A AK-47 quer matar, mas não dá tempo. Então gargalha, por Rui Daher

A Peste

por Rui Daher

Já mencionei a profundidade dos textos políticos postados neste GGN. Nem é preciso citar nosso anfitrião. Seu jornalismo, por onde andou, sempre foi afinado como seu bandolim. Com isso, este mero botequineiro se retrai e usa no Face “O Fígado Diário”, sucursal do BRD, Blog-Boteco do Rui Daher, para alguns disparos, infelizmente, não letais.

Depois daquela sessão grotesca no Congresso Nacional, pensei que somente a galhofa seria capaz de nos salvar. A esquerda tem excepcional histórico de saber esculachar a direita. Errei. Surpreende a capacidade inata dos que aí estão a louvar o medíocre, com a vantagem da autenticidade. Não precisam se esforçar, simplesmente são. As merdas que falam e fazem saem das profundas de suas almas. Como, então, concorrer? Desisto e torno real a AK-47? Repenso. Melhor aproveitar os anos que restam divertindo-me com a burrice.

Agora, recente, saindo do forno, Roberto Freire, no ministério da Cultura. Não é demais? Achei ótimo. Ele é comunista. Como? Não é mais? Mudou? Desacredito. De onde vêm aqueles rancor e rezingão que só comunistas sabem expressar? Foi candidato a presidente, em 1989, com campanha financiada a partir da ex-União Soviética.

Meu Deus! Como explicar tal indicação àquela senhora de óculos que confunde a bola vermelha japonesa e as bolas de cervejeiros belgas, praianos de Copacabana? Se o hospício continuar crescendo nessas proporções o deboche da minha AK-47 será inócuo.

Vivo curioso em relação ao que pensam os amigos inteligentes, bem informados, que apoiaram o golpe que depôs Dilma Rousseff. Conformam-se na constatação diária, muitas vezes horária, dos disparates cometidos pelo governo ‘urso-parador’ de Michel Temer? Aliviam-se comparando com as gafes do “metalúrgico analfabeto” e sua cafonice ABCD paulista?

Ou estão gostando, de acordo, fingem que não veem? Verdade que Veja, Isto É, Época, Globo, Folha, Estadão, Valor, resolveram aliviar suas danações políticas. Vez ou outra, soltam um lembrete sobre a corrupção generalizada, não sem bater na tecla de um culpado só, pensando assim tirá-lo do protagonismo político.

O esperneio ambulatório de Garotinho e a careca Bangu de Cabral, gravado em tons dramáticos pela Rede Globo, o que seriam se não “Não vem que não tem. Curitiba fuzila a todos. Só poupamos tucanos, amantes dos pássaros que somos”. Aproxima-se ‘Hora do Molusco’, etapa 30.

Creio terem tomado conhecimento do espetáculo deprimente do último programa Roda-Viva, da TV Cultura. Nem no botequim do Serafim, com dominó e salineiras, existia cordialidade assim. No dominó, esporte sem contato físico, vez ou outra um pé subia e alguém de cara ia ao chão.

As entrevistas de bastidores com os jornalistas perguntadores foram farsa vergonhosa. O do rabo preso com o leitor, abanava o próprio para o usurpador. Seu rabo não estava preso? Da Fundação Padre Anchieta, certo Mendonça, reincidente besta-humana sempre chamado à emissora pública para faze-la impublicável, tal sua imbecil idade.

O risonho repórter, ah o risonho repórter. Para platitudes assim, não nos enfeitiçariam aquelas moças bonitinhas, suaves, “gostou do debate, presidente”? Não. Aguentássemos o sorriso boçal, vigarista, disforme, Constantino-way.

Um mérito teve. Fez Michel agradecer a “propaganda” que o programa (de passado decente e presente sabujo) havia cedido ao seu (?) governo. Ora, ora, a ABAP, Associação das Agências de Propaganda, não faria melhor.

E os ministros novos? Já falei do rancoroso comunista, mas, e dos demais, o que esperavam? Profissionais competentes, empresários, cientistas, técnicos de respeito? A AK-47 gargalha, embora devesse matar.

Lembro a máxima: “melhor um burro preguiçoso do que um burro esforçado”. O primeiro não causa males, o segundo traz destruição. Torço pela preguiça. Que apenas se contentem com a grana e a influência que os cofres públicos lhes trarão. Se agirem, farão crescer o monturo de fezes e as moscas serão insuficientes para a degustação.

Cada dia será pior. Preparem-se. Percebam em suas leituras diárias e semanais. Nem mesmo saberão previamente das ocorrências, pois as folhas e telas cotidianas, responsáveis por apoiar o golpe, demorarão a reconhecer o erro, quebradas que estão.

Perceberam o que fizeram? Tiraram um país, que há dois anos praticava uma política econômica equivocada, para faze-la descarrilar irremediavelmente e com data marcada, PEC 171+70.

Não poderiam esperar correr o processo democrático normalmente? Pediram e receberam Joaquim Levy para fazer a economia, aos poucos, voltar aos eixos, hipótese em que eu não acreditava. E o que fez o Congresso “voto-sim-pela-minha-mãezinha-querida”, à frente o suíço Eduardo Cunha? Impediu todas as ações do governo que fossem para ajuste fiscal.

Leio artigos e mais artigos, inclusive de analistas conservadores. As políticas de, praticamente, todos os países desenvolvidos e emergentes do planeta correm em mão contrária à de Meirelles e Ilan.

Mas, com certeza, vocês continuam contentes, vencedores, pois “expulsaram aquela camarilha”, no dizer de vocês, sem reconhecer substituí-la por outra pior.

Acham que a bomba cairá sobre os de sempre, aqueles que respiraram por alguns poucos anos o oxigênio dos empregos com carteira assinada, reajustes de salário mínimo acima da inflação, programas sociais urbanos e rurais, incentivos e oportunidades educacionais.

Não, não. Se não são banqueiros, não se lambuzam com o rentismo, ou não se locupletam no Poder Judiciário, desta vez o esgoto a céu aberto correrá sobre vocês. Não bastará bater na tecla de que o povo não sabe poupar e só quer consumir. SUV ou pulôver de cashmere sairão de moda. Esperem, pois, anos terríveis.

Palavras vãs as minhas? Pode ser. Basta dizer que vocês nunca agiram diferente em séculos pouco democráticos. O outro, o pobre, nunca teve mérito. Alguns vêm com exemplos norte-americanos, europeus ou nipônicos, com argumentos a-históricos, desconsiderando que o capitalismo avançado também se esboroa diante do novo eixo asiático em demanda refreada.

Que merda é essa? Comparam o quê? Os grotões brasileiros, as poblaciones latinas, a insegurança do desemprego, do dinheiro pouco e da prole grande, com a Ópera de Viena? Ora, ora.

Sei que dão de ombros para esses exilados da meritocracia. Creem que não se esforçaram o suficiente. “Há exemplos edificantes”. Um negro virou o maior trombonista do país. Um indígena se formou advogado. Sim, 2 para cada 200. No mais, heranças patrimoniais, financeiras, educacionais e de QI (quem indicou). Pierre Bourdieu ensinou. Confiram.

Todos perdemos.

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9 Comentários

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ze sergio

- 2016-11-20 21:54:45

a ak...

Temer é professor e membro da OAB. E mesmo assim mais sujo que "pau de galinheiro". Gostaria de entender onde está a solução fora da democracia plena, que ninguém prega neste país?Todo o resto é a manutenção de uma Elite parasitária no Poder Público. E que ninguém abre mão. Nem sendo socialista, comunista e anti capitalista. Muito menos sendo ambientalista, "nénão" Marina? Ah! Esta sociedade consumista que acabará com o planeta?! Eu, por aqui, vou levando a minha palavra e minha missão, hospedada em hotéis de luxo, em voôs de 1.a classe, financiada por verbas e salários nababescos, que não promovem nem o consumismo nem o capitalismo. Tá explicado?  Não tinha entendido, obrgado protetora das florestas, direto da sua cobertira na Vieira Souto/RJ, que vai 1 vez por ano ao Acre, sua terra natal. Ou será que a verdadeira esquerda, a qual devemos confiar, é de Dona Marta, a Suplicy? Ou seria de Campos, neto de Arraes que compactou com o golpe num governo dividido com PFL? Ou Freire, de antigos comunistas, históricos como Rabello, que idealizou "Elefantes Brancos" para a Copa, mas pouco corrompidos. Afinal, corrupção não pega bem para um comunista anti capitalista, não é mesmo?  Onde está esta última virgem dentro deste puteiro? Gostaria de saber quem será a próxima Nossa Senhora da Salvação? Até agora só ouço dizer que deve ser vermelha, agnóstica, atéia, anticapitalista. E mesmo assim ser Virgem e Salvadora. abs.  

emerson57

- 2016-11-20 20:57:45

FAZ-ME-RIR

O discurso preferencial (e único!) dos direitalhas paneleiros quando confrontados com a melda que fizeram é:

A culpa não é minha. Vocês é que votaram no golpista. Aphinal ele não era o vice da sua PresidentA?

Pois é. Filho feio carece de pai.

Bonito fosse, have-lo-ia!

Brnca

- 2016-11-20 20:40:28

AK-47...

Texto excepcional. E a roda gira. Que os paneleiros esperem pois logo mais suas panelas também vão furar. Quando o golpe foi dado virei para a minha antenada diarista com um 'E agora?' Com a sapiência que só nordestino tem depois de anos de dureza cruel ela deu de ombros. 'Nós vamos nos f... mas logo mais eles também vão'. É. A gula  dos golpistas e as medidas que estão aprovando já estão arrepiando muitos apoiadores. Que os apoiadores se espatifem pois!

Edna Baker

- 2016-11-20 19:14:49

Foi discorrendo calmo e

Foi discorrendo calmo e tranquilo e no fim só disse verdade. Mil parabéns! 

Rui Daher

- 2016-11-20 17:53:47

Happy, até estou, Frederico

Tanto que só dói quando rio. Abraços.

Rui Daher

- 2016-11-20 17:50:19

Fernando, absurdo?

acabei le ler o mais recente livro de Eilo Gaspari de sua coletânea sobre a ditadura militar, agora o volume 5, "A Acabada". Pega Geisel e Figueiredo. Tem um capítulo "Mar de Lama", termo recomposto do último governo de Getúlio Vargas, que faz dos militares e seus ministros párocos, no final dos domingos, recolhendo moedas ali colocadas perto de quem assumiu o não-governo no lugar de Dilma. Assim como "nem tão esotérico assim", consideremos "nem tâo absurdo assim". Abraços.

 

Fernando J.

- 2016-11-20 16:45:03

Relembrando 1989

17 de dezembro de 1989. O Brasil mergulha de cabeça na aventura Fernando Collor. No dia seguinte, a aventura, quer dizer, o presidente eleito passou a mão no chaveirinho Rosane Collor e mais a Cláudia Raia (?) e foram juntos os três de jatinho para as Ilhas Seychelles, torrar as sobras de campanha. O governo Sarney não existia mais, não havia qualquer possibilidade de ação diante de uma inflação ao redor de 50%...ao mês. Restava esperar a posse do novo presidente. O problema: a posse estava marcada para o longínquo 15 de março de 1990. O sentimento unânime entre pequenos empresários e comerciantes era de que não dava para esperar tanto". A agonia era tanta que queriam a posse em 15 de janeiro, no máximo. 

Estamos na mesma. O governo temer acabou faz tempo, e só há dois caminhos. 1. aguardar o longínquo março de 2017, o congresso eleger novo presidente, após a cassação da chapa Dilma-Temer; 2. uma intervenção militar (*)

(*) absurdo? tudo o que parecia absurdo nos últimos 2 anos se confimou. 

Frederico Firmo

- 2016-11-20 16:07:32

Rui don't worry be happy

Havia um certo dito num certo Instituto de Física;

"Se cercar vira hospício

Se cobrir vira circo."

Enquanto isto eu como  Tião Bacamarte continuo demonstrando Teoremas com cataplasmas.

E me parece que o dito acima 'e uma afirmação universal. Para falar a verdade eu só havia demonstrado nacionalmente,

mas depois de Trump!!!?!!

+almeida

- 2016-11-20 15:57:46

Óbito a caminho

"Depois daquela sessão grotesca no Congresso Nacional, pensei que somente a galhofa seria capaz de nos salvar. A esquerda tem excepcional histórico de saber esculachar a direita. Errei."

Apesar de meu limitado alcance político, eu penso que não. Quero dizer que não reconheço ter havido erro, absolutamente. Imagino, que houve um modo disfarçado e bem camuflado da direita esconder os graves ferimentos, que essas poderosas armas bélicas da galhofa e do esculacho esquerdista lhe causram. Quem é que gosta de ficar em saia justa e constrangido diariamente, pelos seus graves erros e pelas suas vergonhosas demonstrações de traição pátria? A verdade, a meu ver, é que as tentativas da direita de proibir manifestações, de proibir os fora Temer, de impedir ocupações nas escolas, de realizar banquetes de luxo para comprar votos, de salvar mídias da falência através das publicidades "calem a boca” e, principalmente, de saber que será sempre rechaçada e esculachada nas aparições que acontecer em ambientes públicos, com toda certeza, para mim, são a comprovação maior, como se fosse uma espécie de imagem vivam, e ao vivo, que expõe os certeiros disparos da esquerda nacionalista. Antevejo, então, que apesar de continuar a tentativa de disfarçar as essas feridas, elas evoluirão, sem cura, até que o seu óbito político seja definitivamente consumido. 

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