4 de junho de 2026

A tarifa Bolsonaro, por Felipe Bueno

Quem me bajula está comigo; com os outros, que estão do lado oposto do balcão, converso por meio de ameaças, gritos e murros na mesa
Foto de Lula Marques - Bolsonaro conversa com seu filho Eduardo

A tarifa Bolsonaro

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por Felipe Bueno

Fazer a América grande de novo é apequenar e colocar sob seu guarda-chuva as nações ao redor, não em termos de proteção, mas antes de submissão.

Já vivemos isso. Os livros de História contam. Mais ainda, nossos ancestrais também.

Os mecanismos da imposição variam por causa do estágio tecnológico e das condições geopolíticas de cada momento histórico.

Pois estamos em 2025.

Olhando em retrospectiva, dá quase para ter uma sensação de saudade do tempo em que Henry Kissinger era um dos homens mais poderosos do planeta Terra. A coisa parecia, no mínimo, menos histriônica e caricata.

Do ponto de vista da presidência dos Estados Unidos, reconheçamos os avisos dados: houve uma linha sucessória de pessoas muito menores que os cargos que ocuparam, linha da qual fazem parte, por exemplo, Richard Nixon, Ronald Reagan e George W. Bush.

E, pensando bem, olhando novamente em retrospectiva, dá – quase, por favor – para ter uma sensação de saudade até de George W. Bush, porque há estágios e estágios de histrionismo, auto-indulgência e perversidade.

Mas estamos em 2025.

Portanto vale, numa comunicação oficial por escrito cujo objeto são relações comerciais em nome de um Estado, relatar a outro, ambos soberanos, que o primeiro está impondo restrições ao segundo por um punhado de dólares, mas também porque seus fãs abaixo do Equador ainda não silenciaram o ressentimento da derrota de 2022.

Esta é a era inteligente, como dizem alguns turistas a passeio em Lisboa, e nela o disfarce de sobriedade e ponderação outrora usado por chefes de Estado se faz desnecessário, uma vez que metade do mundo se comporta infantilmente nos moldes de um cercadinho bolsonarista.

Uso essa expressão sabendo do risco que corro ao, lá adiante, ver que contribuí, com 22 letras, para o estabelecimento do ex-presidente do Brasil como uma causa, defendida obviamente em primeiro lugar por sua família e depois por um grande contingente de pessoas. Algo maior do que ele é e merece ser.

Um catalisador de baixa qualidade e alto nível de impurezas, tóxico, que aparenta num primeiro momento aumentar a velocidade da reação química, mas que no médio prazo desencadeia um processo irreversível de autodestruição.

Que já proporcionou subprodutos ainda mais nocivos, e não estamos falando da família.

Mas serve – e como! – para os interesses de quem está vendo tudo isso lá de cima.

Quem me bajula está comigo; com os outros, que estão do lado oposto do balcão, converso por meio de ameaças, gritos e murros na mesa (poderiam ser marteladas também, como fez em determinada oportunidade um de seus clones brasileiros mais dissimulados).

No entanto, e aí reside uma esperança, parte do séquito, ou devemos talvez chamar de torcida, apesar da coceira da ideologia, move-se mais pelo bolso que pelo coração. Esse contingente sabe que, em duas décadas, nossa pauta de exportações para a China passou de menos de 3% para quase 30% do total. Sabe também que nossa balança comercial com o país de Trump está vermelha (que horror!) há mais de década e meia. Sendo assim, ainda que boa parte desse grupo adorasse, por gosto pessoal, usar o boné vermelho MAGA, o futuro de seus luxos e dos luxos de seus herdeiros não permite tais arroubos.

Se os caixeiros-viajantes brasileiros de ideologias baratas e falsas narrativas já há tempos se pronunciaram e estão se articulando lá fora, cabe agora aos exportadores de verdade perceber que é hora de trocar a estupidez pela civilidade.

Pois em algum momento o séquito deixa de ser útil, e não raro tarde demais.

Talvez o profeta Elon Musk possa nos ajudar com respostas a algumas perguntas.

Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem graduação em Jornalismo e História, com especializações em Política Contemporânea, Ética na Administração Pública, Introdução ao Orçamento Público, LAI, Marketing Digital, Relações Internacionais e História da Arte.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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O Observatório de Geopolítica do GGN tem como propósito analisar, de uma perspectiva crítica, a conjuntura internacional e os principais movimentos do Sistemas Mundial Moderno. Partimos do entendimento que o Sistema Internacional passa por profundas transformações estruturais, de caráter secular. E à partir desta compreensão se direcionam nossas contribuições no campo das Relações Internacionais, da Economia Política Internacional e da Geopolítica.

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  1. JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO

    11 de julho de 2025 7:31 am

    A fixação dos seguidores do Coiso, pelo verde/amarelo, não tem nada a ver com o patriotismo proclamado por eles e sim com a cor resultante da mistura das duas cores. Quando se mistura verde com amarelo, se produz uma coloração semelhante ao que as suas mentes pervertidas produzem de sobejo.

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