diesel e gasolina. Quem controlar a distribuição desses combustíveis no país ganhará muito dinheiro. Agora só falta os americanos adquirirem as refinarias da Petrobras, que não por acaso são as indústrias mais importantes do país, para que o país fique totalmente sob controle dos interesses econômicos e políticos dos Estados Unidos. Na Época Petrobras vende 35% da BR Distribuidora por R$ 9 bilhões Negócio foi fechado hoje, ...via O Cafezinho....

José Carlos Lima

Afirmo e reafirmo: Bolsonaro é encarnação perfeita da nossa classe média, com todos os seus defeitos e nenhuma qualidade. Pior ainda: pelo visto não vai ser fácil parar o trator. Tudo leva a crer que só quando a economia entrar em colapso total, o que pode demorar. Falando nisso: reação? Onde, que não vejo nada. Por enquanto não vi um milimetro de reação. Finalmente, penso que tem duas coisas que o golpe desnudou: 1. O grau do apodrecimento e penetração do pensamento anarco-capitalista em nossas instituições. Tá tudo podre. Tudo. Sinal claro que os governos anteriores, por burrice, ingenuidade ou ignorância, deixaram a coisa chegar nesse ponto. Deixaram o pensamento do capitalismo selvagem se alastrar na administração pública e não fizeram NADA para controlar isso. NADA; 2. Mostrou o quanto nosso povo é ignorante, covarde, canalha, ingrato e burro. Como não tinha vivido a experiência histórica de 1964 eu não tinha dimensão dessas coisas que 2016 deixou absolutamente transparente. Ignorar isso no futuro é assinar o próprio atestado de burrice e deficiência mental. Qualquer projeto de reconstrução nacional tem que levar isso em conta. Tem que preparar o povo para resistir e tem que reformar todas as instituições. Em suma: se o país quiser ressuscitar tem que ouvir mais o Rui Costa Pimenta...

Marcos K

Bolsonaro me lembra o personagem Dona Maria A Louca transformada em macaco em loja de louças emergiundo das trevas em Junho de 2013, quando esse país começou a descarrilhar face a várias ações de caráter conservador : atos de sabotagem contra pessoas e espaços físicos, pautas bombas para impedir a governabilidade da presidenta eleita, Lava Jato partidária, destruição da economia pelas forças golpistas, não reconhecimento do resultado das urnas : ... ...foram 6 anos de intensificação do golpe : 3 de preparaćao (2013-2016) e 3 de execução (2016-2019): no momento a destruição do país enquanto espaço soberano e independente se aprofunda em várias frentes, com Moro se firmando como Sérgio Fleury Moro, agora atacando jornalistas: ....e o filtro ideológico terraplanistas se intensifica através de fakes e da falsificação da história e, pasmem, com apoio da superestrutura formada pelos sistemas midiático, educacional, religioso e judicial..... ....reparem neste filme Fake patrocinado pela Ancine, que a questão dos 20 centavos será aproveitada para dizer que o governo que aí está recebeu apoio já em Junho de 2013, com os atos iniciais que, como sabemos, foram tomados pela malta fascista que aí está : "(...) Criticada por Jair Bolsonaro (PSL) sob alegação de que deve ter um filtro ideológico (...), a Agência Nacional do Cinema (Ancine) autorizou o documentário “Nem Tudo se Desfaz”, do diretor Josias Teófilo, a captar R$ 530,1 mil. “Como vinte centavos iniciaram uma revolução conservadora”, diz o pôster do filme, em referência às manifestações de 2013. Apoiada pela atual gestão do governo federal, a obra em questão, segundo a coluna de Mônica Bergamo na Folha de S. Paulo, já foi divulgada nas redes sociais do filho mais novo do presidente, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Outra proximidade do filme com a família Bolsonaro é que Teófilo é o mesmo diretor de um documentário sobre Olavo de Carvalho, ideólogo do clã. (...)" Conversa Afiada

José Carlos Lima