
A teratologia escancarada, por Guilherme Scalzilli
Um juiz de férias coordena a desobediência de um delegado da Polícia Federal a um desembargador. Enquanto isso, membros do tribunal atravessam prerrogativas para anular uma decisão legítima do plantonista. O objetivo: impedir um habeas corpus concedido ao favorito nas pesquisas presidenciais. Não aconteceu numa ditadura bolivariana ou islâmica. Aconteceu no país da normalidade democrática, onde só militares aplicam golpes.
Tudo previsível, lamentavelmente. A avalanche de inconstitucionalidades vem desabando há meses, anunciando futuros sombrios, enquanto o garrote se normaliza a cada arbítrio da Lava Jato. Aconteceu de novo e de novo passará incólume.
O que de fato sobressai no episódio é o desnudamento irreversível do caráter político da prisão de Lula. As autoridades vociferando ordens de seus retiros dominicais e turísticos. A mobilização desesperada e quase clandestina, o enfrentamento indisciplinado, o atropelo de ritos. A afoiteza das maiores instâncias da Justiça, lutando contra o tempo como se estivessem metidas numa invasão de alienígenas famintos.
Fizeram parte da tragicomédia os circunspectos especialistas midiáticos, inventando bobagens sobre “juízo natural” e “competências”, vociferando jargões vazios, distorcendo normas e conceitos num estranho surto de ignorância jurídica. Então descobrimos que os textos legais são demasiado ambíguos para as combativas “agências de checagem”.
A selvageria ideológica da Cruzada Anticorrupção foi instrumentalizada pelo coronelismo eleitoral. Uma espécie de loucura sem loucos que protege as decisões judiciais e entorpece os debates públicos sobre elas, obstruindo a percepção e a denúncia dos absurdos cometidos contra Lula. O delírio ultrapunitivista se confunde com o ódio ao ex-presidente, servindo de pretexto inclusive para criminalizar tentativas de preservação de seus direitos constitucionais.
Não havendo esperança de vitória nesse deserto de regras, o combate possível é romper a ilusão do jogo ritualístico, derrubar o manto doutrinário que esconde a ditadura togada. Triunfos técnicos da defesa de Lula, como no blefe dos recibos, apenas forçam mudanças de estratégia condenatória. Já o imbróglio simbólico do habeas corpus arrancou os guardiões da Lava Jato da pantomima do rigor processual. Despiu-os de seus personagens republicanos.
Decerto virá resposta à altura da infame provocação petista. Afinal, garantindo sua própria impunidade e legitimando a si mesmo, o Regime Judicial de Exceção tem poderes ilimitados. Nisso, contudo, ele se torna vulnerável. Quanto maiores os esforços empenhados para destruir a influência de Lula, maior a derrota da obsessão imperial dos tribunos e mais óbvia a disparidade entre o indivíduo e as corporações que o martirizam.
O cunho eleitoral da investida também prejudica seus protagonistas. Alimentada pela ameaça do lulismo, a radicalização fanática aproxima os déspotas da Lava Jato do polo reacionário da disputa presidencial. A julgar pelas pesquisas, a certa altura os monstros se unirão em torno da causa comum. Então, alinhados ao atraso, rejeitados por todas as correntes partidárias, receberão do país aquilo que tentam outorgar a Lula. Tarda mas não falha.
http://guilhermescalzilli.blogspot.com/2018/07/a-teratologia-escancarada.html
J.J. Lopez
18 de julho de 2018 10:45 pmOs protestos me engana que eu gosto das esquerdas
Enquanto isso resta às esquerdas os protesto de sempre: Passeatas na Av. Paulista. Atos contra a prisão do Lula. Festival contra a prisão do Lula. Greves contra a prisão do Lula. Vigília contra a prisão do Lula. No final, Lula mofando na cadeia. Os líderes das esquerdas deveriama assumir de uma vez que esse tipo de protesto é pura enganação não serve para absolutamente nada.Lula cometeu dois erros gravíssimos. O primeiro foi acreditar que a justiça seria feita. Não foi. O segundo que a militância comandada pelos líderes da esquerda liderariam pesados protestos e não permitiriam que ele ficasse na prisão por mais tempo. Se enganou. Os líderes das esquerdas se limitam colocar meia dúzia de gatos pingados do MST e do MTST nos protestos. Preferem os discursos de sempre sem se exporem.
Rui Ribeiro
19 de julho de 2018 10:44 amFavreto fez os Jateiros tirarem suas bundas gordas da cadeira
Com uma caneta, Favreto tirou os Jateiros de suas zonas de conforto. E eles saíram de suas zonas de conforto com a espada em uma das mãos e a calça na outra.
Sou a favor de um levante popular e que as pessoas em fúria invadam as casas dos Jateiros Traíras, os arrastem para as ruas e os linchem, como no Bogotazo, ocorrido em 1948.
Se fossem criminosos comuns eu não apoiaria essa selvageria contra eles, mas como são criminosos políticos, prrejudicando os trabalhadores com suas decisões atabalhoadas, eu sou favorável ao linchamento desses vermes.