3 de novembro de 2026

Valley of Death – como o Vale do Silício invadiu o Pentágono e foi penetrado pelos militares dos EUA, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Poderíamos utilizar a metáfora do “taco de beisebol” para descrever como a Palantir conseguiu arrombar a porta do Pentágono por fatia do bolo

Steve Jobs vendeu milhares de computadores NeXT para a CIA, que os modificou para uso secreto no Pentágono.
Palantir processou o Exército dos EUA para entrar no mercado militar e busca monopolizar a integração de IA bélica.
Estouro da bolha de IA pode dispersar tecnologia militar dos EUA, beneficiando países como Brasil e França.

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Valley of Death – como o Vale do Silício invadiu o Pentágono e foi penetrado pelos militares dos EUA

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Por Fábio de Oliveira Ribeiro

Em seu livro Sharon Weinberger traça um panorama de como as Big Techs foram se assenhorando de uma fatia crescente do orçamento de defesa até seus produtos começarem a ser integrados no arsenal dos EUA pelo Secretário de Guerra, Pete Hegseth. Valley Of Death ainda não tem uma edição em português, infelizmente.

No início da obra, Weinberger narra como se desenrolou a operação coberta através da qual no final dos anos 1980 e início dos anos 1990 a CIA salvou a carreira de Steve Jobs encomendando uma grande quantidade de NeXT Computers. Isso foi feito porque era preciso modernizar os escritórios da CIA e o produto criado por Jobs havia sido desenhado para o compartilhamento de informações em rede. O compartilhamento de bases de dados, entretanto, não foi aceito tranquilamento como algo necessário. Equipes da CIA se agarraram às suas bases de dados porque elas representavam uma fonte de poder burocrático do qual elas não desejavam se desfazer.

“Not everyone was quite ready for NeXT Computers. At one point, Romello went into an intelligence office – one he declined to name – whose recalcitrant staff had refused to accept the new workstations. Romello used a baseball bat to smash the old computers in the office, forcing the staff to accept the NeXT workstations. It was, even if unintended, a real-life version of the Apple commercial, where the woman throws a sledgehammer at ‘Big Brother’ – the old computer industry. ‘Sometimes you’ve got to be a patriot’, Romello said of the episode.” (Valley of Death, Sharon Weinberger, LB – Little Brown, New York, p. 33)

TRADUÇÃO: “Nem todo mundo estava exatamente preparado para os computadores da NeXT. Certa vez, Romello foi a um escritório de inteligência — cujo nome ele preferiu não revelar — onde a equipe, resistente a mudanças, havia se recusado a aceitar as novas estações de trabalho. Romello usou um taco de beisebol para destruir os computadores antigos do local, forçando a equipe a aceitar as estações de trabalho da NeXT. Foi, ainda que de forma não intencional, uma versão na vida real do comercial da Apple, no qual uma mulher arremessa uma marreta contra o ‘Grande Irmão’ — representando a antiga indústria de computadores. ‘Às vezes, é preciso ser um patriota’, comentou Romello sobre o episódio.”

Segundo a autora do livro, Steve Jobs vendeu milhares de computadores para a CIA sem saber que o destinatário final de suas máquinas seria CIA. Todavia, antes de fazer essa afirmação ela esclarece que na época a nova empresa dele estava mal das pernas porque o NeXT Computer era muito caro (6,5 mil dólares) e Jobs estava tendo dificuldade para encontrar compradores.

“The NeXT Computers rolling off the line for the CIA were loaded on unmarked trucks that pulled up at the companhy’s warehouse in the early hours of the morning. The trucks would transport the computers down California’s Route 101 to a CIA front company that added the modified chips and visual processor. Later, they would go back in the trucks, and then to Moffert Field, the base built to house the Navy blimps. There, they were loaded into hulking C-5 transport planes, and off no theis final – and classified – destinations.” (Valley of Death, Sharon Weinberger, LB – Little Brown, New York,p. 29)

TRADUÇÃO; Os computadores NeXT que saíam da linha de produção para a CIA eram carregados em caminhões sem identificação, que chegavam ao armazém da empresa durante a madrugada. Esses caminhões transportavam os equipamentos pela Rota 101, na Califórnia, até uma empresa de fachada da CIA, onde eram instalados chips modificados e um processador visual. Posteriormente, os computadores retornavam aos caminhões e seguiam para Moffett Field, base construída originalmente para abrigar os dirigíveis da Marinha. Lá, eram embarcados em enormes aviões de transporte C-5 e partiam rumo aos seus destinos finais — que eram, por sua vez, sigilosos.

Nós poderíamos utilizar a metáfora do “taco de beisebol” para descrever como a Palantir conseguiu arrombar a porta do Pentágono para ter acesso à uma fatia do bolo orçamentário militar dos EUA.

“In June of that year Palantir went nuclear: it sued the Army, accusing it of improperly excluding the company from the competition for the next stage of DCGS. It argued that its software, Gothan, was better than what the military was alredy buying, and that the law required the Army to consider a commercial product. It was a bold move, but Palantir was following in SpaceX’s steps, and playing by the new Silicon Valley rulebook. In court, Palantir’s lawyers, from the hight-powered firm Boies Schiller Flexner, accused two Army intelligence officials of having a vendetta against  the company that resulted in ‘six years of bias and prejudice and irrational behavior from the Army’. The court rejected Palantir’s ‘bad faith’ allegations November 2016 bur ruled that the Army had erred in not allowing the company to compete for the DCGS contract.” (Valley of Death, Sharon Weinberger, LB – Little Brown, New York, p. 85)

TRADUÇÃO: Em junho daquele ano, a Palantir partiu para uma ofensiva radical: processou o Exército, acusando-o de excluir indevidamente a empresa da concorrência para a próxima etapa do DCGS. A companhia argumentou que seu software, o Gotham, era superior ao que os militares já estavam adquirindo e que a lei exigia que o Exército considerasse um produto comercial. Foi uma jogada ousada, mas a Palantir estava seguindo os passos da SpaceX e adotando as novas diretrizes do Vale do Silício. No tribunal, os advogados da Palantir — do renomado escritório Boies Schiller Flexner — acusaram dois oficiais de inteligência do Exército de nutrir uma vendeta contra a empresa, o que teria resultado em “seis anos de parcialidade, preconceito e comportamento irracional por parte do Exército”. Em novembro de 2016, o tribunal rejeitou as alegações de “má-fé” feitas pela Palantir, mas decidiu que o Exército havia cometido um erro ao não permitir que a empresa participasse da disputa pelo contrato do DCGS.

Nos anos 1980 os TechBros se recusavam trabalhar para a CIA ou a vender seus produtos para o governo dos EUA. Além disso, os lucros a serem obtidos no mercado consumidor eram atrativos demais. No final daquela década Steve Jobs passou a fazer isso sem saber ou fazendo vistas grossas porque de outra maneira não conseguiria vender NeXT Computers. Na fase seguinte, SpaceX e Palantir arrombaram as portas do orçamento norte-americano com processos para vender seus produtos ao governo dos EUA e aos militares norte-americanos.

A fase seguinte seria muito mais tranquila. O próprio Pentágono decidiu que seria necessário investir dinheiro grosso em empresas de tecnologia para garantir a hegemonia dos EUA no século XXI. E os novos TechBros se mostraram muito dispostos a vender seus produtos e serviços ao Estado norte-americano, que podia ser uma fonte permanente de lucro e de prestígio político também.

Foi nesse contexto que em 2022 após uma disputa acirrada primeiro com a Oracle e depois com a Microsoft, com ataques pessoais, dossiês contra agentes públicos que supostamente prejudicavam a Oracle, acusações de interferência de Donald Trump em favor da Microsoft (que ganhou sozinha o contrato e depois o viu ser rompido), a Amazon abocanhou uma fatia suculenta do contrato de 10 bilhões de dólares para fornecer computação em nuvem ao Pentágono. Outras Big Techs também foram agraciadas com contratos naquele contexto: Oracle, Microsoft e Google.

Os TechBros que numa fase anterior brigavam por uma fatia do mercado consumidor e se recusavam manter relações com o governo norte-americano passaram a competir entre si por contratos públicos. Mas um deles não gosta de competição. Peter Thiel quer se tornar o guardião da porta de ligação entre o Pentágono e as Big Techs que criam IAs.

“In his lecture, as in his book, Thiel railed agaisnt competition and advocated for what he described as creative monopolies that could innovate. ‘Actually, capitalism and competition are opposites,’ he wrote. ‘Capitalism is premised on the accumulation of capital, but under perfect competition all profits get competed away.’

The answer explicit in Zero to One. ‘Only one thing can allow a business to transcend the daily brute for survival: monopoly profits,’ he wrote”. (Valley of Death, Sharon Weinberger, LB – Little Brown, New York, p. 79)

TRADUÇÃO: Em sua palestra, assim como em seu livro, Thiel criticou duramente a concorrência e defendeu o que descreveu como monopólios criativos capazes de inovar. “Na verdade, capitalismo e concorrência são opostos”, escreveu ele. “O capitalismo baseia-se no acúmulo de capital, mas, em um cenário de concorrência perfeita, todos os lucros acabam sendo eliminados pela própria concorrência.”

A resposta aparece de forma explícita em *Zero to One*: “Apenas uma coisa permite que uma empresa transcenda a luta diária e brutal pela sobrevivência: os lucros de monopólio”, escreveu ele.

A maneira agressiva como a Palantir avança para se tornar o guardião do portão, bem como a tecnologia que ela desenvolveu que pode ser utilizada tanto para vigilância quanto para a definição e localização de alvos militares, evoca temores associados à Skynet. Segundo a autora do livro comentado, esta questão já foi feita a um executivo da Palantir:

“ ‘Do you ever have nightmares about Palantir becoming Skynet?’ ond of the reporters on mu team asked Palantir’s Shyam Sankar, during our visit to the company’s offices in Washington, DC, in 2023. After all, the Skynet of the Terminator movies was an Ai system designed to manage all military decidio-makingm which sounded a lot like what Paçantir was trying to achieve.

‘I think it’s a magician’s trick to focus on the existencial nature os AI’, he replied, dismissing the question. He paused and then added: ‘I can quote Sam [Altman]; ‘Elon Musk really does want to save the world as long as he’s the one savint it.’

The reporter’s question had made me laugh at the time, because Pallantir wasn’t really in the business of developing AI; its plataform hosted other companies’AI models, and I’m generallu skeptical that Ai is in the verge os matching or exceeding human cognition in all domains, or what is called artificial general intelligence. The concern over Skynet seeemd  to fall into the bucket of what historiais of technology sometimes call ‘wishfull worries’, meaning unrealistic things that people worry about, like Terminator robots, rather than the very real problems in front of them, which arguably was the growing power of tech titans in defense.

But now, just a few years later, I realized how prescient the reporter’s question was in some respects. Palantir doesn’t need to develop AI; neither does Anduril or any other companhy. They only need to harness other companies’AI for warfare, as Palanatim was already doing. After all, Palantir’s presumptive goal, as Thiel laie out long ago for all his companies, was to estalish a monopoly. For Palantir, that meant becoming the integrator of everyone’s AI models, In other words, Palantir in a sense, was developing Skynet.” (Valley of Death, Sharon Weinberger, LB – Little Brown, New York, p. 249/250)

TRADUÇÃO; “Você já teve pesadelos com a possibilidade de a Palantir se tornar a Skynet?”, perguntou um dos repórteres da minha equipe a Shyam Sankar, da Palantir, durante nossa visita aos escritórios da empresa em Washington, D.C., em 2023. Afinal, a Skynet, dos filmes Terminator [*O Exterminador do Futuro*], era um sistema de IA projetado para gerenciar toda a tomada de decisão militar — o que soava muito parecido com o que a Palantir buscava alcançar.

“Acho que focar na natureza existencial da IA ​​é um truque de mágica”, respondeu ele, descartando a pergunta. Fez uma pausa e acrescentou: ‘Posso citar o Sam [Altman]: “Elon Musk realmente quer salvar o mundo, desde que seja ele quem o salve”.

Na época, a pergunta do repórter me fez rir, porque a Palantir não estava, de fato, no ramo de desenvolver IA; sua plataforma hospedava modelos de IA de outras empresas. Além disso, costumo ser cético quanto à ideia de que a IA esteja prestes a igualar ou superar a cognição humana em todos os domínios — o que se chama de ‘inteligência artificial geral’. A preocupação com a Skynet parecia se encaixar no que historiadores da tecnologia às vezes chamam de ‘preocupações fantasiosas’ — receios sobre cenários irreais, como os robôs de Terminator, em vez de problemas muito reais e imediatos, como, por exemplo, o crescente poder dos gigantes da tecnologia no setor de defesa.

Mas agora, poucos anos depois, percebo o quão premonitória foi a pergunta do repórter, sob certos aspectos. A Palantir não precisa desenvolver IA — e nem a Anduril, nem qualquer outra empresa. Basta que utilizem a IA de terceiros para fins bélicos, exatamente como a Palantir já vinha fazendo. Afinal, o objetivo presumível da Palantir — conforme definido por Thiel há muito tempo para todas as suas empresas — era estabelecer um monopólio. No caso da Palantir, isso significava tornar-se a integradora dos modelos de IA de todos as outras empresas. Em outras palavras: a Palantir, de certa forma, estava desenvolvendo a Skynet.”

O livro de Sharon Weinberger aborda também a criação e o crescimento de novas empresas que se dedicam ao desenvolvimento e fabricação drones militares semi-autônomos e autônomos. A autora não entra muito profundamente no debate ético sobre o uso desse tipo de armamento, mas as preocupações que ela demonstra inevitavelmente levarão o leitor a procurar se informar mais sobre esse tema.

Palmer Luckey ganhou destaque no livro. O ambicioso dono da Anduril, que se inspira num personagem de Mangá e parece um anti-herói de HQ criou armamentos que ele pretende fabricar em massa para vender ao Pentágono durante a guerra contra a China. Essa guerra, que segundo alguns falcões e estrategistas norte-americanos é inevitável e ocorrerá em 2027 assim que os chineses atacarem e invadirem Taiwan, criará um mercado para os produtos da Anduril e de outras empresas do ramo que estão surgindo. Há muito dinheiro a ser ganho com essa guerra, imaginam os WarBros.

“The tech companies started with a focus on AI, software, and automation – tools that would be critical for the fight against China – because that is what Silicon Valley has to offer. An increasing number of startups are now moving into manufacturing, though it’s too soon to say if they will be able to mas-produce weapons, and ig they can, that tse will be the weapons the US military wants to buy.” (alley of Death, Sharon Weinberger, LB – Little Brown, New York, p. 245)

TRADUÇÃO: “As empresas de tecnologia começaram focando em IA, software e automação – ferramentas que seriam cruciais para a luta contra a China – porque é isso que o Vale do Silício tem a oferecer. Um número crescente de startups está agora entrando no setor de manufatura, embora seja cedo demais para dizer se elas serão capazes de produzir armas em massa, e se conseguirem, essas serão as armas que os militares dos EUA vão querer comprar.”

O Pentágono, que já gasta bilhões de dólares com computação em nuvem e IAs, ainda não comprou armamentos dessas novas empresas. Apesar de fornecer pequenos incentivos aos novos industriais do Valley of Death, quando se trata de hardware militar o Pentágono é muito mais conservador. Todavia, se os chineses começarem uma guerra isso poderá funcionar como um acelerador de uma tendência que já existe.

Aqui procurei dar apenas um panorama de alguns temas abordados no livro por Sharon Weinberger. Quanto estava acabando de ler a obra a bolha financeira da IA começou a explodir. O resultado dessa explosão é ainda incerto. Weinberger demonstra preocupação com a superavaliação das Big Techs, mas ela não refletiu sobre o que pode ocorrer a partir de agora. Então farei isso aqui com uma certa liberdade.

Todos sabiam que existia uma bolha financeira em torno da IA, uma vez que pequenas empresas focadas no setor atraíam enormes fluxos de capital e viam suas avaliações dispararem, sem nunca terem apresentado lucros que justificassem tais investimentos. Estratégias bem conhecidas (como a recompra de ações) foram utilizadas para inflar artificialmente o preço de suas ações.

Há mais de um ano, a existência dessa bolha é tema de debate na imprensa financeira. Ainda assim, os veículos de mídia continuaram a promover, com grande entusiasmo, os produtos milagrosos que a IA supostamente criaria no futuro — embora, na prática, pouquíssimo disso tenha se concretizado.

Essas empresas conseguiram ganhar um fôlego ao vender produtos para o Pentágono, mas nem mesmo isso foi suficiente para sustentar a bolha. Agora que a bolha estourou, os suspeitos de sempre fingirão surpresa; contudo, apenas os mais astutos conseguiram retirar seu capital antes do iminente efeito dominó de falências.

Figuras como Dario Amodei e Sam Altman, dois típicos representantes da nova elite tecnológica, tornaram-se milionários e empregaram táticas antigas para proteger seu patrimônio pessoal, mantendo-o a salvo de empresas que, em sua essência, estavam podres. A questão, agora, é se uma grande gigante da tecnologia (Big Tech) vai colapsar e declarar falência em decorrência do estouro da bolha de IA. Caso isso ocorra, o “Estado plataformizado”, assim como os setores bancário e corporativo, altamente dependentes dessas plataformas, poderá sofrer consequências diretas, desencadeando inevitáveis ​​repercussões sociais.

O estouro da bolha de IA nos EUA pode trazer uma consequência militar imprevista e indesejada pelo Pentágono. À medida que milhares de pequenas startups norte-americanas, dedicadas ao design e à produção de drones e armamentos autônomos ou semiautônomos, começarem a deixar de ser financiadas e forem a falência, seus engenheiros e técnicos podem acabar sendo recrutados para trabalhar na Europa, na Rússia ou até mesmo no Brasil.

A bolha criada pelo Vale do Silício pode, no fim das contas, ser prejudicial às ambições hegemônicas dos Estados Unidos, ao promover a dispersão de tecnologia, conhecimento, expertise e mão de obra qualificada. A China pode simplesmente incentivar essa tendência não agredindo militarmente Taiwan.

O presidente Lula deveria orientar o Ministério da Defesa a acompanhar essa situação de perto, pois poderíamos, potencialmente, tirar proveito dos erros cometidos pela estrutura de poder que levou Donald Trump à presidência. Emmanuel Macron também pode ajudar a França a dar um salto significativo, aproveitando esta oportunidade para reposicionar o país militarmente para o século XXI.

A migração de estudiosos, filósofos, pensadores e cientistas que se seguiu à queda de Constantinopla revelou-se imensamente benéfica para a Europa medieval, ajudando-a a superar a vasta lacuna de desenvolvimento que a separava do mundo islâmico. Algo semelhante pode acontecer agora no Vale do Silício (bem como no emergente “Vale do Silício da Morte”, o polo de startups voltadas à fabricação de novos armamentos), e o restante do mundo deve tirar proveito dessa insensatez norte-americana.

Acredito que os estrategistas militares americanos, sempre astutos e tão arrogantes e confiantes em sua própria superioridade, jamais imaginaram que o capitalismo sem regulação acabaria se tornando a maior ameaça aos EUA no século XXI. Eles partem do pressuposto de que todos odeiam os norte-americanos, mas, neste exato momento, todos os concorrentes e adversários dos EUA poderiam dizer, com um sorriso maquiavélico no rosto, que simplesmente adoram os EUA.

Ao finalmente derrotarem e conquistarem Constantinopla, os muçulmanos sentiram-se no topo do mundo, invencíveis. Mal sabiam eles que estavam lançando as bases para a ascensão da Europa e para a sua própria derrocada alguns séculos mais tarde. Agora, ao que parece foram os cristãos evangélicos norte-americanos que, sentados no topo do mundo, decidiram enfiar uma granada financeira e tecnológica no próprio rabo. Isso não é adorável?

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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