21 de maio de 2026

Canarinho jersey, por Felipe Bueno

As cores verde e amarela e a camisa da seleção brasileira foram apropriadas por apoiadores do ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro.
Joedson Alves/Agência Brasil

do Observatório de Geopolítica

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Canarinho jersey

por Felipe Bueno

Aos que apreciamos o estudo do soft power nas relações internacionais e sabemos da tradição positiva do Brasil na área, nada como iniciar 2024 viajando para a Europa com a certeza de que, mais de um ano após os alívios da última eleição presidencial, ainda pagamos lá fora por vexames conquistados na gestão (?) anterior.

Faltam poucos dias, quem quiser deve se apressar: o cenário é o Museu da Fifa, em Zurique. Na exposição Designing the Beautiful Game, em parceria com o The Design Museum, de Londres, figuram dois exemplares de camisas da seleção brasileira. Mais que as peças em si, porém, é a descrição do material que simboliza os tempos vividos recentemente.

“Novas gerações e contextos trazem novos significados para a cor”, diz, em inglês, a placa que identifica as peças, informando que, nos últimos anos, as cores verde e amarela e especialmente a camisa da seleção brasileira foram apropriadas por apoiadores do ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro.

E ainda dizem alguns, ingênuos, ou pior, a serviço da desinformação, que “futebol é futebol, política é política”…

Em momentos assim confirmamos que grandes jogadores não são automaticamente grandes homens, e o patamar desses últimos sempre estará mais acima.

Ficará para outro texto, prometo, debater o fato de que a canarinho jersey supostamente representa um país com uma parcela importante da população que realmente acredita nisso e se importa. Na prática, porém, o tal pedaço de pano é usado e gerido por uma sigla de três letras, uma pessoa jurídica com uma ficha corrida repleta de manchas, bem como boa parte de seus ex, atuais e provavelmente futuros dirigentes.

E talvez a vergonha maior, nesse caso, seja o fato de que a lembrança da associação recente da camisa verde e amarela com o conservadorismo e o retrocesso tenha sido feita em um evento oficial da FIFA, companhia privada historicamente bem relacionada com pessoas, empresas e governos que desprezam a democracia e a transparência.

Sabemos todos que, entre 2019 e 2022, o Brasil, no palco mundial, foi uma paródia de péssimo gosto de tudo o que conquistou em sua história nas relações internacionais. Começa 2024 e ainda estamos recolhendo estilhaços – literalmente, inclusive – da atuação da escória que, por enquanto, voltou aos subterrâneos. A exposição Designing The Beautiful Game vai até 25 de fevereiro. As ameaças à nossa democracia, no entanto, seguem vivas, ainda que em momentâneo silêncio.

Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem graduação em Jornalismo e História, com especializações em Política Contemporânea, Ética na Administração Pública, Introdução ao Orçamento Público, LAI, Marketing Digital, Relações Internacionais e História da Arte.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepautaggn@gmail.com. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

Observatorio de Geopolitica

O Observatório de Geopolítica do GGN tem como propósito analisar, de uma perspectiva crítica, a conjuntura internacional e os principais movimentos do Sistemas Mundial Moderno. Partimos do entendimento que o Sistema Internacional passa por profundas transformações estruturais, de caráter secular. E à partir desta compreensão se direcionam nossas contribuições no campo das Relações Internacionais, da Economia Política Internacional e da Geopolítica.

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