21 de maio de 2026

Brasil 2026: entre a esperança de projetos e o medo do retrocesso, por Augusto Rocha

A pauta pública sente falta da deliberação de projetos. Só há frases, não aparecem projetos e ideias de construções.
Kandinsky

Eleições de 2026 no Brasil trazem debate entre esperança por projetos e medo do retrocesso político e social. Falta de projetos coletivos e visão clara limita ações públicas; prevalecem críticas, cancelamentos e ausência de inovação. Economia enfrenta juros altos e inflação; sem projetos e esperança, crescimento e mudança ficam comprometidos.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Brasil 2026: entre a esperança de projetos e o medo do retrocesso

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

por Augusto Cesar Barreto Rocha

              2026 trará eleições dos poderes executivos e legislativos, estaduais e federal. Como estará o espírito brasileiro? Com o espírito da esperança que leva a ação ou com o espírito do medo, que nos empurra ao passado e à destruição? A construção de projetos depende de esperança, visão. Só poderemos ter ações se soubermos o que queremos. Acontece que a capacidade de conceber projetos está fora das discussões. O que sobra são críticas para todos os lados e busca de vantagens pessoais. Parece que perdemos a capacidade da busca coletiva.

              A pauta pública sente falta da deliberação de projetos. Só há frases, não aparecem projetos e ideias de construções. Há bastante cancelamentos e buscas de destruição. Há pouco de propostas inovadoras que construam a vontade de mudar para melhor. Entretanto, é difícil ter vontade de mudar se não há esperança. Se tudo parece tão difícil e ruim, é como se só restasse a morte e a destruição de tudo que está aí. Não conseguimos deliberar sobre construções de futuro, mas avaliamos constantemente com base em “consensos” torpes, medrosos ou daqueles que pouco ou nada entendem das necessidades das massas.

              Até quando seguiremos com as bússolas perdidas? As nossas histórias não são contadas e deliberadas. Os nossos sucessos são esmagados pelos pequenos e grandes erros. O contraste de acertos e erros fica difícil de ser feito. O contraste de previsões e projetos, com resultados de previsões e de projetos é pouco realizado. Nos especializamos em avaliar o futuro, mas não em constatar se a avaliação estava certa ou errada, muito menos as razões. Há uma profusão de previsões que dão errado e continuamos a ouvir os mesmos previsores.

              A possibilidade de construir projetos para o desenvolvimento do Brasil segue aberta. Todavia, parece que não se quer desenvolvimento ou mudança. A mobilidade urbana nas cidades é sofrível, mas pouco ou nada se discute. A taxa de juros segue alta. Ao final de 2024, no relatório Focus, o dólar era previsto entre R$ 5,96 e R$ 6,00 e a SELIC a 13,5%. O dólar está mais barato e o juro mais alto. Até quando seguiremos com um juro alto que aterra os investimentos? Enquanto isso, as empresas seguirão a aumentar preços para buscar recursos para investir de dentro da margem de lucro ou para encontrar recursos extras para aumentar os salários, dado o baixo desemprego.

              Precisamos encontrar mais motivos para otimismo. Para isso precisaremos de projetos, de crescimento da economia, com menos aumento de custos, de objetivos coletivos. Sem esperança e projetos coletivos, ficaremos rodando em círculos, onde os ricos ganham mais e mais – simplesmente fazendo investimentos sem risco ou aumentando a margem para fazer investimentos produtivos e compor suas equipes. Precisamos urgentemente de projetos. Não faltam problemas, mas faltam ideias. Por ora, o único projeto que está em curso é vender o medo.

Augusto Cesar Barreto Rocha – Professor da UFAM.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepautaggn@gmail.com. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN

Augusto Cesar Barreto Rocha

Augusto César Barreto Rocha é Professor Associado da UFAM. Possui Doutorado em Engenharia de Transportes pela UFRJ (2009), mestrado em Engenharia de Produção pela UFSC (2002), especialização em Gestão da Inovação pela Universidade de Santiago de Compostela-Espanha (2000) e graduação em Processamento de Dados pela UFAM (1998).

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados