Do inacreditável (e falso!) discurso de Barroso, cumprindo o script da Globo, por Eduardo Ramos

Luís Roberto Barroso não está apenas enlameando sua biografia: tornou-se um porta voz, um cúmplice ativo de todas as nossas misérias

Do inacreditável (e falso!) discurso do insosso Luís Roberto Barroso, cumprindo o script da Globo

por Eduardo Ramos

Quando vemos uma pessoa em situação de miséria existencial, comumente nos esquecemos que aquela pessoa “não nasceu assim…”

O viciado em crack, esfarrapado debaixo de um viaduto, a mulher que se submete às agressões verbais e físicas de um companheiro covarde, seja lá qual for o exemplo que pensarmos, sempre houve um caminho percorrido, sempre houve um abismo que a pessoa desceu passo a passo, em sua degradação pessoal.

Alguns conseguem miraculosamente interromper a queda livre, estacionam em um patamar cinzento de onde tiram de si falas e ações dignas, são aqueles que têm a dignidade de “estabelecer limites” que jamais ultrapassam, são os resquícios de uma HUMANIDADE RESISTENTE, parcelas de caráter que não foram corrompidas apesar de caminhos tortuosos que seguiram.

Um exemplo? Todos concordamos que o STF atual é pusilânime. Mas quando pensamos em ações isoladas e dignas de alguns dos ministros, nunca pensamos num Toffoli ou num Barroso, mas em um Lewandowski e um Marco Aurélio Mello – intuitivamente, reconhecemos “os que têm e os que já perderam todos os limites”.

Luís Roberto Barroso é dos que se perderam até de si mesmos, definitiva e completamente: abraçou com tamanho vigor o papel de porta voz do que é sórdido, cínico, velhaco, que não vemos mais sequer uma sombra do advogado que falava em direitos humanos e respeito à Constituição – nada sobrou!

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A mini-entrevista que concedeu à Globo é dessas cenas que nos dá engulhos, vergonha alheia, até mesmo um certo desconforto e desespero. Pensamos assim (à semelhança do “cracudo” magro e esfarrapado que vemos jogado como lixo humano nas ruas…): “Como alguém pode DESCER TÃO BAIXO, chegar a isso?!?” – porque a razão nos grita que aquela cena dantesca parece inacreditável! Mas não é, não foi, aconteceu…

Analisemos passo a passo a enjoativa peça teatral apresentada pela Globo ontem, ao seu rebanho das classes médias brasileiras.

1 – O tema: as revelações bombásticas do The Intercept sobre as incestuosas relações entre Moro e Dallagnol e o óbvio viés político da Lava Jato, visando a destruição de Lula e do PT.

2 – O modo como a Globo aborda o FATO JORNALÍSTICO GRAVÍSSIMO, simplesmente o deixando de lado, e é aí que entra a inacreditável fala do ministro Barroso.

3 – Cena um – Barroso minimiza ao máximo as interações entre o juiz e o procurador, não sem antes, hipocritamente, comentar sobre o fato de “não ser muito apropriado o juiz conversar com o Ministério Público…”, para dar um “ar de isenção” à sua fala.

4 – Cena dois – O ministro PASSA A IGNORAR COMPLETAMENTE O TEOR DOS VAZAMENTOS e lista por vários minutos todos os “benefícios oriundos da Lava Jato”, a essência do discurso é a mesma de sempre – o “combate à corrupção”. É uma mensagem subliminar que quer passar o seguinte conceito ideológico: “Pensem bem, brasileiros! O que é mais importante nisso tudo? O fim a ser alcançado, a coisa digna de combatermos o mal que assola o nosso país, ou eventuais falhas de Moro ao “conversar” com os procuradores?” – Tira-se do foco os crimes cometidos por Moro e Dallagnol e a sordidez e parcialidade dos protagonistas em todo o processo.

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5 – Cena três – Barroso passa a debochar ostensivamente dos que estão indignados com toda a imundície revelada nas reportagens, e diz “não entender os eufóricos”, tratando-os, na verdade, como “amigos dos corruptos combatidos pela Lava jato…” – mais cínico, impossível.

6 – Cena final – A jornalista da Globo enfatiza os pontos principais da fala de Barroso e afirma uma MENTIRA no ar: que “a única certeza que se tem até agora, é que os vazamentos são oriundos de uma ação criminosa” – Ou seja, criminoso é Glenn Greenwald, não Moro, criminoso é o The Intercept, não a turma da Lava Jato. – Poucas cenas na TV brasileira são tão ricas em signos e símbolos que expliquem porque chegamos a esse abismo de misérias sociais e políticas, que expliquem como é esse FORMAR UM REBANHO HUMANO, tangido pelo poder de fato – a Globo e seus capachos úteis, como tristemente a si mesmo se coloca, um ministro do nosso Supremo Tribunal.

A miséria humana é algo sempre trágico quando a assistimos. Mas há casos em que essa miséria atinge “apenas” ao próprio ser e seus familiares. Quando essa miséria – a moral, a da falta absoluta de caráter e dignidade… – afeta uma autoridade que é um dos responsáveis pelo DESTINO DE UM PAÍS, essa miséria toma proporções graves e sérias.

Luís Roberto Barroso não está apenas enlameando sua biografia: tornou-se um porta voz, um cúmplice ativo de todas as nossas misérias enquanto sociedade, enquanto uma nação sendo destruída.

A História não o esquecerá.

3 comentários

  1. Toda a razão….O Iluminado tem o mais venenoso e corrosivo vício, que destrói a tudo e a todos em redor que é o vício de si mesmo. O insaciável espelho. Pessoalmente já desprezei Barroso. Em determinado ponto quanto mais afundava em seu ego, sobrou uma imensa tristeza de ver alguém ir se “despraparando” no seu ofício e perder qualquer senso de ridículo. Dá pena mesmo.

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