
Guiana: a nova distração para a logística do Amazonas
por Augusto Cesar Barreto Rocha
São muitas as distrações que a vida apresenta. Se nos perdermos com elas, como crianças, poderemos ser vitimados. Outro dia estávamos com a distração do porto de Chankay, no Peru. Passamos meses falando dele, para descobrir o já sabido: ele não é uma alternativa válida para as cargas de grande volume. Quanta distração, quanto esforço gasto. Agora temos outra distração: com investimento de mais de R$ 5 bilhões, uma estrada com 500 quilômetros de extensão, ligará Georgetown até a fronteira com Roraima.
A interpretação do mundo, dos modos de ser das pessoas é importante, para que não fiquemos gastando a vida com o que não interessa. Fico com a impressão de que a nossa “consciência intencional” (Husserl) sempre tira a atenção do nosso papel, das instituições da Amazônia ou do Brasil frente ao que necessitamos. Como se uma oportunidade trazida por “alguém” de fora do país fosse nos salvar. Chankay não resolveu nem resolverá o nosso problema. A Guiana não resolverá o nosso problema. Eles estão atrás de resolver o problema deles, pois a economia Guiana está crescendo muito.
O que nos interessa é construir infraestrutura sustentável na Amazônia. Esta estrada, somada com o porto ou um novo porto que também será construído com investimento de US$ 4 bilhões não transformarão para melhor a logística de Manaus ou do Brasil. Aliás, pode até melhorar em algo marginal, daqui a 20 anos quando tudo estiver pronto, mas não é este o objetivo do projeto. A outra distração, por ora, é que está chovendo bastante e a seca não será tão severa em 2025. Assim, podemos ficar distraídos e achar que os problemas de transporte foram resolvidos, mas não foram resolvidos. Seguimos precisando estudar o Rio Amazonas e o sistema hidrológico para uma maior compreensão da região.
O mundo empresarial normalmente não cai nestas armadilhas de distrações. Entretanto, a concepção da pauta pública cai com facilidade. A quem interessa esta distração? Aos demais Estados do país, para seguir a não corrigir a desigualdade regional com os recursos públicos que deveriam ser alocados para isso. Estes recursos seguirão a ser investidos nas áreas mais ricas do Brasil, assegurando o aumento das desigualdades regionais. Também interessa para outros países, para que sigamos na condição de dependência. Interessa para os grupos econômicos que levam vantagem com esta condição atual. A solução para as distrações? Insistir na pauta de prioridades e encontrar caminhos institucionais para construí-las. Fora disso, não percebo saída.
Augusto Cesar Barreto Rocha – Professor da UFAM.
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Evângelo Navegante
30 de setembro de 2025 8:11 amTambém não é assim, temos sim vantagens para melhorar nossa situação com essas construções .
carlos.freitas
30 de setembro de 2025 3:08 pmPerguntando a duas IA se O Porto de Chancay no Peru não é uma alternativa válida para as cargas de grande volume. É verdade ?
Ambas afirmaram ser falsa essa afirmação , o autor não explica a afirmação.
AMBAR
1 de outubro de 2025 1:36 pmMas sempre não foi assim? Quem se importa com os interesses coletivos?
Pelo menos já se fala do assunto. O mais virá pelas sobras que a exigência do desenvolvimento permitir.
Eduardo dos Santos
2 de outubro de 2025 2:42 pmDesde que estudei pela última vez, o professor de economia falava que a estrada ia ser asfaltada pelo governo brasileiro que já estava até no orçamento e olha que isso já tem mais de 12 anos e nunca passou de conversa, agora como a Guyana está nadando em dinheiro eles estão construindo.