
Bobo da Corte
por Orlando Silva
Teatral. Falas curtas, impactantes, mas vazias de propostas. O pré-candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro divertiu a plateia com piadas prontas durante sabatina com representantes da indústria nacional ontem.
É chocante que parte da platéia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), elite industrial do Brasil, tenha assumido a condição de público de um tipo de stand up com frases irônicas e engraçadas, sem considerar a gravidade dos conteúdos. Se as eleições brasileiras fossem uma comédia, seria normal os aplausos de um público entretido com o show oferecido.
Fica cada vez mais claro que Bolsonaro é o novo fantoche da elite brasileira. É grave que um presidenciável manifeste tamanha ignorância em assuntos cruciais para o país, como economia e educação. Prestes a concluir o sétimo mandato de deputado, ele disse que ainda não encontrou tempo para estudar o básico sobre contas públicas: “Sou capitão do Exército, artilheiro, não estudei economia. Será que nós temos de entender de tudo?”. Na sequência, falou que quem responde sobre o assunto é o economista Paulo Guedes, que o apoia.
A mesma estratégia foi utilizada para fugir de questionamentos sobre educação. “Não quero falar daquilo que não domino. Quem tem competência para tudo? Se nós temos de nos socorrer da esposa para administrar uma casa, quanto mais para administrar um país”, destacou Bolsonaro. Nesta fala, ele manifestou ainda a sua conhecida postura machista, o que agride a história de luta das mulheres brasileiras em defesa de mais igualdade, respeito e emancipação.
Outro fato gravíssimo foi o presidenciável dizer que tomará o lado dos patrões em disputas com os trabalhadores, que são a maior parte da população. Garantiu que fará valer a vontade dos “senhores”, sinalizando que podemos retornar quase ao tempo de escravidão no Brasil. Se for eleito, os trabalhadores terão de decidir entre ter “menos direitos e emprego ou todos os direitos e nenhum emprego”, ameaçou Bolsonaro.
As vaias ao outro pré-candidato Ciro Gomes, que defendia a revisão da Reforma Trabalhista, também indicam a falta de civilidade e pobreza da elite brasileira, que se mostra atrasada, sem perspectiva e sem projeto nacional. É um absurdo que um candidato seja convidado para um debate e não possa expressar livremente as suas ideias, sendo alvo de intolerância. Vale destacar que a visão de Ciro de que houve a precarização do mundo do trabalho é correta. Ele não falou nenhuma bobagem.
A CNI deveria ser um espaço de reunião da inteligência nacional para discutir o enfrentamento dos principais problemas do país. É chocante perceber que a sabatina revelou apenas a miséria intelectual de uma elite descompromissada, que tenta encontrar um novo fantoche para seu teatro de bonecos. O único objetivo é satisfazer seus interesses econômicos em detrimento dos brasileiros e do Brasil. O presidente ilegítimo Michel Temer é o brinquedo atual, que apresenta políticas públicas equivocadas para cumprir esse papel. Já houve outros na história nacional. O certo é que, nas eleições de outubro, o povo dará um basta a essa situação e elegerá um nome comprometido com um país desenvolvido e socialmente justo para todos. A pré-candidatura de Manuela D’Ávila apresentada pelo PCdoB é uma excelente alternativa para o país. Chega de bobos da Corte!!!
Orlando Silva – Líder do PCdoB na Câmara e deputado federal por São Paulo.
jruiz
6 de julho de 2018 8:48 pm.. eles vão construir e
.. eles vão construir e destruir o bolsonaro..
.. a globo já está embarcando..
.. só não ganha as eleições se os militares intervierem..
.. tanto faz, aconteça o que acontecer, será ruim..
Eu tento contribuir escrevendo coisas como essa: https://jornalggn.com.br/blog/jruiz/todos-os-dias-quando-acordo-nao-tenho-mais-o-tempo-que-passou
Hildermes José Medeiros
6 de julho de 2018 9:34 pmÔ Orlando, você está certo
Ô Orlando, você está certo quanto à burguesia deles, ainda quando identifica o bobo da corte! Mas, até Manuela D’Ávila sabe que ainda não é a sua vez, tem comer muito feijão, engordar a biografia. Seria a aventura Bolsonaro com o sinal trocado. De mais a mais, por mais que o Golpe ponha empecilho para que Lula volte ao poder, que a direita procure um candidato e não encontre nem unzinho, e que alguns por achar-se de esquerda, considerando ser essa uma varinha de condão que o põe bem próximo do povo, julgando-se por isso com possibilidade de até ser eleito, caso Lula não seja candidato, nessas condições alguns há até com mais rodagem que a Manuela. O jogo está jogado, a roleta girando desde a prisão de Lula. A maioria das fichas está há mais de 90 dias no seu nome, nos demais poucos querem arriscar, exceto os de Bolsonaro, que recebe algumas fichas, mesmo assim menos da metade das de Lula, mas tem variado muito pouco as no seu nome. Os que se dizem donos do cassino (parece que tem gente das bandas de Las Vegas) , que gostariam de continuar nesse negócio, fingindo que o jogo é limpo, onde tem ganhado muito dinheiro, vê-se numa aflição, porque mesmo poucos que ainda têm fichas nas mãos, quando ameaçam afastar Lula da mesa, recusam-se a botar fichas, a não ser no seu nome ou no nome que este Líder indique. Diga-se de passagem, que estas fichas são mais do que todas postas nos demais nomes. Estamos num impasse: ou a roleta roda, ou tiram a roleta com todas as consequências que possam advir. Aí, sim, muito difícil dizer para onde soprará o vento e, a depender de sua velocidade muitos podem até ficar abatidos no caminho, ser expulsos por atuarem fora das regras. Os que dominam o cassino têm pressa, a cada dia que passa, fica mais difícil de a roleta ser parada. Digo mais: deixar a roleta seguir o seu curso é o melhor caminho para todos, mesmo com risco de perder.
AMORAIZA
6 de julho de 2018 9:50 pmCandidato abençoado
O bolsonaro é um candidato abençoado não só pela unção dos crentes.
Ele é abençoado por ser ignorante.
Todo mundo sabe que a ignorância é uma bênção.
Ela nos poupa de indagações sobre a realidade das nossas mazelas
peregrino
6 de julho de 2018 9:54 pmnão mais que de repente lembrei de certo brigadeiro…
um que foi retirado do páreo por ofender marmiteiros e, pior, sem saber o que era marmita,
deixando uma dúvida que permanece até hoje:
foi retirado do páreo pelos marmiteiros ou pelos fabricantes de marmitas?
( leitura rápida do assunto cagadas políticas; e se me enganei na interpretação, de antemão agradeço qualquer correção )
peregrino
6 de julho de 2018 10:02 pminterpretei assim…
…bando de preguiçosos e desocupados, eu quero o voto de cada um de vocês…
Paulo Dantas
6 de julho de 2018 10:04 pmDe bobo ele nada tem …
De bobo ele nada tem.
Maria Carvalho1
7 de julho de 2018 1:43 amNão sei se será publicado a
Não sei se será publicado a tempo: como já fora dito por uma atriz, agora, digo eu, uma cidadã: TENHO MEDO!
Mr. Rambouz
7 de julho de 2018 1:51 pmele não é o bobo, é o “punho” da corte.
Parte da esquerda sempre diminuiu e continua diminuindo a ameça que Bolsonaro representa. Continuar ridicularizando o Bolsonaro sem avaliar seriamente o seu papel politico, centrado na figura dele sem examinar as forças que estão em torno (e por trás) da campanha dele só ajuda ele a crescer. Ridicularizar o Bolsonaro é fazer o jogo do adversário.
Ele é o punho da corte, não é o bobo. Mussoline dizia que a ideologia do fascismo é o punho.O Bolsonaro é fascista, sua meta é o poder a qualquer custo, agrada quem tiver poder para chegar ao governo. Isso inclui a CNI e claro, o setor agrícola que em grande parte já aderiu ao Fascismo – o poder do dinheiro – além dos militares (principalmente as PM”s)- o poder das armas – e as ‘igrejas’ – o poder da ideologia (e do dinheiro também, né?)
E me desculpe nobre deputado, mas é um terrivel engano dizer que a CNI é uma ‘espaço de reunião da inteligencia nacional’ para discutir os problemas do Brasil. Inteligencia não se mede por dinheiro, a CNI não é um congresso universitário ou academico nem é um orgão de pesquisa independente. A elite capitalista no mundo todo não prima pela ‘inteligencia’.
A CNI é um espaço para os grandes industriais revelarem e discutirem os seus intere$$e$. E tá mais do que claro quais são os interresse$ dos grandes capitalistas: levar as politicas neoliberais as úlitmas consequencias e exercer a coerção máxima sobre as vítimas dessas politicas, os trabalhadores.
O Bolsonaro não foi nada ‘bobo’ ao dizer ‘falem com o Paulo Guedes’ – um dos fundadores do Instituo Milleniun -, com isso ele estava dizendo que irá atender todos os interesses dos grandes capitalistas. E como esses interesses entram em conflito com o da maioria da população, ou seja, a classe trabalhadora, o Bolsonaro entra com o ‘punho’ – e justamente quando ele sinalizou isso que foi aplaudido.