5 de junho de 2026

Malafaia, um Goebbels evangélico, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Ao realizar uma comparação abusiva para limpar a imagem dos criminosos bolsonaristas, Malafaia demonstra ter aderido ao cânone nazista
Fotomontagem: Reprodução/Internet

Malafaia, um  Goebbels evangélico

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Hoje fui obrigado a bloquear uma pessoa no LinkedIn por causa de uma comparação grotesca. Pouco depois fiquei curioso e fui pesquisar a origem da foto compartilhada que continha a comparação. Rapidamente descobri que ela foi publicada no Instagram pelo pastor Malafaia. Sem dificuldade confirmei a autoria da comparação.

A comparação abusiva tinha 17.763 curtidas quando a vi pela primeira vez. Compartilhada no LinkedIn e provavelmente no Facebook ela obviamente vai viralizar. O abuso cometido por Malafaia não é casual. Muito pelo contrário. Ao comparar Lula com Hitler ele se comprometeu pessoalmente com a estratégia de desinformação bolsonarista. Por isso resolvi escrever algumas linhas sobre o assunto.

A fala de Lula utilizada para compará-lo a Hitler (Não são seres humanos, são animais selvagens. Essa gente precisa ser extirpada) foi proferida num contexto bastante específico. Ele estava se referindo aos agressores do Ministro do STF num aeroporto italiano. Ao proferir a frase “Já não são seres humanos. São animais. Nossa tarefa não é, portanto, humanitária, mas cirúrgica. Caso contrário, a Europa perecerá sob a doença judia” Hitler referiu-se aos judeus, que segundo a ideologia nazista eram considerados seres inferiores.

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Lula obviamente foi infeliz ao referir-se aos bolsonaristas como “animais selvagens”. Todavia, a selvageria que eles praticaram em Brasília no dia 08 de janeiro de 2023 é um fato histórico que não pode ser esquecido. Isso para não mencionar a agressão gratuita praticada contra o Ministro Alexandre de Moraes e a família dele num aeroporto.

O ódio promovido por Hitler contra os judeus era racial e politicamente programático. As vítimas preferenciais do nazismo não precisaram fazer absolutamente nada para serem identificados com selvagens e considerados passíveis de extermínio. É nesse sentido que emerge o absurdo da comparação feita por Malafaia (e reverberada pela imprensa anti-petista). Ao contrário dos judeus alemães perseguidos pelo Partido Nazista, os bolsonaristas cometeram atos de violência e alguns deles têm sangue nas mãos.

Salvo raríssimas exceções de judeus desesperados que aderiram de maneira justificada à resistência armada contra o III Reich, as vítimas do nazismo não cometeram violências contra prédios públicos ou crimes de sangue. O mesmo não pode ser dito dos adeptos da ideologia de ódio vomitada por Jair Bolsonaro desde que disse “vamos fuzilar a petralhada”. Nos últimos quatro anos alguns deles mataram adversários a tiros e os espancaram nas ruas por motivo fútil.  Aliás, já que estamos falando do bolsonarismo nunca é demais lembrar que essa ideologia é uma pedagogia do assassinato.

O que causa mais irritação é a hipocrisia do pastor Malafaia. Ele foi um dos maiores apoiadores de Bolsonaro. Nem mesmo quando o ex-presidente incentivou acintosamente a violência contra o STF e contra os Ministros da Suprema Corte ele se insurgiu e comparou seu mestre a Hitler. O extermínio de índios, levado a cabo por bolsonaristas que lucraram com a invasão de territórios indígenas e o garimpo nas terras dos Yanommis, não foi comparado por Malafia ao genocídio dos judeus.

Malafaia apresenta Lula como um defensor da violência. Mas a verdade é que a violência retórica inadequada do atual presidente não pode ser comparada à violência real incentivada por Jair Bolsonaro e praticada pelos bolsonaristas tratados por aquele pastor como se eles fossem inocentes. No limite, o pastor que criminaliza o petismo faz isso para legitimar os atos violentos praticados pelos seguidores do mestre dele. Isso é obviamente inadmissível e certamente não pode ser considerado um legítimo exercício da liberdade de expressão ou da liberdade religiosa.

Joseph Goebbels dizia que a verdade é uma mentira repetida à exaustão. Ao realizar uma comparação abusiva para comprometer a imagem de Lula e limpar a dos criminosos bolsonaristas, Malafaia demonstra ter aderido ao cânone nazista. Há alguns dias perguntei no Jornal GGN onde estava o Wallyfaia? Ao que parece ele estava estudando as táticas sujas para defender seu mestre e atacar seu adversário.

*Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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4 Comentários
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  1. Jicxjo

    22 de julho de 2023 4:01 pm

    Perdeu, Mala! Como dizia o Boechat, vai procurar o Nemo! Se você é cristão, Jesus então é o Darth Vader.

  2. Salete Farias

    22 de julho de 2023 7:45 pm

    E por falar em Goebbels,por onde anda aquele tal Alvim que em rede nacional se travestiu do mesmo e discursou como se fosse.O Goebbels Tabajara do Gov. Bolsonazi Vai passar livre leve e solto? Nada vai lhe importunar? Penso que merece alguma ação,não dá para passar em branco.

  3. emerson57

    22 de julho de 2023 7:47 pm

    Malacraia: Goebbels é meu pastor nada me faltará!

  4. Fábio de Oliveira Ribeiro

    23 de julho de 2023 9:27 am

    Nassif, continua o problema aleatório na caixa de comentários. Aparece pré-preenchida com nome e e-mail de outra pessoa, neste caso com o do próprio Fábio. É uma brecha problemática de segurança que precisa ser corrigida.

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