21 de maio de 2026

A Primavera dos Museus, por Allan Carlos Moreira Magalhães

A visão de museu que o Ibram propaga está em sintonia com o museu moderno que se identifica com o território e a comunidade
Museu do Homem do Norte - Manaus - Divulgação

A Primavera dos Museus

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por Allan Carlos Moreira Magalhães

A primavera é a estação das flores que desabrocham e perfumam o ambiente, transformando juntamente com a luz do sol a paisagem para torná-la vibrante e alegre. É, portanto, época de renovação e vida nova que surge, após a dormência própria do inverno.

O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), anualmente, desde 2007, desenvolve uma atividade chamada “Primavera dos Museus” que, durante a semana que inicia a referida estação, busca mobilizar os museus brasileiros para que elaborem programações especiais sobre um mesmo tema escolhido pelo Instituto, com o objetivo de promover, divulgar e valorizar os museus brasileiros; aumentar o público visitante e intensificar a relação museu e sociedade. Em 2025 terá início em 22 de setembro.

A Primavera dos Museus, para além de uma semana com programação especial, demonstra que o Ibram caminha para superar a visão tradicional de museu que tem como razão de ser as coleções, isto é, um museu de objetos, estático e direcionado para divulgação da história, das ciências e das artes. Um museu feito por especialistas para um público passivo.

A visão de museu que o Ibram propaga, através dos temas por ele propostos para a Primavera dos Museus, está em sintonia com o museu moderno que se identifica com o território, o patrimônio cultural e a comunidade que no contexto das vivências democráticas transforma o indivíduo e as comunidades em protagonistas, e os museus, antes estáticos, tornam-se instrumentos dinâmicos de transformação social.  

O tema “Meio Ambiente, Memória e Vida” da primeira Primavera dos Museus ocorrida em 2007 é um indicativo desta busca pela superação do paradigma do museu clássico, pois indica claramente que os museus devem ser agentes de desenvolvimento social e cultural.

O tema “Museus e o Diálogo Intercultural” da segunda edição sinaliza os museus como espaços de reconhecimento do direito à diferença, e nesta sintonia o tema “Museus e Mudanças Climáticas”, deste ano de 2025, segue nesta jornada e retoma a questão ambiental.

Assim, os temas propostos para debate nas dezenove edições da Primavera dos Museus transitam por questões afetas à nova museologia que foram discutidas nas Declarações do Chile (1972) e de Quebec (1984) e que rompem com a visão tradicional dos museus para considerá-los como ferramenta de desenvolvimento comunitário que não se limita às estruturas físicas de um edifício, porque ele precisa ser pensado de forma integrada com o ambiente, a paisagem, a comunidade.

A nova museologia muda o enfoque dos museus dos objetos para as comunidades, ampliando os interesses dos bens culturais materiais, para incluir os bens imateriais.

Os avanços do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) na construção de museus sob a perspectiva da nova museologia são constatados ao longo destas duas décadas que celebram a Primavera dos Museus. Mas também são sentidas as dificuldades de envolvimento das comunidades em suas diversidades culturais nestes processos construtivos, principalmente aquelas afastadas do eixo central de produção do conhecimento e de idealização das políticas culturais e museais, como as situadas na região amazônica.

Ali, não se desfruta da estação das flores, já que a região possui apenas duas estações: o inverno (cheias) e o verão (secas). Nessas condições, essas comunidades acabam secundarizadas em sua participação institucional e comunitária, bem como na preservação de seus patrimônios culturais.

Allan Carlos Moreira Magalhães, Doutor em Direito. Professor da Universidade do Estado do Amazonas. Articulista do Instituto Brasileiro de Direitos Culturais (IBDCult). É Autor do livro “Patrimônio cultural, democracia e federalismo” e coautor do livro “É disso que o povo gosta: o patrimônio cultural no cotidiano da comunidade”

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