A diplomacia da biruta conduzida por birutas, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Nenhum país jamais conseguiu crescer e ser respeitado sem definir uma política externa consistente de médio e longo prazo levando em conta seus próprios interesses.

A diplomacia da biruta conduzida por birutas

por Fábio de Oliveira Ribeiro

Esta semana fomos obrigados a testemunhar mais uma das trapalhadas de Jair Bolsonaro. A política externa dele é tão inconstante quando a bunda de um bebê.

Primeiro o mito sentou no colo de Donald Trump e hostilizou o mundo inteiro, comprometendo os interesses comerciais do Brasil. A derrota do trumpismo e a perspectiva de represalias norte-americanas por causa da devastação da Amazônia obrigaram-no a se reposicionar.

Na reunião dos BRICS o presidente brasileiro virou um peão do Kremlin nas disputas diplomáticas entre Rússia e China. Em troca Vladimir Putin elogiou a masculinidade dele.

O gesto de Putin foi apenas uma encenação, cuja finalidade aparente – o reforço da imagem de macho alfa que Bolsonaro usa para seduzir os fanáticos que o seguem – não terá qualquer consequência econômica. É cediço que os russos só importam produtos dos países que compram armas “made in Russia”. E isso o mito não ousaria fazer, porque os vagabundos da Embaixada dos EUA derrubariam ele com um sopro.

A China cuida dos seus próprios interesses. Hostilizada pelos Bolsonaro, Pequim já se afastou do Brasil, aumentou o comércio com a Argentina e apazigua os norte-americanos comprando mais grãos e alimentos “made in USA”. Os EUA por sua vez não comprarão nada produzido no Brasil. A Europa idem.

Resta o comércio entre nosso país e os cacarecos cortejados pelo Itamarary. Todavia, eles dificilmente conseguiram restabelecer o superávit comercial que o Brasil tinha quando se tornou a 5a. maior economia do planeta.

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Nenhum país jamais conseguiu crescer e ser respeitado sem definir uma política externa consistente de médio e longo prazo levando em conta seus próprios interesses. O Brasil não será uma exceção. Sem parceiros comerciais nosso país afundará mais e mais numa depressão econômica sem fim.

Celso Amorim foi um Ministro das Relações Exteriores firme, respeitado e extremamente competente. Ernesto Araujo substituiu a política externa “ativa e altiva” pela da “biruta a procura de um vento forte”. Conduzido não por seus interesses e sim por forças externas, o Brasil não vai a lugar algum. Tão cedo não sairemos do buraco em que fomos jogados em 2016.

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1 comentário

  1. Pois é, Fabio, enquanto um boçal continuar no poder, protegido por cafajestes fardados e togados, suas premonições serão corretas. Mas o problema parece estar na falta de uma radicalização maior por parte dos que gostaríamos que o boçal fosse escorraçado e de preferência preso, ele e seus pimpolhos corruptos e terroristas. Mas como fazer isto se: a) somos um povo de merdas covardes que sequer nos pomos nas ruas gritando incessantemente “fora boçais…”; b) se não contamos com ajudas externas, seja para forçar que os próprios apoiadores do boçal se ponham nas ruas berrando pela queda do boçal, seja para nos armarmos para encarar uma verdadeira revolução socialista? Quanto a essa ajuda externa, já passou da hora de pessoas com peso suficiente para serem ouvidas pelos chineses os estimularem a romper unilateralmente todos os contratos de importação de comodities brasileiras, declarando que só voltariam a importar daqui quanto o boçal fosse chutado e processado e preso… E se possível que eles (os chineses) estimulassem seus empresários a não mais investirem por aqui, impondo as mesmas condições já citadas para que voltassem a investir. Afinal, se o boçal tem apoio dos ignorantes e cafajestes do agronegócio, nada melhor que lhes causar um imenso prejuízo (de não comprar nada deles) caso os tais ignorantes não se dessem conta de que estariam sendo prejudicados por um imbecil que sequer respeita parceiros comerciais, o boçal, claro, e seu bando de fdp como gente das relações exteriores mais calhordas que o mundo já viu. Mas, cadê essas pessoas de peso para serem ouvidas por chineses? Celso Amorim? Lula? Ah! mas eles não se disporiam a isso partindo para um “quanto pior melhor”. Então, lamento, mas não sairemos do tal do buraco sem fundo em que fomos jogados desde 2016…vamos continuar quase chegando na merda…por falta de ação mais radical – única “linguagem” a atingir os boçais…..incluindo entre ações radicais um pouco mais de vergonha na cara na hora de votarmos….

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