Constantino e o xamanismo cultural da direita conservadora, por Fábio de Oliveira Ribeiro

A tigrada do esgoto claramente confundiu o poder de reverberar sons com o poder do metal sonante.

Erick Johansson

Constantino e o xamanismo cultural da direita conservadora

por Fábio de Oliveira Ribeiro

Luis Nassif fez uma excelente análise histórica da ascensão e que de Rodrigo Constantino.

Durante o processo que ele mencionou, inventei o adjetivo “esgotífero” para me referir ao jornalista Reinaldo Azevedo. Ele foi um dos que mais atacou Dilma Rousseff. Nos últimos tempos ele se esforçou muito para reposicionar sua imagem ao virar um defensor “poser” da democracia que ajudou a destruir em troca do vil metal.

A tigrada do esgoto claramente confundiu o poder de reverberar sons com o poder do metal sonante. Uma vez satisfeitos, aqueles que comandam o show descartaram os coadjuvantes. Esgotíferos eles retornarão ao esgoto, até que sejam novamente necessários eles serão tratados como objetos inúteis.

O Brasil é um caleidoscópio de ironias. Os índios são discriminados e odiados por causa do xamanismo. Os xamãs têm (ou dizem ter) o poder de se transformar em pássaros e animais da floresta, de penetrar nas profundezas da terra e retornar ao mundo dos vivos depois de recuperar a saúde das pessoas que foram prejudicadas por forças malignas.

Mentiras e distorções repetidas malignamente à exaustão pelos jornalistas esgotíferos ajudaram a derrubar Dilma Rousseff. Portanto, o Impeachment pode ser descrito como uma pajelança amplamente televisionada.

O ritual esotérico-político terminou assim que o resultado foi obtido pelos donos do vil metal. Mas os xamãs do golpe de 2016 não conseguem mais se libertar do maledicência que conjuraram. Eles são coisas inúteis abandonadas à própria sorte e ninguém dará atenção as memórias deles.

Em 1500 o Velho Mundo desembarcou em Pindorama e converteu os índios ao catolicismo. Mas no processo de conversão os descendentes dos colonos mergulharam num misticismo teórico-prático que atingiu a perfeição nos últimos anos. Esse fenômeno – parafraseando ironicamente Olavo de Carvalho – pode ser chamado de “xamanismo cultural”. Os jornalistas esgotíferos são os suportes sociais inconscientes dele, coitadinhos.

Um homem acusado de cometer estupro é presumivelmente inocente e tem direito de defesa. A condenação dele só pode resultar de um processo judicial válido em que as provas do crime sejam coletadas mediante o contraditório.

O estupro é um crime grave e não um ritual legítimo que merece ser tolerado ou incentivado por machistas. A presunção de inocência é uma regra processual que limita o poder do Estado, mas ela não se estende ao próprio ato descrito como criminoso.

A liberdade de imprensa é um direito, mas não um privilégio concedido àqueles que pretendem deslegitimar a legislação penal. O estuprador pode e deve ser defendido no processo por seu advogado, mas defender e incentivar o próprio ato em público é crime (art. 286, do Código Penal).

O caso de Rodrigo Constantino é exemplar. Ele não merece ser estudado apenas por um psiquiatra. Os antropólogos deveriam se debruçar sobre a “bad trip” místico-paranoica em que ele ficou aprisionado. Afinal, não pode ser normal alguém defender o estupro com tanta ênfase correndo o risco de perder o emprego e/ou ser encarcerado.

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