Peça 1 – a barafunda ideológica

No Chile, Michelle Bachelet foi derrotada por Rafael Piñera. Agora, Piñera está sendo derrotado pelas ruas. Na Bolívia, Evo Morales produziu um milagre econômico; e está correndo riscos com Carlos Mesa. Na Argentina, Cristina Kirchner foi derrotada por Maurício Macri, que está prestes a ser derrotado por Alberto Fernandez. O Peru elegeu Matín Vizcarra, que está prestes a ser expelido do cargo pelo Congresso.

O grupo de Lima se esfarela, deixando o chanceler Ernesto perdido pelo caminho, depois de considerar que a direita tinha tomado o poder irreversivelmente na América Latina.

Qual a lógica disso tudo: o mundo caminha para a esquerda ou para a direita?

Esses movimentos têm apenas um ponto em comum: todos são contra o poder vigente. Se o poder é de direita, a oposição assume as bandeiras da esquerda; e vice-versa.

Essa confusão ocorre sempre que se sai de um quadro de estratificação política sem forças definidas. Quando a América Latina começou a sair das ditaduras militares dos anos 80, os primeiros tempos foram de caos e perda de rumo, com as ruas elegendo o liberalismo de Fernando Collor e Carlos Andres Perez para, em seguida, alijá-los do poder.

Peça 2 – as semelhanças com o início do século

Desde os anos 90, passei a acompanhar os movimentos cíclicos da política e da economia, comparando com o que ocorreu cem anos antes, das últimas três décadas do século 19 até a crise de 1929.

O modelo é o mesmo.

Há um ciclo de internacionalização do capital, com a cooptação de economistas, que vendem a ideia de que a plena liberdade de capitais promoverá o desenvolvimento global. Primeiro, desenvolvem os países centrais. Depois, vão se esparramando pelos países periféricos, levando o progresso. Para que o movimento seja bem-sucedido, é necessária a liberalização total dos fluxos de capital, a redução da influência das nações e a desregulação.

Montam-se alianças com financistas dos países periféricos, consegue-se força política.

Criam-se então fenômenos similares aos de cem anos depois. Uma enorme concentração de renda, bolhas especulativas sucessivas, até que o modelo de democracia mitigada se esboroa, criando um vácuo político que se espalha pelo mundo.

O descrédito em relação à democracia, os abusos das elites, e a falta de rumos faz com que se busquem soluções primárias, de apologia do ódio, de criação do inimigo interno e externo. Esses movimentos levam a dois modelos revolucionários, o leninismo, na Rússia, e o nazifascismo na Europa, em ambos os casos tendo nos financistas o inimigo a ser combatido – no caso do nazismo, com a manipulação trágica de personalizá-los em uma raça.

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A salvação da democracia veio pelas mãos do presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt, propondo o grande pacto nacional, generoso e solidário. As maiores resistências eram internas, da Suprema Corte, dos grandes empresários, da mídia convencional, resistindo a ampliar os direitos dos trabalhadores.

Houve uma imensa guerra cultural, na qual entrou o cinema, com os filmes de Frank Capra, os novos meios de comunicação, com o avanço do rádio, e os empresários mais modernos. Nelson Rockefeller teve papel central, ao assinar um acordo trabalhista com os funcionários do Rockefeller Center. E entrou a visão de estadista de Roosevelt para enfrentar o boicote da Suprema Corte.

Roosevelt resistiu um mandato, entrou desgastado no segundo e morreu antes da queda. Suponha que, em lugar de um Roosevelt, assumisse o poder um Donald Trump. Encontraria eco amplo na sociedade americana. O que seria da humanidade?

A crise atual repete o ciclo de cem anos atrás. A desregulação levou a uma concentração de riqueza inédita, a uma sucessão de bolhas culminando na grande crise de 2008 e na desmoralização da ideia de democracia representativa.

Agora, o mundo balança entre movimentos pendulares de ultradireita, movimentos de centro-esquerda, mas com a bandeira da globalização representando o financismo desvairado do início dos anos 20. Em algum momento aparecerão os Coringas dos novos tempos.

Quem apresentará a fórmula vitoriosa: Roosevelt ou Trump, civilização ou barbárie, eis a questão.

Peça 3 – civilização ou barbárie

É nesse quadro que se insere o fenômeno Bolsonaro, a maior prova da falência do sistema político e institucional brasileiro.

Ele surfou na onda do salvacionismo mais primário, aquele que vê a fonte de todos os males no inimigo político (o PT), nos criminosos, nos de fora (imigrantes, minorias) e no marxismo cultural, seja lá isso o que for. Mesmo para um país atrasado, como o Brasil, a dose foi excessiva, despertando parte do país para a importância de se recuperar os chamados valores civilizatórios.

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É em torno desse movimento que se articulam as forças políticas, especialmente os setores mais cosmopolitas. Nos últimos tempos, seus porta-vozes passaram a vocalizar conceitos politicamente corretos, a mencionar a importância da redução da desigualdade social, de políticas que atendam os mais necessitados. Obviamente, passam ao largo de modelos tributários mais progressistas, que taxem o capital, por exemplo.

As manifestações de Armínio Fraga, o discurso social de Luciano Huck, demonstram que o efeito Bolsonaro abriu duas brechas: crise e oportunidade.

Do lado do centro-direita, as apostas se concentram em Luciano Huck, e no desafio de transformá-lo de celebridade em líder político. É a aposta mais bem situada. João Dória Jr se perdeu na própria esperteza.

Do lado das esquerdas, o grande nome continua sendo Lula. Saindo da cadeia, poderá ocupar seu lugar de articulador político. Mas como ficará o antilulismo, que se transformou na segunda maior força política do país e só agora começa a ser superado pelo antibolsonarismo?

Ocorre que a imprensa criou uma armadilha para o país, com a demonização de Lula. Qualquer país civilizado considera ex-presidentes como ativos nacionais, relevantes para ajudar a solucionar momentos de impasse. Na crise do mensalão, foi esse o comportamento de José Sarney, Itamar Franco, Fernando Collor. A exceção sempre foi Fernando Henrique Cardoso, com seu imenso egocentrismo.

Lula tem uma tradição de conciliação e de articulação. Conseguirá exerce-la tendo o Sistema Globo a demonizá-lo em todos os momentos?

Tenho para mim, que o maior empecilho ao pacto nacional é a Globo, justamente o grupo mais ameaçado pelo avanço da ultradireita.

Peça 4 – as dificuldades do pacto

Pactos não dependem apenas da boa vontade, mas da definição de modelos de governabilidade, de um conjunto de ideias norteadoras, a partir das quais se cria o ambiente favorável, vão sendo reduzidas as desconfianças recíprocas e emergem as lideranças capazes de levar o projeto adiante.

Não será uma frente liberal fechada com Huck, ou uma frente de esquerda pura que resolverá os problemas do país. O pacto passa pela capacidade de todos os setores modernos de caminharem juntos.

Há inúmeros problemas a se considerar. De parte da esquerda, uma desconfiança profunda em relação ao mercado. Da parte da direita, uma resistência radical em relação ao protagonismo dos movimentos sociais. No máximo, admitem políticas sociais de cima para baixo, como uma concessão dos bem pensantes.

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Um modelo pactuado exigirá que os dois lados sentem juntos, com estadistas de lado a lado capazes de administrar as resistências de sua tropa. É um braço de guerra em que os dois lados precisam soltar a corda ao mesmo tempo.

Todos esses dilemas serão resolvidos pelo grande estadista intemporal, o Sr. Crise. A dúvida é quanto tempo será necessário, quanta tragédia a mais será suportada, até que o Sr. Crise se apresente?

Até proponho que o primeiro passo do pacto seja colocar os principais interlocutores em uma sala de cinema para assistirem conjuntamente “Bacurau” e “Coringa”. Com um refresco para Blade Runner.

 

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O imperialismo resolveu a crise anterior com uma guerra mundial. Aí tivemos 30 anos de progresso. É estranho que há 80 anos tínhamos tudo a se fazer no mundo. Mas, foi tudo "resolvido" à bala. Lula fez seu papel. Infelizmente o Brasil caminha pra ser uma Grécia continental ou, talvez, bem pior, uma Líbia gigantesca com tráfico de gente e milícias pra todo lado. Aqui tem Globo. WhatsApp. Antagonista. Bolsonaro. Silvio Santos. Olavo de Carvalho. Ê Brasilzão! O Chile não é nada. Aqui nós temos essa língua que nos separa do resto da América latina.... E hoje, meus caros, há muito, muito, muito mais a se fazer: reflorestar, tratar a água, dar educação a todos, refazer as cidades que estão todas saturadas. Dá pra todo mundo trabalhar e viver bem... Ah! Que louco sou eu... É mais fácil uma terceira guerra mundial do que os terráqueos aprenderem a viver como gente.

Sidnei

27 comentários

  1. Tem um ditado muito antigo que diz: “quando um não quer, dois não brigam”. E a Globo não quer e, portanto, o capitalismo financeiro também não. É só ver o comportamento dos bancos pela voz de seus “representantes”. Será fácil perceber que um pacto é praticamente impossível. A ver

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  2. O imperialismo resolveu a crise anterior com uma guerra mundial. Aí tivemos 30 anos de progresso.
    É estranho que há 80 anos tínhamos tudo a se fazer no mundo. Mas, foi tudo “resolvido” à bala.

    Lula fez seu papel.

    Infelizmente o Brasil caminha pra ser uma Grécia continental ou, talvez, bem pior, uma Líbia gigantesca com tráfico de gente e milícias pra todo lado.

    Aqui tem Globo.
    WhatsApp.
    Antagonista.
    Bolsonaro.
    Silvio Santos.
    Olavo de Carvalho.

    Ê Brasilzão! O Chile não é nada.

    Aqui nós temos essa língua que nos separa do resto da América latina….

    E hoje, meus caros, há muito, muito, muito mais a se fazer: reflorestar, tratar a água, dar educação a todos, refazer as cidades que estão todas saturadas. Dá pra todo mundo trabalhar e viver bem…
    Ah! Que louco sou eu…

    É mais fácil uma terceira guerra mundial do que os terráqueos aprenderem a viver como gente.

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  3. Desculpe, Nassif, mas a direita chutou o pau da barraca da Nova República. Sequer passa pela cabeça desses caras algum pacto com as forças mais aa esquerda. Principalmente a rede globo: abstraindo a pauta LGBT, o antipetismo dela é igual ou maior que o dos boçalnaros e dos lavajateiros. A “formação politica” destes, aliás, foi forjada pelos jornais e revistas, radio e TV; são resultado da pregação antipolitica, antissocial eantiesquerda que grassou por décadas a fio, muito antes de internet e redes sociais. Isso precisa estar claro. Está tudo no PowerPoint.

    Portanto, as esquerdas podem até fazer algum tipo de acordo, mas, tendo claro que terão de descumprir logo, logo. Se não, vão ver o tapete ser puxado mais uma vez sob seu pés.

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  4. E aí que entra Ciro Gomes, único que apresenta um Projeto Nacional de Desenvolvimento. Um projeto de país para nortear o caos. Para estar além da divisão e polarização eleitoreira de DireitaXEsquerda. Rodando o país para apresentar ideias, projeto, pragmático. Não cansa de repetir como fazeremos pra mudar: ideia, exemplo e militância.

    Chega de rentismo nesse país! Já basta FHC, Lula, Dilma, Temer e Bolso…

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    • E depois que se eleger agir feito o presidente do Equador. O Ciro quer ser presidente a qualquer custo. Lembra dele dizendo que ia ajudar o Bolsonaro a governar o país? Todos sabíamos quem era Bolsonaro. O Ciro não?

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  5. A destruição deste pais segue veloz e escandalosa vindo pelo mar, matas, Instituições mas, como diriam Moros, Dalanhois e Toffolis, não vem ao caso, não é ….

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  6. Quando o Sr. Crise chegar, já teremos virado um Grande Haiti sob o domínio dos Toton Macoutes : com políticos necropopulistas degustando cadáveres e Baby Doc se revirando no tumulo

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  7. Nem Lula, nem Bolsonaro.
    A liderança do pacto será daquele que apresentar um Projeto Político que contenha a intersecção do conjunto de interesses liberais com o conjunto dos interesses trabalhistas. Um projeto que retire poder dos parasitas sociais (rentistas) e que promova o desenvolvimento com distribuição de renda.

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  8. Olá bravo Nassif. Minha admiração e respeito pelo seu trabalho.
    Gostaria de ver publicado onde o Moro estudou Direito, Justiça, Ética, como foi sua carreira acadêmica, suas notas, se foi mediocre ou pior, se copiou seus trabalhos ou não. Onde ele estudou Direito. Acho q ele faltou às aulas, isso ele não aprendeu. Idem pro moleque q gosta de dinheiro. A população tem q saber disso. Um grande abraço.

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  9. enquanto ardem em chamas Equador, Chile e Haiti, por aqui no Brasil Lulinha Paz e Amor continua sendo um grande extintor: pretende sair da cadeia para “pacificar” o Brasil.

    um Duque de Caxias redivivo? no cárcere desde 07/04/2018 nada aprendeu? seus apoiadores também nada aprenderam?

    esta é a grande tragédia brasileira de nosso tempo: a incapacidade de aprendermos com as seguidas e duras lições da História.

    mais do que “Bacurau” e “Coringa”, todos precisamos assistir e debater “Em Guerra”. talvez assim enfim nos demos conta do impasse a que o Capitalismo contemporâneo nos encurralou.

    querem negociar um pacto? negociar com quem? e quem disse que o outro lado quer negociar? principalmente quanto a isto, “Bacurau” é definitivo.

    qual a saída? não há saídas.

    ou construímos um portal de entrada para um novo ciclo, ou seremos todos “Coringa”, criaturas monstruosas, derrotadas e sem redenção.

    vídeo: En Guerre, de Stéphane Brizé, avec Vincent Lindon
    https://www.youtube.com/watch?v=B5R-c9wwt00
    .

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    • Rockefeller não é aquele que queria se apossar da Amazônia desde os anos 60? Fato descrito em famoso livro?

      Como disse outro comentarista, o povo fica a espera do salvador, do sujeito com alto valor moral, que irá ditar o caminho…..isso não existe!!!!!!! O que existe são canalhas, abutres e safados de toda ordem, com desejos assassinos de sangrar o povo ao máximo……

      Querem saber como a revolta acontece? Sabado uma colega me.ligou dizendo que estava com fome, que não tinha nada para comer, segunda outra pediu dinheiro emprestado, porque estava sem gás em casa…….todos desesperados, vendendo a alma e o corpo por causa do desemprego….o mesmo desemprego que um fdp banqueiro afirma ser benéfico para o país…. junte-se a isso, um congresso canalha votando coisas como.um.bpc de 400 reais……….logo logo até eu tô na rua junto com a turma….

  10. Bom dia Nassif

    Boa análise (como sempre), mas no meio da crise de 29, houve uma guerra. Se houver paralelos entre 1890-1929; vem coisa feia por aí

  11. O artigo da Fernanda Torres na Folha sobre a série The Family foi mais uma demonstração da lavagem cerebral com ideologias anti-movimento- operário-organizado. A atriz possivelmente esccolhida pela Netflix, discorreu sobre o tema do filme que era sobre fundamentalismo religioso e da invisibilidade de líderes americanos poderosos. Também a ótima série Chernobyl da HBO usou as entranhas do comunismo para incutir a eficiência capitalista nas subconscientes de quem a assistiu. Certo é que no subsolo da edificação de boa parte das empresas norte-americanas existe o viés ideológico do Tio San, foi assim em eleições fake news em vários países via What’s App em favor do conservadorismo, e porque não dizer da contratação de artistas consagrados pelo Uber para trabalhar de motoristas de modo a promover, indiretamente a precarização da CLT. Contudo é de suspeitar até mesmo do The Intercept que prometeu uma bomba atrás da outra na divulgação de milhares de tiras de conversas da Vaza Jato e somente conseguiu arranhar os vernizes dos caras de pau. Não bastasse isso tudo, por esses dias os brasileiros (e muitos bons articulistas) se pegam atônitos com o racha sem pé nem cabeça do PSL, sem perceber que esse engodo encobriu a Amazônia, a laranja, a reforma da previdência, … Em sendo assim, o Brasil vai demorar a acordar.

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  12. É impossível qualquer avanço no sentido de retomada da normalidade democrática do país e do pleno funcionamento das instituições, enquanto a rede Globo estiver ditando as regras, determinando quem deve se eleger e quem deve permanecer no poder, direcionando as eleições e os golpes de estado.
    A Globo trava qualquer tipo de movimento no sentido de fazer com que a vontade popular prevaleça.
    Portanto, para alcançar qualquer tipo de avanço, torna-se imprescindível atacar o império global. Desde já.
    As esquerdas estão perdendo um momento histórico.
    É preciso tirar proveito da insatisfação dos seguidores do Bozo com a emissora. Juntar forças e atacá-la.
    Não se trata de uma aliança com a direita, mas de saber tirar proveito desta insatisfação para atacar o principal inimigo – a Globo. Sem alianças com a direita.
    Este processo poderia ter início com a criação de uma CPI para investigar as irregularidades nas transmissões esportivas. Basta dar início às apurações para trazer à tona todos os podres do Sistema Globo e divulgá-los, com ampla participação das redes sociais e das emissoras concorrentes.
    Seria relativamente fácil obter maioria na CPI hoje, contando-se os parlamentares da esquerda, da direita e dos evangélicos do Edir. Cada um no seu quadrado. Sem alianças. Cada um atacando do seu lado.
    Os adversários da esquerda (e do país) se alteram. Hora os colloridos, hora os tucanos, hora os traíras do MDB, agora a extrema direita. Mas o inimigo de sempre, aquele que precisa realmente ser combatido é o Sistema Globo.
    “Delenda Globo”.

  13. “Tenho para mim, que o maior empecilho ao pacto nacional é a Globo, justamente o grupo mais ameaçado pelo avanço da ultradireita.”
    Nassif, você só descobriu isso agora????????
    Já sei disso há mais de vinte anos.
    Se pesquisar meus comentários aqui poderá constar quantas vezes escrevi: “ou o Brasil acaba com a globo ou a globo acaba com o Brasil”.
    Simples assim.
    O Brasil não precisa de inimigos externos, já tem dentro do seu próprio território o PIOR inimigo que poderia ter.

  14. Seu otimismo acalma Nassif. Mas infelizmente ele vai só até a página 3 para mim. Não que eu não queira um país melhor.
    O grande problema do nosso país não é exatamente a falta de estadistas, mas a incapacidade deles de realmente fazerem a coisa funcionar. Talvez tenham que fazer algum curso nos EUA para aprender a enfrentar os 100% da imprensa corporativa atuando contra e em parceria, enfrentar parte de um MPF e classe jurídica, inclusive STF, trabalhando contra, enfrentar quase toda a classe política e boa parte do empresariado trabalhando contra e, como consequencia disso tudo, enfrentar boa parte da população indo na onda desses todos e jogando contra. Os estadistas brasileiros precisam aprender a contornar e vencer todos esses poderosos “du-contra” que temos no país, sem falar dos que vem de fora atrapalhar. Honestamente, depois de acompanhar os fatos dos últimos 6 anos, não vejo uma saída para essa república das bananas que só se difere das demais vizinhas sul americanas no tamanho. Eu fico aqui pensando dentro dos limites do meu humilde conhecimento e não consigo chegar a uma solução. Tá difícil …

  15. Massif o pacto tem que começar com a destruição da Globo e depois pensarmos o que fazer com as outras.

  16. Sei não. E os lemmans, setubals, seitas religiosas, milícias, departamento de estado americano querem pacto? A Globo vocaliza esse poder e o Brasil ainda tem muito a entregar.
    Passeiam tranquilamente sobre a destruição do país e da sua soberania sob a complacência bovina e desinformação do povo brasileiro. E da canalhice das elites financeira, religiosa, judiciária e militar do pais.

  17. Salve-se quem puder! Vamos para a China, o único lugar que tem projeto nacional, emprego e prosperidade! E tem também 2 bi de pessoas! Salve-se quem puder!

  18. Eu não queria ser o chato da história mas gostaria de lembrar que Lula terá em 2022 a idade de 77 anos. Mesmo saindo da cadeia, o máximo que ele consegue ser no quadro político atual é um espantalho que irá fazer Bolsonaro recuperar um pouco de seu apoio que está perdendo. Vou ser franco e direto: a era Lula na política brasileira está chegando ao fim, se é que este já não chegou e as pessoas não acordaram para este fato ainda. O cara conseguiu na eleição passada ainda ter um certo protagonismo, muito por conta da estratégia de levar seu nome até a última hora possível mas no final das contas perdeu. Para mim, foi uma especie de canto do cisne. Haddad vestindo sua máscara não conseguiu se eleger e a estratégia “Cámpora” de Haddad presidente e Lula no poder falhou. Enquanto a esquerda brasileira for refém de Lula vamos viver eternamente como os miseráveis na peça “esperando Godot”, observadores passivos e incapazes de mudar a realidade que nos envolve e sonhando que na verdade tudo está ao alcance da mão quando na verdade está muito mais longe.

  19. Nassif, considero primário discutir se o mundo caminha para direita ou esquerda. O que move o mundo é o medo. O paralisa também. Quando a direita divulga o medo de que a esquerda tome sua propriedade, que destrua um momento positivo, a população se alia a eles. Quando o tal povo descobre que não consegue galgar a montanha da meritocracia, que abriu mão da proteção para tanto e morrerá pobre e desesperançado, a esquerda se torna aliada. Entre um e outro, o problema é prazo. Tal como a religião, a esquerda promete melhoria ao fim da jornada. Imediatista a direita se aproveita do agora e já.
    Aqui, na China ou na UE o povo é igual. Todos querem o melhor agora. Esperar, ensina a experiência, é confiar em promessas vãs, dado que os políticos são iguais em todos os lugares do mundo. O que se dizer então, dos economistas? cujas ideias à direita ou à esquerda, convergem ao fim e ao cabo para a maior glória dos seus egos.

  20. Não acredito que nos consigamos concentrar todas as habilidades de um Estadista em uma figura só hoje em dia. Pode ser um grupo.

    Concordo com você que falta essa figura.
    Lula é centrar na capacidade de encontrar um, mas hoje em dia figuraria muito mais num papel de articulador.
    (além de cabo eleitoral)
    Esse projeto nacional, insisto, tem que levar como categoria transversal, a Segurança Pública.
    A segurança Pública continua sendo um dos maiores problemas brasileiros. Ocupamos os piores índices de violência no cenário internacional. Corremos o risco de virarmos um país similar aos do continente africano, dominados por milícias armadas, fundamentalismo (apela-se cada vez mais para a religião como salvação) e com um governo ditatorial parasitário.

    Inclusive, tira as forças armadas de suas funções originárias (segurança contra inimigos externos) para agirem como operadores da segurança do governo. Por isso que é inadmissível a presença de tanques em comunidades por exemplo, ali temos cidadãos brasileiros e não inimigos do país.
    Enfim, a segurança pública além de mobilizar agente públicos de diferentes categorias (por exemplo segurança publica, educadores, sistema de justiça) mobilizaria diferentes grupos políticos ( da direita até a esquerda). Ai a figura do Estadista é central, porque é alguém (ou alguéns) com capacidade interlocutória em diferentes grupos da sociedade, além de um planejador, negociador e líder carismático com capacidade mobilizadora e agregadora.
    Discutindo a figura do Huck. Concordo com sua avaliação. A despeito das minhas discordâncias econômicas dele, vou focar a análise na figura de Luciano. Acho que tem boas intenções, mas uma percepção limitada de Brasil. Acho que ele tem grandes chances de vencer uma eleição, é um nome público a bastante tempo, tem uma imagem de homem rico que ajuda os pobres cristalizada no imaginário popular. Tem lá seus deslizes a serem relevados, mas a população no geral gosta da figura dele, homem branco de família e tolerante.
    Ele tem se articulado na internet com uma rede de youtubers e páginas do facebook para tentar fazer frente ao maquinário bolsonarista. Quem não fizer isso ficará pra trás.
    Não acho que ele esteja se cercando de grandes figuras, a exceção de Persio Arida, os demais “conselheiros” dele, são grandes empresários ou políticos sem grande engajamento nos setores populares. Por isso seria um governo de estamento do alto, sem grande impaco social. Provavelmente, ele relega os desafios sociais brasileiros a ações de caridade/ filantropia. Há uma confusão de politica publica com filantropia aqui. É a mesma confusão que Tabata Amaral faz. Em breve ela estará unindo suas forças com as dele…enfim

    Fica a sugestão das figuras que EM GRUPO ( sustento que teria que ser um grupo pela ausência de uma persona com todas as capacidades) reúnem as funções de um Estadista. Talvez juntos um pacto nacional de pontos mínimos seria firmado.
    Flavio Dino – planejador, articulado, tolerante e agregador, capacidade interlocutória com diferentes grupos
    Haddad – técnico, planejador, tolerante, capacidade interlocutória limitada pelo antipetismo
    Jacques Wagner – articulado, capacidade interlocutória, carismático, contato e Apelo popular
    Eduardo Paes – Capacidade Articulado, capacidade interlocutória, carismático
    Celso Amorim – é um diplomata nato, capacidade interlocutória, articulado, carismático, planejador, talvez o que reúne mais características de Estadista. Além de ser um coordenador de ações de mão cheia.
    Tasso Jereissaiti – capacidade interlocutória, planejador e articulado
    Katia Abreu – capacidade interlocutória, planejadora e articulada, traria uma presença feminina
    Renan Calheiros – tem a capacidade interlocutória, é um pactuador nato, tolerante e visão convergente de interesses nacionais. Pacificador, seria a palavra que o define

    Seria importante ter alguém da alçada militar com boa circulação pela tropa, respeitado e progressista. É certo que Celso Amorim saberia indicar um nome.

  21. Sua pergunta inicial é muito válida: “(…) Qual a lógica disso tudo: o mundo caminha para a esquerda ou para a direita?”. O problema é que sua resposta é uma colagem de coisas desconexas, isto é, fica evidente que você tem bons argumentos (alguns nem tanto), mas um péssimo método para reger a análise. E por fim, simplesmente não desenvolve sua pegunta, mas foge dela.

    Primeiro, a comparação anacrônica. 1875-1929 foi o AUGE do modo de produção capitalista, o melhor momento da história do capitalismo. Falar de livre mercado naquela época tinha uma semântica totalmente diferente. Hoje, nós vivemos a degeneração e esfacelamento desse modo de produção, sua crise terminal. Por isso, fazer uma espécie de “decalque” histórico é extremamente temerário, porque todo o bojo das circunstâncias e sentidos é outro.

    Me desculpe a sinceridade, mas a sua comparação do leninismo com o nazifascismo é tão patética e ignorante que eu não sei bem exatamente que reparo fazer. Lenin era um revolucionário marxista que liderou a revolução proletária na Rússia com a bandeira do “pão, paz e terra”, isto é, distribuição da riqueza social, fim da guerra e fim da concentração latifundiária. No início da revolução, ele tentou se conciliar com a burguesia, que tornou-se minoria no regime político, e essa classe declarou GUERRA TOTAL ao governo revolucionário, tentando derrubá-lo a todo custo. Mas Lenin não foi estúpido como certos esquerdistas, e entendeu que não havia possibilidade de conciliação com essa classe social.

    Os regimes de Mussolini e de Hitler têm em comum o seguinte fato: antes de mais nada, são regimes CONTRA a classe trabalhadora. Ambos se valeram do terrorismo político para destruir os sindicatos, matar lideranças de esquerda e destruir os partidos operários. Destruíram todas as organizações da classe trabalhadora, que ficou absolutamente impotente diante do arbítrio direitista. O que fez a burguesia, os “financistas” segundo você? Apoiaram ALEGREMENTE Mussolini e Hitler. Não falsifique a história. Nenhum judeu rico foi para a câmara de gás. Os ricos estavam nos EUA, financiando Hitler, em sua tentativa de destruir a URSS e criar a “União Europeia 1.0”.

    O governo Roosevelt não era nada democrático. No brasil seria algo semelhante ao governo Getúlio, trabalhista, nacionalista, mas NADA democrático. Se o grande modelo para o futuro é esse, estamos perdidos.

    Sobre a questão “Civilização x Barbárie”, esse é o argumento dos que desesperadamente querem despolitizar o que está acontecendo. O Equador, o Chile, a França, o Haiti não estão em chamas contra a “barbárie”. Estão em chamas contra as políticas de uma classe social específica, a burguesia. A burguesia ESTÁ no poder. Essa política horrenda já é a política ao gosto da burguesia. O povo, que está sendo massacrado por essas políticas classistas, não tem nada a ganhar “conciliando” com os Lehmans, Setúbals e Marinhos da vida. Na verdade, quem tem um mínimo de seriedade sabe que o combate que vem sendo adiado há eras vai ter que acontecer agora (e não somente no Brasil, mas em toda a América Latina, pelo menos).

    Essa perspectiva “Civilização X Barbárie” aparenta ser razoável e ponderada, mas na verdade é falsa e ilusória. Nenhuma “civilização” advirá dessa política. E a “barbárie” se aprofundará cada vez mais. A questão democrática então, nem falemos disso… O que é necessário é uma perspectiva verdadeiramente política, botando as peças em cima do mapa para o enfrentamento, e não um jogo de palavras esperto. Nassif, já te adianto que se você continuar com essa visão vai errar absolutamente TODAS as suas análises daqui pra frente.

    O Mino Carta, que tem muita história nas costas e muito tirocínio político diz muito bem: o Brasil só se resolve com sangue na calçada.

    • O pensamento pequeno burguês sempre pensa na tal conciliação……. afinal, não são a elite, mas possuem seus anéis…….

      Sempre que vejo alguém propor isso imagino um acordo caracú….. hoje, o congresso canalha está acabando com a previdência pública, aprovando um bpc de 400 reais, relegando um futuro miserável para um povo que já vive em condições extremamente dificeis……não há conciliação………………….

  22. Nassif, falta um xadrez para analizar os erros do PT que culminaram no antipetismo. Colocar a culpa na Globo, na guerra híbrida, no NSA, não resolve nada. A bandeira da ética na política foi rasgada pelo partido e no entanto nestes últimos 15 anos a pauta brasileira se resume a corrupção. O PT precisa no mínimo reconhecer seus erros de governabilidade. Na minha opinião qualquer pacto hoje deve passar pela construção de uma República no Brasil

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  23. Espero que Lula não seja mais candidato, o Brasil não o merece. Também espero que o PT não concorra para a majoritária, mas eu sei que é só desejo meu. Eu espero mesmo é que o Brasil desista logo de ser um país, já que não tem um povo nem uma elite. Vamos combinar, Nassif, isso aqui não tem jeito.

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