Xadrez do pacto: pequeno histórico dos pactos políticos, comentário de Wilson Ramos

O único modelo será o acordo compartilhado, como ocorreu com o Pacto de Moncloa, na Espanha, um acordo de ganha-ganha

Por Wilson Ramos
comentário no post Xadrez do pacto político entre PT e a centro-direita, por Luis Nassif

-> O único modelo será o acordo compartilhado, como ocorreu com o Pacto de Moncloa, na Espanha, um acordo de ganha-ganha,

pequeno histórico dos Pactos com a classe dominante na América Latina:

Bolívia, 1952:

uma insurreição popular liderada pelos mineiros não apenas derrubou o governo, como levou à dissolução do Exército e da polícia.

embora tão “vitorioso quanto impotente”, o movimento dos trabalhadores cede a um pacto, levando ao governo o MNR (Movimento Nacionalista Revolucionário) – que acabou por se demonstrar um nacionalismo insuficiente e muito pouco de revolucionário.

já em 1956 é adotado um programa de arrocho pautado pelo FMI.

de capitulação em capitulação o regime agoniza, até ser substituído em 1964 por uma Ditadura militar.
o golpe foi liderado por um oficial das Forças Aéreas, que não existiam em 1952, tendo sido constituídas pelos governos do MNR, sob orientação dos EUA.

Chile, 1973:

em junho de 1973, Allende logra debelar uma tentativa de golpe, o “tanquetazo”, graças a resoluta e heróica postura do General Carlos Prats, então Comandante em Chefe do Exército do Chile.

entretanto, em agosto de 1973, Prats cede a pressão dos golpistas e renuncia, recomendando como seu substituto Pinochet. Allende aceita e nomeia seu carrasco.

na manhã de 11/09/1973, ao se ver cercado no Palácio de La Moneda sob bombardeio cerrado, Allende ainda bradava pelo socorro de Pinochet: “onde está Pinochet?”.

Pinochet estava no comando do golpe. Prats é assassinado no exílio, em 1974.

Bolívia, 2009:

em 2009, após uma feroz campanha oposicionista da Direita, finalmente é referendada a Nova Constituição Boliviana, com Evo sendo reeleito com 64% dos votos e o MAS conquistando maioria de 2/3 no Senado e na Câmara, levando a Direita parlamentar (Podemos) a se dissolver.

ainda assim, mesmo nesta correlação de forças amplamente favorável, com o “empate catastrófico” de 2003 tendo evoluído para uma vitória de goleada, Evo e o MAS fizeram uma fatal inflexão à Direita, paulatinamente estreitando seus laços com o poder hacendal-patrimonialista.

agora Evo está exilado no México.
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