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por Felipe Bueno
Dez anos atrás, nos últimos dias de 2015, uma polêmica ocupou boa parte dos universos editorial, intelectual, político e outros: uma vez que entrava em domínio público, o livro Mein Kampf deveria ser publicado? E deveria ser lido?
Em 2015 as polêmicas mais sólidas já em pouco tempo se “desmanchavam no ar”, não com a velocidade que vemos hoje, mas de um modo suficiente para que depois do barulho inicial não se falasse mais no assunto, pelo menos sob os holofotes. E o livro foi recolocado em circulação, inclusive no Brasil.
O problema não era o livro.
O problema não era o sofá na sala.
Neste julho de 2025 completa-se um século da publicação inicial de Mein Kampf, uma atroz compilação do pensamento do então ex-golpista e ex-presidiário que, menos de dez anos depois, se tornaria líder da Alemanha por caminhos democráticos e subjugaria boa parte do mundo civilizado.
O básico da História todos sabemos, mesmo com as frequentes tentativas que ela sofre de ser violada e manipulada. Não obstante, todas as tragédias pelas quais o mundo passou durante os anos do Terceiro Reich foram insuficientes para impedir a humanidade de criar novos métodos e argumentos para se destruir por completo, ainda que, no entendimento e no discurso das cabeças beligerantes, o inimigo seja apenas “o outro”, e, sendo assim, toda opressão e matança são justificáveis.
Uma vez que as sementes continuaram na Terra, não devemos mostrar surpresa com o fato de que distintos ventos tenham semeado árvores e ajudado a produzir frutos em distintos tempos e lugares de 1945 até hoje.
Voltando a 2015, é essencial retomar as duas perguntas relatadas no início deste texto, especialmente a segunda, atualizando a conjugação verbal: Mein Kampf deve ser lido?
Minha avaliação pessoal é a mesma de dez anos atrás: sim. História se conta por meio de documentos, formação se obtém por meio de informação. Conhecer as origens dos processos no passado nos ilumina no presente e nos alerta sobre o futuro. Em suma, nos livra da ignorância e nos proporciona uma condição superior à de massas de manobra.
Por último, pelo menos por enquanto, é preciso admitir que as ideias de Hitler não nasceram com ele. São essencialmente humanas, estavam pairando na atmosfera, precisando de condições favoráveis e de um catalisador humano que tivesse níveis de humanidade suficientemente baixos para tirar o ódio do papel.
Assim sendo, não é à toa que, oitenta anos após sua morte, os problemas do mundo ainda não tenham sido resolvidos.
Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem graduação em Jornalismo e História, com especializações em Política Contemporânea, Ética na Administração Pública, Introdução ao Orçamento Público, LAI, Marketing Digital, Relações Internacionais e História da Arte.
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Bruno Payolla
30 de julho de 2025 11:52 amA Bíblia tem mais de 2.000 anos justificando o colonialismo, genocídios de povos originários e o controle pela fé.