5 de outubro de 2026

Empresários, poder e as escolhas feitas depois que a porta se fecha, por Celso P. de Melo

Em 27 de agosto, a sala reunia empresários diante de uma possibilidade de poder. Depois de 4 de outubro, sabemos que a possibilidade era real.
Imagem gerada por IA

Em 27/08/2026, empresários influentes reuniram-se em São Paulo com Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência.
Flávio apresentou seu projeto econômico e político, sem apoio explícito; Pedro Parente saiu da reunião com opinião negativa.
Após o 1º turno, Flávio liderou com 47%, mostrando a reunião foi o início de uma avaliação política, não um apoio unânime.

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A sala

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Empresários, poder e as escolhas feitas depois que a porta se fecha

por Celso P. de Melo

Eles não sabiam onde aquilo terminaria. Mas sabiam muito sobre como estava começando.

Quem entra na sala

Numa noite de agosto, alguns dos homens mais influentes do mundo empresarial brasileiro começaram a chegar a um apartamento no Itaim Bibi, em São Paulo. Eram banqueiros, executivos, investidores e empresários: Luiz Carlos Trabuco, Milton Maluhy Filho, Gilson Finkelsztain, Roberto Campos Neto, Pedro Parente, Richard Gerdau, Fábio Ermírio de Moraes, João Camargo, Daniel Goldberg e outros nomes conhecidos do mundo dos negócios.

O anfitrião era Marcelo Kayath, ex-Credit Suisse e sócio da QMS Capital. O convidado principal, Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República. Era 27 de agosto de 2026.

Pouco mais de cinco semanas depois, ele terminaria o primeiro turno da eleição presidencial em primeiro lugar, com 47,03% dos votos válidos e mais de 56 milhões de votos, seguindo para o segundo turno contra Lula.

Naquela manhã, Flávio já estivera com executivos do Bradesco. À noite, chegou acompanhado de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa no governo de Jair Bolsonaro e responsável pela área econômica de sua campanha. Não era uma reunião clandestina, nem há evidência de que tivesse sido organizada para arrecadar dinheiro. Segundo participantes, a conversa começou com a afirmação explícita de que estar ali não significava apoio nem implicava pedido de ajuda para a campanha.

A ressalva é essencial: receber não é apoiar; ouvir não é financiar.

Pedro Parente demonstraria isso algumas semanas depois. Disse ter aceitado o convite porque desejava ouvir pessoalmente alguém que poderia chegar à Presidência e relatou ter saído com uma opinião pior do que aquela com que entrara. Não votaria em Flávio. A presença numa sala, portanto, não transforma automaticamente ninguém em apoiador de quem fala – embora a existência da sala, as pessoas que ela reúne e o que acontece depois dela possam ter significado político.

O resultado de 4 de outubro mostraria que a premissa de Parente estava correta: tratava-se efetivamente de alguém com possibilidade concreta de chegar à Presidência. Isso torna ainda mais significativo o restante de seu testemunho: ouvi-lo não o aproximou do candidato; afastou-o.

Naquela noite, Flávio apresentou aspectos de seu projeto. Segundo relatos de participantes, afirmou que sua relativa independência dos partidos do Centrão poderia ajudá-lo a preservar a área econômica de pressões políticas. Perguntado sobre o Supremo Tribunal Federal, disse que eventuais mudanças deveriam ocorrer democraticamente, pelo Congresso.

O registro é importante porque uma análise séria não pode procurar numa reunião apenas aquilo que confirma uma hipótese previamente formulada. Se queremos compreender o que os presentes ouviram, precisamos também registrar o que contraria a ideia de que lhes tenha sido apresentado um projeto explícito de ruptura institucional.

Daniella Marques concentrou boa parte da exposição econômica: ajuste fiscal, gastos públicos, impostos, reforma administrativa. Em determinado momento, surgiu uma brincadeira. Jair Bolsonaro tivera Paulo Guedes, seu “Posto Ipiranga”; Flávio teria a vantagem de dispor de “dois poços de petróleo”: Daniella Marques e Marcelo Kayath.

A metáfora era espirituosa. Talvez dissesse mais do que pretendia.

O que esses brasileiros sabem?

Pouco mais de um mês depois, João Moreira Salles publicou na revista piauí o ensaio “O que esses brasileiros sabem”. A pergunta atingia diretamente alguns dos homens que haviam estado no apartamento do Itaim. Eles conheciam Jair Bolsonaro – sua trajetória, suas declarações, seu governo e os acontecimentos posteriores à eleição de 2022 – e conheciam também Flávio Bolsonaro. Não poderiam alegar desconhecimento da história recente.

Salles perguntava, essencialmente, o que significa aproximar-se politicamente de uma candidatura carregando esse conhecimento. A questão é legítima, mas a resposta se torna problemática se a presença numa reunião for tomada, por si só, como demonstração de apoio.

Parente torna visível o problema: esteve ali precisamente para formar uma opinião e saiu com uma avaliação negativa. Roberto Rachewsky, em resposta a Salles, formulou a objeção de maneira direta: sentar à mesa não é aderir; conversar não é endossar. Nesse ponto, tem razão. Normalização não é culpa por associação.

Daí, porém, não decorre que toda aproximação política seja neutra. Um candidato também é avaliado pelas portas que consegue abrir, pelas pessoas dispostas a ouvi-lo e, sobretudo, pelos nomes que aceitam associar sua reputação profissional ou institucional a um eventual governo.

Na política, reputações circulam. Um candidato pode chegar trazendo essencialmente o próprio nome e sair associado à credibilidade que outros construíram muito antes daquele encontro.

É nesse sentido mais restrito que se pode falar em normalização: não como sinônimo de apoio, mas como o processo pelo qual um ator antes percebido como exterior, arriscado ou inaceitável passa a integrar os cálculos ordinários da política. Talvez a pergunta decisiva seja: quando sua presença deixa de exigir explicação?

O resultado do primeiro turno introduziu, porém, uma variável que não existia quando aquela porta se abriu: mais de 56 milhões de votos. Uma candidatura pode ser normalizada por elites econômicas, mas pode também chegar a elas impulsionada por uma força eleitoral que independe delas. O resultado de 4 de outubro obriga, assim, a inverter parcialmente a pergunta: aqueles empresários estavam ajudando a tornar Flávio Bolsonaro um candidato politicamente normal ou estavam reconhecendo, antes de outros, que ele já se tornara uma possibilidade real de poder?

Para respondê-la, não basta saber quem entrou. É preciso acompanhar o que cada um fez depois que saiu.

O que se sabia ao entrar

Em 20 de fevereiro de 1933, cerca de duas dezenas de grandes industriais e dirigentes empresariais alemães entraram em outra sala. Qualquer comparação exige uma advertência imediata: São Paulo não é Berlim; Flávio Bolsonaro não é Adolf Hitler; os empresários reunidos no Itaim em 2026 não são os industriais alemães de 1933. A história não é um mecanismo destinado a produzir repetições.

Quando aqueles industriais se reuniram na residência oficial de Hermann Göring, Hitler já era chanceler. O Reichstag fora dissolvido, novas eleições estavam marcadas para 5 de março e restrições à imprensa e às reuniões políticas já haviam sido adotadas.

Hitler falou sobre propriedade privada, marxismo e democracia parlamentar. Depois que deixou a reunião, Göring tratou da eleição, e Hjalmar Schacht propôs a formação de um fundo eleitoral de cerca de 3 milhões de Reichsmarks; os registros disponíveis documentam contribuições superiores a 2 milhões.

É, portanto, historicamente inadequado afirmar simplesmente que “os grandes empresários colocaram Hitler no poder”. Ele já era chanceler, e a historiografia mostrou que o apoio do grande empresariado ao nazismo antes de sua chegada ao governo foi mais heterogêneo e limitado do que certas interpretações posteriores fizeram parecer.

O encontro continua importante por outra razão. Aqueles homens estavam diante de um governo que já alterava as condições da competição política. Ouviram Hitler atacar a democracia parlamentar, ouviram Göring indicar que aquela eleição poderia ser a última por muito tempo e, depois disso, discutiram dinheiro.

Eles não sabiam onde aquilo terminaria. Mas sabiam muito sobre como estava começando.

A distinção é fundamental: a responsabilidade por uma escolha deve ser examinada à luz das informações disponíveis quando ela é feita, e não do conhecimento que o futuro acrescenta retrospectivamente.

Não existe “o empresariado”

A experiência brasileira de 1964 ensina algo diferente. Também ali seria enganoso tratar “os empresários” como um único personagem.

Setores importantes participaram da articulação contra João Goulart. Gastão Eduardo de Bueno Vidigal, ligado ao Banco Mercantil de São Paulo e à Cobrasma, integrou o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), organização criada por empresários e intelectuais que teve papel relevante na oposição ao governo Goulart e na articulação que antecedeu o golpe. Nos anos seguintes, relações entre empresários daquele grupo e o aparelho repressivo se aprofundariam. Gastão Vidigal participaria da arrecadação de recursos para a Operação Bandeirante; Henning Boilesen, do Grupo Ultra, se tornaria o símbolo mais conhecido do financiamento empresarial da repressão.

Outros seguiram caminhos diferentes. Fernando Gasparian integrava uma corrente empresarial nacionalista e denunciara, antes do golpe, articulações de industriais contra o governo Goulart; depois dele, seria perseguido, deixaria o país e, anos mais tarde, criaria o jornal Opinião. Mário Wallace Simonsen e Celso da Rocha Miranda, controladores da Panair do Brasil, não apoiaram o golpe; a companhia seria fechada pelo novo regime, numa decisão que, décadas depois, a Comissão Nacional da Verdade consideraria politicamente motivada. José Mindlin, fundador da Metal Leve, posicionou-se contra a ditadura e, mais tarde, recusou-se a financiar a Operação Bandeirante.

A história empresarial de 1964 não descreve, portanto, uma fila marchando na mesma direção, mas sim escolhas, fronteiras e bifurcações. Alguns ajudaram a abrir a porta e avançaram muito além dela; outros recusaram determinadas formas de colaboração; outros se encontravam em um campo distinto desde o começo e pagaram por isso.

Nada disso equivale à decisão de comparecer a um jantar eleitoral em 2026. As circunstâncias, os riscos e a natureza dos atos são profundamente diferentes. A lição é metodológica: não existia “o empresariado” em 1964, assim como não existe “a Faria Lima” em 2026.

E uma decisão não contém necessariamente a seguinte. A responsabilidade política não nasce de uma fotografia. Nasce de uma sequência de escolhas.

Quando já houve uma primeira vez

Em 2018, Jair Bolsonaro apresentava ao empresariado um problema peculiar. Durante décadas no Congresso, defendera posições econômicas frequentemente distantes do liberalismo predominante no mercado financeiro, votara contra privatizações e sustentara posições nacionalistas em diferentes momentos.

Então apareceu Paulo Guedes.

A palavra utilizada repetidamente naquele ano foi significativa: fiador. Sua formação e trajetória profissional ofereciam credibilidade econômica a um candidato que não a possuía naquele meio. Bolsonaro transformou a relação em uma metáfora popular: Guedes era seu “Posto Ipiranga”.

Isso não significa que o empresariado acreditasse coletivamente que Guedes controlaria Bolsonaro, nem que o mercado possuísse uma teoria comum sobre o futuro governo. Havia, antes, diferentes lugares nos quais diferentes atores esperavam encontrar limites: Guedes oferecia previsibilidade econômica; Michel Temer imaginava, depois da eleição, que o exercício da Presidência seria diferente da campanha; Dias Toffoli lembrava que o presidente eleito juraria cumprir a Constituição e que o Judiciário continuaria a exercer seu papel institucional.

Não havia um freio. Havia vários lugares onde diferentes atores esperavam encontrá-lo.

Vieram então quatro anos de governo – e, em abril de 2021, outra sala.

O Brasil já ultrapassara 340 mil mortes por Covid-19 quando Jair Bolsonaro participou, em São Paulo, de um jantar apresentado como uma tentativa de reaproximação com empresários, num momento em que setores do mundo econômico pressionavam por maior velocidade na vacinação. Entre os presentes estavam Luiz Carlos Trabuco, João Camargo e Claudio Lottenberg; Roberto Campos Neto acompanhava o presidente na condição de presidente do Banco Central.

Cinco anos depois, Trabuco e Camargo estariam novamente diante de um Bolsonaro numa sala em São Paulo. Agora o candidato era Flávio.

A recorrência não demonstra apoio. Mostra algo mais simples: existem salas sucessivas, e algumas pessoas atravessam suas portas mais de uma vez.

Isso altera a pergunta sobre 2026. Em 2018, era possível avaliar Jair Bolsonaro como candidato sem jamais ter experimentado um governo Bolsonaro. O mesmo já não ocorre oito anos depois.

Flávio Bolsonaro não é seu pai, e a experiência do governo Jair Bolsonaro não permite deduzir como seria um governo do filho. Tampouco, porém, se trata de uma candidatura sem passado: ela carrega um sobrenome, uma trajetória familiar, aliados, adversários, repertórios e uma experiência de poder inexistentes em 2018.

Que peso essa experiência deve ter na avaliação de uma candidatura que reivindica parte daquela herança?

Há uma diferença entre uma aposta e sua repetição. Na primeira vez, o freio é uma hipótese; na segunda, existe uma experiência sobre seu funcionamento.

Experiência não é sentença. Pessoas razoáveis podem observar os mesmos quatro anos e chegar a conclusões distintas, atribuindo pesos diferentes à economia, às instituições, à pandemia, ao Supremo, ao Congresso, às Forças Armadas, à eleição de 2022 e ao que veio depois. O que já não podem alegar é possuir a mesma quantidade de informação disponível em 2018.

A pergunta de Salles pode, então, ser reformulada: o que esses brasileiros sabem agora que não podiam saber em 2018? E o que fazem com aquilo que sabem?

As respostas começam a divergir.

Parente ouviu Flávio e saiu mais distante dele. Kayath percorreu outro caminho: seus contatos com o candidato tornaram-se sucessivos, aproximou-o de empresários, organizou o jantar de agosto e teve o próprio nome mencionado nas discussões sobre um eventual Ministério da Fazenda.

No dia seguinte ao jantar, Flávio anunciou que, se eleito, teria Claudio Lottenberg como ministro da Saúde. Sua trajetória resiste a classificações simples: criticara aspectos importantes da condução da pandemia por Jair Bolsonaro, participara do jantar empresarial de 2021, fizera posteriormente uma doação à campanha de reeleição de Bolsonaro, integrara no governo Lula o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável e, em 2026, aceitara antecipadamente o convite de Flávio.

É justamente essa complexidade que torna o caso relevante. O anúncio associava ao eventual governo não apenas uma proposta para a Saúde, mas um nome identificado com o Hospital Israelita Albert Einstein, a administração hospitalar e o trânsito entre instituições públicas e privadas.

Paulo Guedes oferecera em 2018 uma credencial econômica que Jair Bolsonaro não possuía. Seria artificial transformar Lottenberg no “Paulo Guedes da Saúde”, mas sua presença desempenha objetivamente outra função de credenciamento: associa à candidatura uma reputação profissional e institucional construída fora dela.

É nesse ponto que a brincadeira dos “dois poços de petróleo” ganha outra dimensão – não porque Daniella Marques ou Marcelo Kayath tenham sido escolhidos para “domesticar” Flávio Bolsonaro, para o que não há evidência, mas porque candidatos não constroem confiança apenas dizendo o que pretendem fazer. Constroem-na também mostrando quem está disposto a fazer junto com eles.

Cada nome incorporado a um projeto leva consigo algo que possuía antes: competência, acesso, confiança, previsibilidade, reputação. Pode haver credenciamento sem apoio eleitoral explícito, diálogo sem credenciamento ou aproximação seguida de rejeição.

Não existe uma trajetória única.

Parente e Kayath estiveram na mesma sala. O fato é comum; as trajetórias, não.

Depois que a porta se abre

No fim daquela noite de agosto, a porta do apartamento de Marcelo Kayath voltou a se abrir e os convidados começaram a sair. Talvez seja esse o momento mais interessante de uma reunião política: não apenas quando todos entram, mas quando cada um retoma seu próprio caminho.

Uma fotografia poderia registrar banqueiros, empresários e executivos reunidos diante de Flávio Bolsonaro e sugerir a existência de uma entidade chamada “Faria Lima”. Mas fotografias congelam diferenças; trajetórias as revelam.

Foi assim em 1964, quando empresários conspiraram, financiaram a repressão, recusaram colaborar ou foram perseguidos pelo regime. Também é assim, em circunstâncias inteiramente distintas, no presente: alguém pode aceitar um convite para conhecer um candidato e sair decidido a não votar nele; outro pode transformar o primeiro contato numa sequência de encontros; um terceiro pode aceitar integrar um eventual governo; outros podem continuar conversando sem atravessar nenhuma dessas fronteiras.

Nenhuma decisão contém automaticamente a seguinte. Por isso, normalização não pode significar culpa por associação; mas a presença tampouco se torna politicamente irrelevante apenas porque não equivale a apoio. Entre essas duas afirmações existe boa parte da política.

Há encontros que não produzem consequência, outros que mudam opiniões e alguns que abrem novas portas. Uma fotografia registra quem estava na sala. Uma trajetória revela o que aquela sala significou para cada um.

Talvez esteja aí também o limite da comparação histórica. Os industriais reunidos em Berlim em fevereiro de 1933 não conheciam o futuro. Os empresários brasileiros de 1964 fizeram escolhas sem saber tudo o que viria depois. Em 2018, ninguém conhecia ainda a experiência de um governo Jair Bolsonaro. Em agosto de 2026, porém, essa experiência já pertencia à história. Ela não determina o futuro, mas integra aquilo que pode ser conhecido no presente.

Desde 4 de outubro, há uma informação adicional. A candidatura que aqueles empresários examinavam em agosto deixou de ser apenas uma possibilidade: Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno em primeiro lugar, com mais de 56 milhões de votos, e passou a disputar diretamente a Presidência da República. O futuro continua em aberto, mas a possibilidade de poder tornou-se imediata.

As pessoas entram juntas. A história começa a distingui-las quando saem.

João Moreira Salles perguntou o que esses brasileiros sabem. Pedro Parente mostrou que alguém pode saber, ouvir e rejeitar. Roberto Rachewsky lembrou, corretamente, que conversar não é aderir. Resta acrescentar uma pergunta: o que cada um faz depois de saber?

Ainda não conhecemos a resposta para todos os homens que estiveram naquele apartamento. Mas conhecemos agora algo que eles próprios não conheciam naquela noite: cinco semanas depois, o homem que ouviam terminaria o primeiro turno à frente.

O resultado não responde à pergunta deste artigo. Torna-a mais urgente.

A pergunta não é apenas quem entrou. É quem saiu diferente – e em que direção.

Em 27 de agosto, aquela sala reunia empresários diante de uma possibilidade de poder. Depois de 4 de outubro, sabemos que a possibilidade era real.

A sala não é a prova. É o lugar onde começa a pergunta.


Celso Pinto de Melo – Professor Titular Aposentado da UFPE, Pesquisador 1A do CNPq e membro da Academia Brasileira de Ciências.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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Celso Pinto de Melo

Doutor em Física (UCSB, 1980), mestre em Física (1975) e engenheiro químico (1973) pela UFPE, é Professor Titular aposentado da UFPE e Pesquisador 1-A do CNPq. Atuou como Fulbright Senior Scholar no MIT (1986–1987). Lidera pesquisas em polímeros condutores, transporte em filmes finos e nanocompósitos aplicados à interface com sistemas biológicos e sensores. É autor de mais de 160 artigos e diversas patentes nacionais e internacionais, e orientou mais de 60 alunos de pós-graduação. Foi presidente da Sociedade Brasileira de Física (2009–2013), vice-presidente e conselheiro da SBPC, além de diretor do CNPq e pró-reitor da UFPE. Membro titular da Academia Brasileira de Ciências e da Academia Pernambucana de Ciências. Recebeu a Comenda (2002) e a Grã-Cruz (2009) da Ordem Nacional do Mérito Científico, além da Ordem de Rio Branco (2007), por suas contribuições às ciências físicas no Brasil.

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