A política no Paraná…, por Maurício Dottori

A política no Paraná…, por Maurício Dottori

As pessoas vivem de mitos, infelizmente. Um dos mitos fundadores do Paraná é a de que seria um estado de imigrantes europeus, que teriam dado forma aos sentimentos políticos do estado.

Quando o Paraná se dividiu de São Paulo em 1853 não havia quem administrasse o estado. Vieram famílias tradicionais da Bahia, do Ceará, de Pernambuco, do Maranhão para “formar” o novo estado. Juízes, desembargadores, administradores, são deste então ordenados segundo o coronelismo nordestino do século XIX.

No fim do século vieram os imigrantes, que entraram como uma cunha entre os coronéis e suas famílias e aqueles que ainda hoje os paranaenses chamam de “bugres”. Claro que desde então houve uma permeabilidade nos dois sentidos, mas observe os sobrenomes que se veem na classe dos políticos paranaenses como são ainda hoje muito mais frequentes os que vieram do nordeste, do que são no total da população paranaense, onde há muitos mais alemães, poloneses, italianos, japoneses. Mesmo um Lerner não teria sido possível não fosse a projeção que teve, contra a tradição dos coronéis nordestino-paranaenses, como prefeito-biônico na ditadura.

Dias, Pimentel, Bevilaqua, Mello e Silva, Requião, etc. uns coronéis melhores, outros piores… O que é importante é que o “mito” das origens européias serve a conservar a estrutura nordestina intacta. No Nordeste, ao menos, é evidente, e como tal tem sido muito lentamente contestada. O Álvaro Dias trata o Brasil como tradicionalmente tratou seus eleitores paranaenses…

 

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14 comentários

  1. Álvaro Dias tem a cara

    Álvaro Dias tem a cara daquela tia velha que não aceita envelhecer e põe botox em tudo que é dobra

    Até suas propostas são retocadas com botox

    • A essa altura do campeonato…

      … ver um artigo desse por aqui era a última coisa que esperava.

      Estão se preparando para uma mudança de rumos? Ajustando as velas para ventos de estibordo?

      Acorda aí, redação!

  2. No Parana também é assim

    Não conheço bem a historia da formação do Parana, mas o que conheço de Curitiba e de Londrina, onde tenho familia, é um pessoal muito provinciano, do tipo que não da bom dia dentro do elevador, e são orgulhosos de suas raizes… Que imagino muitos desconheçam em sua totalidade. 

    Quanto ao senador Alvaro Dias, um dia quem sabe Sergio Moro explique como ele escapou das delações da Lava Jato.

  3. Cazzo, que artiguete preconceituoso!

    Ao fim da leitura, conclui-se que, se fosse, de fato, uma administração “europeia” seria um estado melhor.

    Que o “atraso” se deve aos nordestinos.

    Que o judeu Lerner foi uma lufada de modernidade.

    Que a “origem europeia” não é um mito.

    É isso???!!!

    É voto certo no Boçal!

  4. Esses contrapesos à livre democracia,

    Certamente não possuem raízes nordestinas. Moro, Dalagnol, Posobon, Zucolloto, Borghetti, entre outros, nada tem a ver com o nordeste. Ou  estou mal informado e a Itália de Mussolini  mudou geográficamente e incrustou-se no nordeste.

  5. Texto mal compreendido?
    Vi aqui vários colegas criticando o texto, por terem entendido que o autor quis dizer que o problema da corrupção e do autoritarismo na política do Paraná é culpa de sua origem nordestina.

    Entendi de outra forma a mensagem do autor, e espero ter razão, pois seria realmente vergonhoso um articulista do GGN demonstrar tal nível de racismo contra nordestinos.

    Seja como for, a minha interpretação foi de que o autor quis dizer que a culpa do modelo corrupto, autoritário e conservador da política foi ter sido gerada no modelo de coronelato que havia no nordeste. Sendo que tal modelo nunca foi substituído, nem quando filhos dos imigrantes europeus alcançaram o Poder.

    O problema não foi a origem das pessoas que geraram tal sistema: o problema foi o modelo adotado.

    Outra mensagem, é que ainda que os paranaenses tenham a auto imagem de que são um povo de descendentes de alemães, poloneses e italianos, o Poder do Estado, as grandes famílias políticas ainda são os descendentes dos primeiros coronéis nordestinos, como se pode ver em nomes como Requião e Dias.

    Nomes como Moro, Dallangnol ainda estão em cargos públicos concursados, mas não no Poder político em si. Esta é minha interpretação.

    • Prezado Gy Francisco,
      Eu

      Prezado Gy Francisco,

      Eu havia postado esse texto como um comentário a uma pergunta do Luis Nassif de como era possível um político como o Álvaro Dias no Paraná, apenas isso. Não pensei que seria posto em separado da questão que ele tentava responder.

      Você o entendeu bem! Não me refiro ao povo nordestino, o que me parece óbvio no texto que escrevi. Relatei simplesmente que houve em meados do século XIX uma transferência da estrutura de poder vigente no Nordeste brasileiro, que era então baseado no conorelismo, para o Paraná. E que este sistema coronelista hereditário ainda permeia a política paranaense. O que tem isso a ver com o povo? Nada, é claro. As pessoas — não você — querem ler seus próprios preconceitos…

      E é verdade também que os moros-dalagnóis não têm origem nesta estrutura coronelista. Como é óbvio, ao contrário, se põem contra ela, até porque estupidamente criminalizam a política. Mas, se poderiam representar um estado mais moderno, por serem concursados e não indicados pelos parentes, como é também óbvio por força do mito das origens se deixam absorver sem contestação nesta estrutura de serviçais dos poderosos. É justamente porque há o mito, que os moros-dalagnóis se acreditam superiores à política, e ao mesmo tempo são incapazes de ver que todos os problemas que temos dependem de soluções políticas. 

      Como digo também, o mito da origem européia no Paraná embaça a percepção desta estrutura, ao contrário do Nordeste, onde a tradição coronelista, por ser evidente, vem sendo políticamente alterada pouco a pouco.

      Um abraço.

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