O errado, o aceitável e o melhor, por Gunter Zibell

Por Gunter Zibell

Eu não me preocuparia tanto com os Social Justice Warriors (pessoas que em discussões tentam impôr modos muito específicos ou dogmáticos de como as pessoas devem lidar com os preconceitos nas sociedades.)

São visíveis nas redes sociais, assim como quase tudo que é extremado recebe uma amplificação desnecessária. Podem só estar querendo aparecer e a capacidade real de influenciar pode ser pequena.

O que realmente importa é como a maioria dos pertencentes a grupos identitários pensa e como a maioria dos não-pertencentes a esses grupos (potencial “reação”) pensa sobre as respectivas demandas.

Daí resultam interações e tendências. E é relevante observarmos se a tendência de um pensamento é de crescimento ou não. Devemos defender aquilo que acreditamos, claro, até ser hegemonia. Mas não precisamos nos preocupar se já se tratar de tendência favorável.

Para o conjunto de questões que envolvem preconceitos (como classismo, racismo, machismo, intolerância a crenças políticas ou religiosas, homofobia e xenofobia), mesmo que ocorram retrocessos (como manifestações políticas de ultra-direita na Europa), a tendência pelo Mundo é mais favorável que não desde que conceitos na Convenção de Direitos Humanos da ONU foram sendo mais e mais divulgados.

Ser preconceituoso ou discriminador, e principalmente tentar reforçar isso, é hoje considerado ERRADO na maioria das sociedades. No mínimo para se exercer uma posição tosca em público, que até a 1a. metade do século XX seria banal, precisa-se recorrer a sofismas ou falácias.

Então já houve mudanças, ainda que infelizmente muito insuficientes, mas houve. Aquilo que muitos chamam (mais para desqualificar) como POLITICAMENTE CORRETO, mesmo que nunca sendo reivindicado assim, está mais e mais impondo-se como um Espírito do Tempo. (E atenção, “relativismo cultural” é outra estória, trata-se da avaliação de outras culturas que não a nossa.)

E o que seria o CERTO? Aqui é que penso razoável imaginar uma subdivisão entre ACEITÁVEL (socialmente) ou MELHOR (do ponto de vista de um grupo identitário.)

Aceitável é tentar fazer algo para estimular a evolução da sociedade para algo mais justo. Também é aceitável não ser o agente resistente a mudanças que são crescentemente percebidas pelo conjunto da sociedade como válidas. Às vezes parece conformismo, mas muito ajuda quem não atrapalha. Dispor-se a ouvir as demandas dos outros também é bom.

Melhor é trabalhar de forma organizada e argumentativa para acelerar esse processo. Quem se sente consciente de algo a mudar e julga ter conhecimento e vontade para tal, deve fazê-lo.

Às vezes os SJW exageram na busca pelo Melhor, como reacionários exageram na tentativa de conservar as sociedades como se fossem museus. Mas pelo menos há uma intenção percebida para o melhor, não para a reação.

Frequentemente não percebem que há milhões de pessoas trabalhando para um Mundo melhor ou pelo menos aceitável, só que não do modo que elas (as pessoas SJW) gostariam.

Mas felizmente são muito minoritárias. Devemos ficar atentos se cometem ofensas ou agressões, e defender apropriadamente o bom senso. Mas criticar assertivamente um pensamento é mais construtivo que tentar destruir.

Pois, se o diagnóstico for mesmo o de que o Politicamente Correto está se impondo, como mais um sintoma de avanço civilizatório (divisão de poderes, eleições não censitárias, liberdade de expressão & consciência quanto à sustentabilidade são outros exemplos de avanços ao longo dos séculos), isso se dá numa dinâmica entre posições aceitáveis e melhores. As posições histéricas acabam fatalmente deixadas de lado.

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