Movimento 1 – Supremo Tribunal Federal

Os movimentos vão ficando nítidos no Supremo Tribunal Federal.

O presidente Dias Toffoli minimiza possíveis atritos com o setor militar e com a própria Presidência da República. Conclama a união entre os poderes. Chega a minimizar discursos em favor do golpe militar dois dias depois de Bolsonaro receber no Palácio o mais sanguinário dos torturadores da ditadura.

Mas, ao mesmo tempo, coloca os dois inquéritos mais sensíveis nas mãos de Ministros selecionados e trabalhando de forma articulada: anteriormente, o das fake news com Alexandre de Morais, operacional, trazendo como assessores pessoas de confiança da Polícia Civil de São Paulo; agora, o das denúncias de Sérgio Moro a Celso de Mello, o decano mais identificado com o espírito de contenção do Supremo e menos envolvido no festival de intrigas interno.

Mello ressuscitou a autoridade moral perdida do Supremo e levou ao pé da letra e máxima de que todos são iguais perante a lei. Primeiro, acelerou o prazo dos inquéritos. Depois, ordenou a convocação dos militares do Palácio para depor. E incluiu o alerta convencional, que vale para qualquer cidadão: se não comparecerem espontaneamente, serão conduzidos coercitivamente.

Os militares do Palácio chiaram em off, mas nada fizeram em on.

Provavelmente aí deve ter caído a ficha dos Augustos Helenos de que não estão acima da lei.

Movimento 2 – os militares do Palácio

No momento seguinte, reportagens de Brasilia, em off, reproduziam a fábula dos 7 cegos e os elefantes, sustentando que a menção à condução coercitivas irritara “os militares”, por serem confundidos com cidadãos comuns. E isso em um país em que, pouco antes, o Presidente da República mandara demitir o fiscal do IBAMA que o multara por pesca irregular. Ou que a Lava Jato conduziu um ex-presidente, sem que ele tivesse se negado a depor.

A cobertura cega tratou como elefante o que era apenas a presa do bicho. Quem se irritou foi um grupo que poderia ser definido como “os militares do Palácio”. A reunião de sábado passado, com comandantes das Três Forças, desfez de vez a ideia da blindagem militar às loucuras de Bolsonaro.

Cada vez mais os “militares do Palácio” são vistos como grupo que se valeu  do nome das Forças Armadas para invadir o poder civil, usando como legitimação a ideia de manter Bolsonaro sob controle. Quando os Bolsonaros se descontrolaram, permaneceram no cargo e trataram de lutar pelo seu poder de um modo que causaria inveja aos mais pragmáticos representantes da velha política.

Agora, as notícias dão conta de que o bravo general Braga Neto assina documentos colocando na Secretaria da Cultura o maestro que liga rock a satanismo, no Ministério da Educação o político suspeito do centrão. Tornou-se a pessoa incumbida de distribuir o butim do poder entre os piores políticos da República, afetando, com suas atitudes, a própria imagem das Forças Armadas.

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Por todas as indicações, o radicalismo de figuras como os generais Augusto Heleno e Luiz Eduardo Ramos parece não ter repercussão nas Forças Armadas propriamente ditas. E o rompimento com Sérgio Moro rachou o apoio que poderia ter na base das Polícias Militares.

Movimento 3 – as vulnerabilidades fatais de Bolsonaro

Pela resistência no Palácio em entregar o vídeo da reunião de Ministros – mencionada por Sérgio Moro em sua denúncia -, aparentemente o ex-juiz acertou na mosca. Não há o menor sinal de que Celso de Mello vá recuar em suas responsabilidades de juiz do caso.

As alegações do Palácio são conflitantes entre si. Enquanto a AGU (Advocacia Geral da União) alega impossibilidade, devido a temas sensíveis tratados na reunião – mesmo argumento dos advogados de Richard Nixon sobre as fitas de Watergate – a Secretaria de Comunicação explica que não sabe com quem ficou o pen drive. Vão ter que entregar. O Celso de Mello tem em suas mãos a bala de prata: exigir da perícia da PF a totalidade das mensagens de WhastApp do celular de Sérgio Moro, e não apenas as que ficaram na memória do aparelho

Assim como seus assessores, os últimos movimentos de Bolsonaro são puro esperneio.

Conseguiu indicar o delegado geral da Polícia Federal. Mas, pelas primeiras informações, trata-se de um delegado profissional, sem vínculos maiores com a família, assim como o novo superintendente do Rio de Janeiro.

Para Bolsonaro, o único resultado positivo foi demonstrar que o Presidente pode nomear o delegado-geral da PF – aliás, prerrogativa que ninguém negou.

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Em troca:

  1. Acendeu todos os sinais amarelos da PF em relação a tentativas de interferência nos seus trabalhos.
  2. Chamou a atenção geral para todos os processos e suspeitas envolvendo sua família no Rio de Janeiro.

Nesta 5ª, repetiu os movimentos destrambelhados, arrastado – sem aviso prévio a nenhuma das partes – grupo de empresários para pressionar o STF. Ouviu do presidente Toffoli os conselhos de que a guerra contra o coronavirus têm que se dar de forma coordenada com os estado. Aliás, a maioria dos empresários se protegia com máscaras, incluindo o próprio Bolsonaro.

Movimento 4 – as próximas semanas

Nas duas principais frentes públicas – a saude e a economia – não há a menor chance do governo dar certo.

Na Saúde, o Ministro Nelson Teich é um completo jejuno em gestão. Não conseguiu até agora sequer dominar os temas centrais da operação anti-coronavírus. Ou seja, não comanda e não domina os temas. Tornou-se apenas um porta-voz titubeante de conceitos genéricos de saude pública. Hoje foi divulgada a informação de que técnicos de carreira do Ministério da Saude estão sendo substituídos por militares. Vão conseguir desmontar até a incipiente integração conquistada pelo ex-Ministro Luiz Henrique Mandetta com a máquina da saude, que passa a ser comandada por um general especializado em logística e sem nenhum conhecimento das relações federativas, da rede de saude, dos instrumentos que a máquina pública dispõe.

Do lado da economia, Ministério da Economia e Banco Central continuam com as viseiras ideológicas impedindo qualquer solução prática para a crise. Não conseguem articular políticas eficazes de crédito, continuam presos a dogmas monetários há muito revogados pelos fatos.

Tentam contornar sua profunda incompetência gerencial, e incapacidade de diagnóstico eficaz, no isolamento social, sabendo que – pela experiência internacional, quanto menor o isolamento, maior será o período de pandemia, e mais radical será o segundo tempo de isolamento.

Nas próximas semanas, haverá o ápice das mortes de pessoas, empregos e empresas deixando mais nítidas as responsabilidades de Bolsonaro e sua política genocida.

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Movimento 5 – próximos capítulos

Os seguintes movimentos centralizarão as atenções nos próximos dias:

  1. As decisões de Celso Mello, que caminham em direção ao cumprimento estrito da Constituição e das leis. Atenção total a uma possível decisão de ordenar ao departamento técnico da Polícia Federal a perícia total do celular de Sérgio Moro, e não apenas às mensagens dos seus últimos 15 dias de Ministro. Seria a pá de cal no governo.
  2. Os movimentos do Procurador Geral da República Augusto Aras. A rapidez com que encaminhou ao STF a denúncia, mal Sérgio Moro formulou-as, mostra uma preocupação em não incorrer em atos de prevaricação. E, para tal, terá que ser um cumpridor dos pedidos do STF. A prova decisiva será mais à frente se, à luz dos fatos apurados, formulará ou não denúncia contra Bolsonaro. Se persistir a corrosão do poder de Bolsonaro, como nas últimas semanas, vai haver denúncia.
  3. Os movimentos do Congresso. O centrão é limalha de ferro, atraído pelos imãs do poder. Será uma linha de resistência ao impeachment até determinados limites, e obviamente não se deixará arrastar para o fundo do mar com o capitão Nemo-Bolsonaro. Por isso, o ponto central é a disputa jurídico-penal.
  4. Os movimentos internacionais, as condenações dos organismos internacionais e, especialmente, a postura de Donald Trump em relação ao seu discípulo, em um momento em que a imagem de Bolsonaro se tornou internacionalmente o sinônimo do genocida irresponsável.

A esta altura, procuradores de todo o país já devem estar ênfase de colheita dos indícios de malfeitos praticados pela troupe de Bolsonaro, um bando de terraplanistas mal informados.

Encerrada a hora do pesadelo, não haverá como escapar das malhas da lei figuras como o Ministro do Meio Ambiente, da Educação, da Família, da Cidadania, assim como responsáveis diretos pelo genocídio, como Osmar Terra, até chegarem, em um ponto qualquer do futuro, à família Bolsonaro.

 

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24 comentários

  1. Está quase na hora do fora Bolsonaro de verdade !! Será no nosso tempo e não no tempo deles mediante suas provocações!Viva o Brasil !!!

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    • Agora a realidade;
      1.Militares querem é mamar nas tetas!(chup,chup,chup,huuum q gostoso q tá)
      2.”Milhares de pedido de Impeachment e logo algo de Moro é q prospera?(Vamos dominar os dois lados?)
      3.A união com partidos q justamente apóiam! o governo e suas medidas,ou seja,os inimigos q deram um golpe e q querem outro golpe e q TENTARAM passar a rasteira em um partido dito de esquerda.
      4,5,6,7(Deixa pra lá seria muito longo)
      Obs:VCS SÃO TAPADOS OU SE FAZEM MESMO?
      ASS.: José Marcelo-especialista em qq assunto formado pela Faculdade da Vida com doutorado/mestrado em chicote nas costas(a minha)!

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      • Cair nessa é transformar o marreco em heroi nacional…..

        Prendeu Lula, elegeu-se junto com o infeliz que se diz presidente….e por fim, o derruba para assumir a presidencia ele mesmo…..ou seja, traíra e dissimulado nas ultimas…mas é a estorinha que querem passar ao povo, do héroi-traidor-limpinho…….

        Também não caio nessa…..

  2. A questão central é quantificar esse centrão. Quantos congressistas formam esse bloco.
    Diga-se de passagem que apesar do empréstimo do nome, esse bloco não se parece, em quantidade e qualidade, com o seu original.

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    • São cerca de 220 parlamentares de Partidos nanicos. Com as distribuições de cargos de segundo escalão para seus apaniguados e correligionários, Bolsonaro consegue fácil o quórum minimo para que qualquer processo não ande na câmara e por consequência no Senado Federal.
      Qualquer processo a ser aberto, para que seja aceito na câmara, deverá ter não uma ou duas provas cabais. Deverá ser um apanhado de todos os crimes cometidos pelo verme de Brasilia e com as investigações conduzidas pelo STF e PF.
      Os nazi-zumbis-bolsominions estão a pregar e a negar o poder que possui o STF e sua capacidade de conduzir moralmente uma investigação. Pelo que acompanho das opiniões de gente que não reza esta cartilha, é necessário apenas o STF dar o START que rapidamente a população abraça o Fora Bolsonaro!!!

  3. Os militares talvez não esperassem tamanhas estupidezas a terem de lidar, ainda mais atomizadas por esta pandemia. Agora que se lembre que tudo o que estão passando e vão passar deva ser colocado no colo do irresponsável presidente. É o preço de estar no apoio vexatório ao governo que faltosamente (e eles sabem disto) iria consertar o país. Endireitou, mas piorou bastante. Fatura para os militares e polícia para quem precisa. Que qualquer convulsão social que ocorra, seja colocada no colo do irresponsável, que costuma criar confusões em seus finais de semana.

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  4. Terça-feira, 28/04/2020: Bolsonaro [1]:
    – “Eu comecei [a reunião] hoje pedindo uma autorização para eles, porque nossa reunião é filmada, fica lá num chip. Eu falei: ‘Senhores ministros, eu posso divulgar o que eu falei na última reunião de ministros?’ Ninguém foi contra”.
    – “Mandei legendar, talvez tenha chegado no meu WhatsApp, vou divulgar. Tirem suas conclusões. Pra vocês verem como eu converso com meus ministros, de forma franca, aberta, objetiva”.

    Quem edita, põe legendas e publica – no WhatsApp e redes sociais – os vídeos de ataque de Bolsonaro não é o gabinete do ódio, comandando por Carlos Bolsonaro? Por que a SECOM e outro órgão da presidência disseram não estar de posse do vídeo da reunião?
    – – – – – – – – –
    [1] https://www.metropoles.com/brasil/politica-brasil/bolsonaro-promete-divulgar-video-de-ultima-reuniao-com-moro

  5. Partidários do presidente estão programando protesto em frente ao STF, para 08 de maio, paramentados
    O presidente falou hoje em temor de agitações sociais por conta do confinamento.
    O

  6. Previsões da Tia Dina
    Agosto de 2020. Mês do cachorro louco
    Após um inverno rígido, com número de mortos no país na casa dos 45.000.
    Após dois suicídios de participantes desesperados do governo federal, com a piora da crise de saúde, econômica, social Carluxo surta, atira no pai e depois atira contra si, pondo fim ao governo familiar e abrindo caminho para o vice que vai tentar desenrolar a pior crise, nas mãos de um governo militar.

  7. 1. Partidários do presidente estão programando protesto em frente ao STF, para 08 de maio, paramentados.
    2. O presidente falou hoje em temor de agitações sociais por conta do confinamento.
    O que acha o Sr. Nassif sobre a opinião de Juca K. de que a aproximação com o centrão não é para barrar o impedimento do presidente mas, sim, ter os votos necessários pra implementação do estado de sítio?

  8. Gravação deve mostrar algo assustador…
    falta completa de qualquer tipo de planejamento estratégico para encarar as crises na saúde, segurança, educação e na economia

    juntando tudo, fica-se apenas com um amontoado de desejos com viés ideológico e defesa de interesses pessoais de cada ministro para suas respectivas pastas e equipes

    enfim, não planejam porra nenhuma para o país; guiam-se pelo que sai na mídia, mostram-se revoltados com as verdades que são divulgadas sobre cada um e que estão ali para fazer tudo o que seu mestre mandar. E, pra variar, ele só faz merda

  9. DESCULPEM a imagem exacerbada, mas num país (?) onde:
    Se tira uma presidente honesta, RE-eleita democraticamente, através de um processo de impeachment contábil-farsesco, promovido por um bandido presidindo a Câmara.
    Se condena (e prende inconstitucionalmente) um ex-presidente re-eleito, respeitado e celebrado pelo mundo, com a melhor avaliação de governo da História, à mais de 1 quarto de século de prisão, sem crime e sem provas (e vem mais por aí).
    A aberração (®The NYTimes) BolsoNERO (®The Economist) já cometeu inúmeros crimes comuns, de responsabilidade e de decoro da presidência, o que será necessário para impugnar tanta adolinquência?
    Gravá-lo ao vivo estuprando o cadáver de uma criança que acabou de esfaquear até a morte, com 30 testemunhas de todos os partidos???
    O que está acontecendo? Burrice? Covardia? Incompetência? Uma bomba atômica de maconha espalhada da atmosfera do Planalto Central? Um plano escrito nas estrelas de uma entidade da Virginia? (não é a CIA, é o astrólogo Olavo de Car(v)alho)?
    Quando afinal vai acabar a idade média deste tão ricamente miserável país?

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  10. É uma pena que análises tão boas, com as quais se concorda sob a égide da lógica e do bom senso tenham que ser cotejadas com o fato que analisar comportamentos de loucos num hospício infelizmente não obedecem a estes bons preceitos. Exs:
    1) Por que o (des)presidente e sua trupe de (des)empresários e (des)ministros vai ao STF e não se reune com governadores e prefeitos;
    2) Similarmente, por que o (des)presidente não discute com seus auxiliares, seus pares e representantes das instituições que existem para governar o país efica debatendo b@b@quices com fanáticos alucinados (e combinaods? num cercadinho nos portões do palácio, ignorando ou agredindo a imprensa a que deve satisfações como ponte com o povo.
    3) Como dito no post, a discussão não SE ele PODE nomear ou não, mas POR QUE (des)nomear, principalmente neste grave crise sanitária e econômica. É apenas seu conhecido DISTRACIONISMO, que distorce o foco de todas as discussões. Por ex., já fugiu da discussão da gripinha, da cloroquina…
    4) O papel mais relevante de um ministro da Saúde, já no terceiro mês de pandemia no braZil é tão evidente: PROVIDENCIAR RECURSOS (testes, leitos, respiradores, Epis, médicos, enfermeiros, mapeamentos, operações funerárias, fundos, etc.) e COORDENAR COM (e não contra) os estados e municípios.
    5) A PGR de Aras até o momento foi 100% fiel e obediente a quem o indicou, (embora não possa por ele ser exonerado). Se está está apenas preservado imagem, “armando” um arquivamento ou ambos, não sabemos. Mas saberemos em breve de sua independência e retidão…
    6) Esta aberração (®The NYTimes) que (des)governa o país é criticado abertamente pelo mundo afora, sendo a última a tradicional e conceituada revista Britânica LANCET, que alerta sobre o perigo que é BolsoNERO (®The Economist), uma vergonha eleita como um dos piores do mundo e recorrentemente ressaltada por outras publicações “comunistas” internacionais como The Washington Post, Financial Times, The Guardian, El País, Deutsche Welle, Le Monde, Clarín, Asian Times e outros. É muita vergonha!
    7) Para fechar, vou deixar um vídeo em maçonaria, de 2017, sobre nossa alternativa à “isso”: Mourão…

    https://www.youtube.com/watch?v=p54iVJoKUVs

  11. O articulista André Araújo do GGN costuma dizer que o acaso é quem constrói a história.

    Pensando nisso, lembrei-me da avaliação de muitos analistas políticos, segundo a qual a facada foi responsável pela eleição do atual presidente.

    Continuando nas contingências, talvez uma pandemia seja responsável por sua queda.

    Enfim, dois eventos aleatórios podem ser determinantes para o início e o fim da atual tragédia em que o Brasil se encontra.

    E aqui, cabe um parêntese. Pois, numa perspectiva histórica mais ampla, creio que a posse do atual presidente seja fruto da profecia, segundo a qual a história se repete como farsa. Pois, nessa perspectiva histórica mais ampla, o atual presidente é filho do “mensalão do PT”, da “república de Curitiba” e do “golpimpeachment” em Dilma. Assim como os militares de 64 são fruto do “mar de lama” de Getúlio e da “república do Galeão” e das várias tentativas impedir as posses de JK e Jango. Aí, muitos alegarão e com razão. Ah, mas a gestão dos governos militares não se compara com a do atual governo. Sim. Daí a farsa. Fecha o parêntese.

    Retomando. A relação entre a pandemia e a possível queda do atual governo está na estratégia discursiva do presidente, regida sempre pelo conflito.

    Assim, quando o mundo e o Brasil se depararam com uma pandemia e todos lançam mão do discurso: temos que salvar vidas. Ao presidente, que sempre opta pelo conflito, resta o discurso: temos que salvar a economia.
    E qual é o problema dessa estratégia discursiva?

    É que a retórica “salvar vida” significa maior isolamento social, menor propagação e maior controle da doença e, consequentemente, volta mais rápida à normalidade. A ponto de alguns países que adotaram fortemente essa estratégia já estarem comemorando a marca de nenhum caso novo.

    Por outro lado, a retórica “salvar a economia” significa voltar imediatamente à normalidade. E isso gera maior interação humana, explosão da pandemia, caos social e sanitário e uma retomada econômica mais lenta.

    Mas, se isso acontece, porque o discurso do presidente tem tanta força, ao menos no curto prazo?

    Isso ocorre por dois motivos.
    Primeiro, porque seu governo, estrategicamente, retarda todas as medidas econômicas para o enfrentamento da doença, forçando a sociedade a voltar à normalidade. Segundo, porque quanto maior o isolamento social, no curto prazo, menor será a propagação da doença e o número de infectados e, assim, mais as pessoas acreditarão que o isolamento não é necessário e que a doença não é perigosa.

    Logo, no curto prazo, as medidas de isolamento social, contraditoriamente, ao trazerem resultados positivos acabam reforçando o discurso oposto, de que o isolamento social é dispensável e que o mais importante é o retorno à normalidade para recuperar a economia.

    Porém, conforme já exposto, voltar à normalidade antes do controle da pandemia faz com que o vírus volte a se propagar com força. E, assim, maior será o tempo necessário de isolamento social e, consequentemente, pior será o desempenho econômico.

    Perceberam o problema que uma pandemia imponderável cria numa estratégia discursiva de uma nota só, de quem sempre opta pelo conflito?

    Em suma, o discurso do presidente é duplamente equivocado. Pois, o discurso contrário, de “salvar vidas” (manter o isolamento social) além de ser socialmente mais aceitável, ao reduzir as vítimas, também é economicamente mais eficaz. Enquanto que o discurso “salvar a econômica” (voltar logo ao trabalho), antes do controle da doença, produz mais vitimas e prejudica o desempenho econômico.

    E aqui, não custa alertar os “economistas” incapazes de resolver uma equação que leva em conta a realidade empírica e tem mais de uma variável. Pois, a equação crescimento econômico, que depende da variável “trabalho”, não existe na realidade sensível sem a variável “coronavirus”. Ou seja, só é possível resolver a equação “crescimento econômico” levando em conta as duas variáveis (trabalho e doença) simultaneamente.

    Posto isso, há uma certeza e uma dúvida.

    A certeza é que essa estratégia discursiva do presidente causará mais mortes e prejudicará o desempenho econômico. A dúvida é saber quanto tempo a sociedade brasileira irá levar para acordar dessa letargia imposta por discurso messiânico do “bem” contra o “mal”, feito por um presidente sádico que atenta contra os interesses de sobrevivência e desenvolvimento da própria sociedade?

  12. No último parágrafo faltou incluir o beato salú das relações exteriores e os generais fascistas do partido da boquinha, helenão à frente.

  13. O decreto de definir as atividades de construção civil e indústria como essenciais são tão genéricos (quais indústrias são essenciais? Quais obras não podem parar por um tempo?), que soam como claras provocações. assim como o “churrasco” na “casa dele.
    Depois da caminhada-assalto ao STF em estilo qangue e da “simpática” coletiva que deu até brincando com um repórter (embora sempre jocosamente), o adolinquente parecia confiante e feliz.
    Será que alguém lhe cochichou alguma garantia do tipo “vai que lhe dou cobertura”?
    Ou estava feliz depois do passeio com os “parças”.
    O que fica evidente é que quer intensificar as provocações até a corda arrebentar.
    A menos que seja mera fanfarronice, nessa tática, já estará pronto para bater.
    Portanto se o oponente não quiser apanhar,
    Precisa arrebentar a corda e já sair batendo.
    Sequer dar chance de reação.

  14. Pressão Internacional—
    O Brasil como país deve unir-se para dar uma resposta clara ao “E daí? “ do Presidente. Bolsonaro precisa mudar drasticamente o seu rumo ou terá de ser o próximo a sair.

    “Perhaps the biggest threat to Brazil’s COVID-19 response is its president, Jair Bolsonaro.” (https://www.thelancet.com/journals/lancet/home)
    COVID-19 in Brazil: “So what?”
    (https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(20)31095-3/fulltext)
    • The Lancet–ditorial| Volume 395, ISSUE 10235, P1461, May 09, 2020
    Published:May 09, 2020DOI:https://doi.org/10.1016/S0140-6736(20)31095-3

    Download .pdf (.25 MB)Portuguese translation of the full text(https://www.thelancet.com/cms/10.1016/S0140-6736(20)31095-3/attachment/c424a26a-9642-469b-b1f3-431955b25a54/mmc1.pdf)
    COVID-19 no Brasil : “ E daí ?” A epidemia do COVID-19 atingiu a América Latina mais tarde do que outros continentes. O primeiro caso registado no Brasil foi em 25 de Fevereiro de 2020. Mas agora, o Brasil tem o maior número de casos e mortes por COVID-19 na América Latina (105 222 infecções e 7288 casos, respetivamente, registado ao dia 5 de Maio), e estes números provavelmente representam uma enorme subestimativa. Ainda mais preocupante é o fato de a estimativa da taxa de duplicação do número de mortes ser apenas de 5 dias, e de o Brasil ser o país com a mais elevada taxa de transmissão (R0 de 2.81), de acordo com um estudo recente do Imperial College (Londres, Reino Unido) que analizou a taxa ativa de transmissão do COVID-19 em 48 países. Neste momento, cidades grandes como São Paulo e o Rio de Janeiro são os principais focos, mas há sinais de que a infecção está se deslocando para o interior dos Estados, onde estão localizadas cidades menores, sem provisões adequadas de leitos com cuidados intensivos e ventiladores. Ainda assim, talvez a maior ameaça à resposta ao COVID-19 para o Brasil seja o seu Presidente Jair Bolsonaro. Quando na semana passada os jornalistas o questionaram sobre o rápido aumento de casos, ele respondeu: “E daí? Lamento, quer que eu faça o quê? Ele não só continua semeando confusão, desprezando e desencorajando abertamente as sensatas medidas de distânciamento físico e confinamento introduzidas pelos Governadores de estado e pelos Prefeitos das cidades, mas também perdeu dois importantes e influentes ministros nas 3 últimas semanas. Primeiro, no dia 16 de Abril, Luíz Henrique Mandetta, o respeitado e estimado Ministro da Saúde, foi despedido na sequência de uma entrevista televisiva, na qual ele criticou fortemente as ações de Bolsonaro e apelou para uma voz de unidade para evitar que os 210 milhões de Brasileiros fiquem totalmente confusos.Depois, no dia 24 de Abril, na sequência da exoneração do diretor geral da polícia federal por Bolsonaro, o Ministro da Justiça Sérgio Moro anunciou a sua própria demissão. Este ministro era uma das figuras mais poderosas do governo de direita do Brasil, nomeado por Bolsonaro para combater a corrupção. Esta desorganização no centro da administração do governo é não só uma distração com consequências fatais no meio de uma situação de emergência de saúde pública, mas também um forte sinal de que a liderança no Brasil perdeu o seu compasso moral, se é que alguma vez teve um. Mesmo sem ações políticas em nível federal, o Brasil teria um desafio difícil no combate ao Covid-19. Cerca de 13 milhões de Brasileiros vivem em favelas, que frequentemente têm casas com mais de três pessoas por cômodo e reduzido acesso à água limpa. Recomendações para distanciamento físico e higienização são praticamente impossíveis de seguirnestas condições. Mesmo assim, várias favelas se organizaram para implementar medidas da melhor forma possível. O Brasil tem um setor de emprego informal bastante grande, em que a maior parte das fontes de rendimento deixaram de ser opção perante as medidas implementadas. A população indígena já estava sob ameaça séria mesmo antes da chegada do COVID-19 porque o governo tem ignorado ou até incentivado a exploração ilegal de minas e de madeira na floresta Amazônica. Agora há o risco destes mineiros e madeireiros introduzirem esta nova doença em populações remotas. Uma carta aberta publicada em 3 de Maio, escrita por uma coaligação global de artistas, celebridades, cientistas, e intelectuais, e organizada pelo fotojornalista Sebastião Salgado, alertou para um genocídio iminente. E como tem reagido a comunidade científica e a sociedade civil, num país conhecido pelo seu ativismo e franca oposição à injustiça e desigualdades, e onde a saúde é um direito constitucional? Muitas organizações científicas, como a Academia Brasileira de Ciências e a ABRASCO, há muito que se opõem a Bolsonaro por causa dos cortes drásticos no financiamento da ciência e pela destruição da segurança social e serviços públicos em geral. No contexto do COVID-19, muitas organizações lançaram manifestos dirigidos ao público, como por exemplo o “Pacto pela vida e pelo Brasil”, e escreveram declarações e apelos a oficiais ao governo pedindo unidade e soluções conjuntas. Protestos da
    população são frequentes e incluem bater em tachos nas varandas durante comunicações da presidência. Há muita pesquisa a ser feita, desde as ciências básicas à epidemiologia, e há uma produção rápida de equipamentos de proteção individual, respiradores, e kits de teste. Estas são ações esperançosas. Contudo, a liderança no nível mais elevado do governo é crucial para rapidamente evitar o pior nesta pandemia, como tem sido evidenciado em outros países. Na nossa série de artigos publicados sobre o Brasil em 2009, os autores concluíram: “Em última análise, o desafio é político, exigindo o envolvimento contínuo da sociedade Brasileira como um todo, para garantir o direito à saúde de todo o povo Brasileiro.” O Brasil como país deve unir-se para dar uma resposta clara ao “E daí? “ do Presidente. Bolsonaro precisa mudar drasticamente o seu rumo ou terá de ser o próximo a sair.

    https://www.thelancet.com/journals/lancet/home

    https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(20)31095-3/fulltext

    https://www.thelancet.com/cms/10.1016/S0140-6736(20)31095-3/attachment/c424a26a-9642-469b-b1f3-431955b25a54/mmc1.pdf

    https://www.thelancet.com/about-us

    The Lancet began as an independent, international weekly general medical journal founded in 1823 by Thomas Wakley. Since its first issue (October 5, 1823), the journal has strived to make science widely available so that medicine can serve, and transform society, and positively impact the lives of people.
    Over the past two centuries, The Lancet has sought to address urgent topics in our society, initiate debate, put science into context, and influence decision makers around the world.
    The Lancet has evolved as a family of journals (across Child & Adolescent Health, Diabetes & Endocrinology, Digital Health, Gastroenterology & Hepatology, Global Health, Haematology, HIV, Infectious Diseases, Neurology, Oncology, Planetary Health, Psychiatry, Public Health, Respiratory Medicine, Biomedicine, Clinical Medicine), but retains at its core the belief that medicine must serve society, that knowledge must transform society, that the best science must lead to better lives.

    Highest standards for medical science
    The Lancet sets extremely high standards. We select only the best research papers for their quality of work and the progression they bring.
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    • Não adianta escreverem manifestos e artigos criticando o governo bozoasno por sua incompetência
      A imprensa brasileira parece não compartilhar dessas análises.
      E o Brasil tem 75% de analfabetos funcionais. Dizem que tem 88% de ignorantes.
      Eles não entendem o que lêem. Como esperar que compreendam o perigo que se avizinha. Não conseguem se conectar com a realidade e a maioria acredita no bozo.
      Acredito que começarão a entender quando o número de mortes passar de 5000 por dia e amigos, parentes, conhecidos começarem a morrer.
      Aí, poderá ser tarde e a ruína econômica será total.
      Não podemos desprezar a possibilidade de pânico, saques e violência, muita violência.

  15. Polianassif não toma jeito … só pra lembrar, FUX assume em setembro ..Celso se aposenta em novembro ..e mês que vem o escândalo Intercept faz aniversário ..ahh sim, já já Bozo chega na segunda metade do mandato com o país sendo transformado em trapos, material e institucionalmente falando.
    Mas, como nos deixou otimistas o missivista, um dia, um dia no futuro tudo terá sido passado, quem sabe ?
    Bidu

  16. ainda que tenha o stf, para afastamento é necessário o pautamento pelo presidente da câmara dos comuns (https://congressoemfoco.uol.com.br/legislativo/alianca-entre-centrao-e-bolsonaro-facilita-o-meu-trabalho-diz-rodrigo-maia/) . de maneira vogal celso não tem como fazer nada, a não ser jogar para o plenário. que todos os direitos à defesa que constam na Constituição. resumindo, Raul arremataria, “chicotinho queimado tá ficando quente”, apud Conversa para boi dormir…

    p.s.: https://www.youtube.com/watch?v=c-Oecn6hIGk

  17. Movimento 6

    Cercado por militares ele pode dar um golpe de estado e o primeiro pais a reconhecer tal legitimidade é o USA seguido por seus lacaios

  18. Quando olhamos para a história (Itália, Alemanha e Brasil 64, entre tantos outros) descobrimos que todos os canalhas, ou quase todos, morreram tranquilamente em seus leitos. Punidos mesmo, poucos

  19. Um erro basico na sua analise: quanto menor o isolamento maior a duracao da pandemia. O correto é quanto maior o isolamento maior a duração, a não ser que alguém ache que poderemos vencer o virus num país de tamanho continental e tão desigual como o Brasil.

    Nos entramos rápido demais no isolamento. Quando havia pouquíssimos casos. Agora passados 2 meses e meio de isolamento estamos vendo que será necessário ficarmos muitos meses mais.

    Não sou eu quem digo. É a ciência.

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