25 de outubro de 2026

Uma eleição como nenhuma outra, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Existe uma outra escolha que será feita, uma muito mais sutil que somente as pessoas que conhecem a história do Brasil são capazes de intuir.

Eleições no Brasil decidem entre Lula e candidato ligado ao ex-presidente golpista, com tensões políticas intensas.
Lula enfrentará Congresso de direita e oposição mobilizada; adversário promete decretos e confronto com STF.
Disputa reflete crise democrática e social, com risco de instabilidade e polarização política no país.

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Uma eleição como nenhuma outra, por Fábio de Oliveira Ribeiro

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Hoje o Brasil não vai escolher apenas o novo presidente do país. Tampouco escolherá apenas entre democracia e ditadura, civilização e barbárie bolsonarista. Existe uma outra escolha que será feita, uma muito mais sutil que somente as pessoas que conhecem a história do Brasil são capazes de intuir. 

Nas urnas os eleitores podem digitar 13 ou o número do outro candidato, aquele que é filho do ex-presidente golpista responsável por 2/3 das 700 mil mortes durante a pandemia. Todavia, qualquer que seja a escolha ela levará consigo o pesadelo que será vivido pelo próximo presidente.

Se for eleito, Lula receberá de presente o pesadelo de João Goulart. Isso porque, ele enfrentará um Congresso dominado pela direita hostil, um Judiciário comprometido apenas com os privilégios senhoriais dos juízes, uma imprensa neoliberal que odeia o PT e uma parcela da população religiosamente mobilizada em torno do candidato derrotado.

Caso o outro cara ganhe, ele receberá de presente uma população intensamente mobilizada contra um governo de direita que pretende desmantelar o que resta da rede de proteção trabalhista, previdenciária e social. O liberalismo tóxico dele irá ser confrontado nas ruas, a repressão policial apena jogará mais gasolina na fogueira. Tudo bem pesado, o pesadelo que ele receberá é aquele que levou à queda de Washington Luiz em 1930.

Com Lula as relações entre esquerda, centro e direita podem ser estabilizadas. Como líder da oposição e adversário da normalidade democrática que não esconde sua ambição de reformar o sistema constitucional, o outro cara pode muito bem tentar comandar as forças ocultas e incultas da extrema direita para desestabilizar o quarto mandato de Lula. 

Se ganhar a eleição o cara da extrema direita irá para o tudo ou nada logo nas primeiras semanas, porque a imprensa já noticiou que centenas de decretos serão assinados por ele. Ao editar inúmeros decretos que serão inevitavelmente questionados no STF – Supremo Tribunal Federal o filho do ex-presidente golpista empurrará o país para o abismo jogando seus parlamentares, senadores, pastores, milicianos e eleitores contra a Suprema Corte. Ao exigir poderes absolutos num país desdemocratizado, ele não deixará se despertar resistência política e popular também. 

Washington Luiz foi o 13º Presidente do Brasil, o último da chamada República Velha. João Goulart foi o 24º presidente do Brasil (7º presidente brasileiro durante a vigência da Constituição de 1946). O primeiro foi derrubado pela revolução popular liderada por Getúlio Vargas. O segundo foi deposto por um golpe militar. Lula e o outro cara disputam hoje o comando de um país à beira do abismo.

O Brasil está numa encruzilhada em que Xangô encontrou acidentalmente Exu disfarçado de Jesus evangélico. O primeiro representa a preservação da Constituição de 1988 e nunca abandonou o local. Invocado por pastores dinheiristas, o outro chegou ao local bebendo cachaça e cuspindo labaredas de fogo no sistema constitucional democrático. Ambos disputam a atenção e o voto de seres condenados a viver temporariamente enquanto transitam de um mundo para o outro. 

Qualquer que seja o resultado da disputa, a justiça vencerá o caos. Aqueles que pretendem transformar nossa paz em guerra civil, que desejam substituir a democracia por uma ditadura e que fazem qualquer coisa para impor uma teocracia evangélica incompatível com a tolerância religiosa serão queimados nas fogueiras que eles mesmos pretendem acender. Se isso não ocorrer hoje, ocorrerá amanhã ou depois com certeza. 

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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