Moradora de São Paulo quer propor novos usos para os espaços públicos

Do VilaMundo, via Centro de Referências em Educação Integral

Articular projetos culturais, sugerir maneiras de aproveitar a cidade e propor novos usos para os espaços públicos. É para isso que a advogada Manuela Colombo, 29, moradora da Vila Madalena, tem dedicado parte de seu tempo há dois anos. Recentemente deixou seu trabalho como advogada para se entregar totalmente ao projeto Conexão Cultural e outros que propõem mudanças na relação das pessoas com a cidade.

“As construtoras devem discutir o que querem as pessoas que estão aqui. Querem grafite, querem rio, querem horta comunitária?”

“Deixei de advogar porque era como se eu estivesse usando uma burca, são mundos muito diferentes. Eu trabalhava em uma agência de publicidade e recebia os projetos que tinha que assessorar e tinha vontade de participar da parte criativa, indicar artistas, fazer curadoria. Por isso, resolvi focar minhas energias em uma coisa só”, explica.

A história do Conexão Cultural

Inspiradas na maneira de viver de cidades da Europa e depois de terem morado em Barcelona e Califórnia, Manuela e sua sócia Paola Caiuby criaram o Conexão Cultural, organização que promove acesso e conteúdo na área cultural.

Surgiu com a proposta de divulgar experiências de uso das cidades no mundo todo. “Mas não queríamos ficar só na experiência online”, lembra. E começaram a produzir eventos presenciais. O primeiro deles aconteceu no Centro Cultural Rio Verde e teve a França como tema central. Manuela comenta que essas iniciativas ajudam a entender a relação da Vila Madalena com o Conexão. “A Vila se abre para projetos fora da caixa e também tem um senso de comunidade muito grande.”

Desde 2012, as sócias produzem um grande evento no MIS – Museu da Imagem e do Som, durante o aniversário de São Paulo, e que reúne pessoas com interesses diversos para aproveitar exposições, arte urbana, música e gastronomia.

Inovação na Vila Madalena

O passeio a pé, leva visitantes curiosos e moradores a conhecerem espaços de arte, passando por graffittis nas ruas e por galerias.

Inédito em São Paulo, o Passeiôapresenta um dos lados da Vila Madalena, o artístico, para os hóspedes do Ô de Casa Hostel e interessados em geral. A guia da excursão é Manuela. Os participantes são na maioria brasileiros. “80 % são paulistanos que não conhecem as coisas que estão acontecendo na própria cidade. Muitas vezes eu escuto: ‘Parece que eu estou em outro país’.”

Para guiar o passeio, Manuela precisou estudar cada muro grafitado da Vila Madalena e nessa busca conheceu os autores das obras. Surge então, o workshop de graffitti. “É uma imersão de um dia que começa com um estudo teórico sobre a história do graffitti e termina com os participantes pondo a mão na massa, muitas vezes segurando uma lata de spray pela primeira vez.”

Já o “Almoço na praça” é uma iniciativa para aproximar vizinhos. Acontece semanalmente na Praça Jornalista Roberto Corte Real com a ousada proposta de ressignificar o uso do espaço público. “A única utilização da praça hoje é dos cachorros que vão até lá fazer cocô. A Vila Madalena é um lugar onde normalmente as pessoas estão mais abertas a trocar e interagir, por isso propostas como essas são fáceis de funcionar.”

Agora longe da carreira de advogada, Manuela está fazendo um curso de turismo e firmou uma parceria com a Agência Matuetê, que faz viagens personalizadas. A empresa indica estrangeiros em São Paulo em busca de conhecimento de arte, tanto contemporânea quanto de rua e ela os guia em passeios criativos.

Mudanças no bairro

“Durante os passeios já me disseram: ‘Obrigado por me mostrar que São Paulo pode ser uma cidade mais bem vivida'”.

Para Manuela, a Vila Madalena tem um histórico de engajamento e os moradores têm muita vontade de preservar a memória do entorno. “Para construtoras entrarem em um bairro como esse, elas devem fazer com que, no mínimo, esse processo seja mais harmonioso e precisam se abrir para os moradores, ouvir seus anseios e oferecer a contrapartida.”

Um exemplo mais recente de como essa convivência pode se dar ocorreu no Parque Linear das Corujas. No mês de setembro, um grupo de moradores da Vila Madalena realizou uma campanha contra a construção de um muro entre o Parque Linear das Corujas e um conjunto de escritórios. A incorporadora Idea!Zarvos, que erguerá o complexo de escritórios ao lado do parquevai baixar a altura do muro de três para dois metros. Agora o grupo pretende criar um muro interativo, onde pessoas e artistas possam se expressar de diferentes formas: verde, arte, poesia.

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